<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109</id><updated>2012-02-15T06:26:25.273-08:00</updated><category term='Homenagem singela a todas as mulheres'/><category term='Chuva'/><category term='Porque hoje é Sábado - homenagem a Vinícius de Moraes'/><category term='Homens e bichos'/><category term='Serralves - Atelier de escrita - coordenação: Dr. Mário Cláudio.'/><category term='Conto'/><category term='vítimas de violência doméstica'/><category term='Poesia - pensamentos'/><category term='Poesia - Pablo Neruda'/><category term='Serralves - Atelier de Escrita - Coordenação: Dr. Mário Cláudio'/><category term='Poesia - Mário Quintana'/><category term='publicado no JN'/><category term='Carnaval - Poesia'/><category term='Poesia'/><category term='Homenagem à  Sinead'/><category term='Poesia - Machado de Assis'/><category term='grandes obras.'/><category term='O estado da Nação'/><category term='Conto - um homem sem a dignidade dos bichos'/><category term='&quot;Amores de Perlimplim com Beliza em seu jardim&quot; - Frederico Garcia Lorca'/><category term='Reflexões - grandes pensadores'/><category term='grandes obras II - FLUP'/><category term='Serralves - Ler e Escrever com Escritores Portugueses - Coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><category term='Grandes escritores'/><category term='Poesia - Oswaldo Montenegro'/><category term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><category term='Poesia - Frases famosas'/><category term='Poesia africana - Alda Lara'/><category term='Poesia - Mãe'/><category term='Poesia  - A dor de pensar'/><category term='Poesia - Desejos do Poeta e Desejos meus'/><category term='Pedaços de um conto'/><category term='Fernando Pessoa - Mensagem'/><category term='Poesia - Saudades da infância/ cansaço existencial'/><category term='Poesia - Vinicius de Moraes'/><category term='Grandes livros'/><category term='Citações - Pensamentos'/><category term='Pedaços de recordações e de vida...'/><category term='Poesia de Natal - José Almeida Silva'/><category term='grandes obras - Flup'/><category term='Poesia - Esperança'/><category term='Feliz Ano Novo'/><title type='text'>A desalinhada</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>194</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5635313967317101275</id><published>2012-01-25T04:55:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T10:31:16.972-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&quot;Amores de Perlimplim com Beliza em seu jardim&quot; - Frederico Garcia Lorca'/><title type='text'>Pranto de Belisa pela morte de seu marido e seu amante</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Belisa, com um braçado de rosas vermelhas, ajoelha-se junto ao túmulo de Perlimplim. Vestida de negro, esguia, pálida, com o rosto sulcado de lágrimas, acaricia devagar a pedra branca e fria.&lt;br /&gt;Num entorpecimento até aí desconhecido, mergulhada na estranheza funda da tragédia que a atingiu, Belisa sussura, como se Perlimplim  a pudesse ouvir, frases soltas, desgrenhadas, impetuosas e talvez sem sentido, porque tecidas de amargura e de espanto e temperadas de paixão:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, a tua morte inesperada, a tua partida violenta e súbita deste mundo, a tua irremediável lonjura de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, por não ter percebido, em ti, o homem apaixonado que eras. Limitei-me, na minha fria insensibilidade, a ver em ti, apenas o homem velho, inexperiente com mulheres e um pouco ridículo que estavas longe de ser, e que aceitei, leviana, por marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, porque não soube escutar, nem compreender, nas tuas palavras encobertas numa desajeitada ligeireza, numa triste conformação e talvez numa dolorosa vergonha, a cintilação da tua inteligência, da tua generosidade e do teu amor por mim! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas também choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, porque não me apercebi da tua astúcia, da urdidura manhosa que teceste à volta deste meu coração doido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, o jovem belo e sedutor que me cortejava e coloria os meus dias, embuçado na maciez erótica da sua capa vermelha, e por quem, me apaixonei perdidamente! Um jovem sedutor que afinal eras tu, mas que mataste quando, insano,  te mataste, com o precioso punhal cravejado de esmeraldas ardentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, a morte do sonho, do meu sonho febril, da desmesura da minha estranha fascinação! Por ele! Pelo desejo quase doentio da  proximidade dele, dos lábios dele presos nos meus, das mãos dele a tocarem a minha pele, do meu corpo entrelaçado no dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, a loucura doce e excitante de um deslumbramento que eu nunca tinha sentido, mas que tu destruíste com o teu punhal cravejado de esmeraldas, cujo fulgor devia ser de esperança, de luz, de vida e não de escuridão, de violência, de morte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, a Belisa jovem, ardente, maliciosa, apaixonada, confiante na vida e no amor, que morreu com o jovem embuçado que a seduziu com o fogo do seu desejo nunca apaziguado, e também contigo, coração calado, mas braseiro infatigável, incêndio de labaredas altas, já que um era o outro, jogo de sombras enganosas que não entendi, mas cujo fim me deixou afogada neste fremente desespero de alma perdida, abandonada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, a floresta de enganos em que me enredaste, traindo-me, destroçando-me! Talvez sem maldade, talvez, apenas porque, num desalento, te perdeste, inconformado, no imparável declínio  da vida! &lt;br /&gt;Foste presença generosa e foste esquivo! Foste luminoso e foste turvo! Foste lírico e foste trágico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, Perlimplim, porque não vi o brilho sereno da tua alma, não pressenti o teu amor por mim e considerei-te velho, confuso e tonto. E tu eras muito mais do que isso! Mas cega, desnorteada, no negrume profundo da teia viscosa que teceste, não te vi!  Talvez por isso, continuei a procurá-lo, a ele, louca ilusão, quando te tinha, coberto de sangue, a morrer, nos meus braços!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, por ti, por ele, por mim! Por ti, porque, apesar do teu ardiloso embuste, que desfizeste com a lâmina afiada e fria do teu punhal cravejado de esmeraldas, foste na minha vida, uma cintilante chuva de estrelas numa noite escura e sem luar! Por ele, que nada mais foi do que uma iridescência de ti, uma transparência de ti, uma sombra fugidia de ti que, no entanto, amei! Por mim, porque, na turbulência do meu corpo fremente de desejo e na imprudência do meu coração insensato, na verdade, nunca te conheci! Jurei querer-te e respeitar-te e nunca te quis e nunca te respeitei! Traí-te, Perlimplim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, porque me sinto vazia e só! Não sei, verdadeiramente não sei, por quem bateu este meu coração alucinado, não sei, verdadeiramente não sei, por quem choro! Estranho-me, desconheço-me, desgosto-me de mim!&lt;br /&gt;Fui tola; fui leviana; fui patética! E nunca te pedi perdão, nem te disse que te perdoo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Choro&lt;/strong&gt;, porque não posso aproximar a minha alma da tua, tu que podias ter sido o outro lado de mim, no caminho da vida! E é a chorar, Perlimplim, que te digo adeus! A ti e a ele! A ele, que eras tu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Belisa levanta-se. As rosas vermelhas são uma mancha vibrante de luz e de cor, na pedra branca e fria.&lt;br /&gt;Uma tristeza infinda ensombra-lhe o rosto bonito e no olhar vago e sombrio nada parece fazer sentido.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOTA: Este texto foi escrito a propósito da peça de Frederico Garcia Lorca analisada no Curso De Leitura e Escrita Criativa, VIOLÊNCIA E PAIXÃO, coordenado pelo Dr. Mário Cláudio, em Serralves.&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5635313967317101275?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5635313967317101275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5635313967317101275' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5635313967317101275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5635313967317101275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2012/01/pranto-de-belisa-pela-morte-de-seu.html' title='Pranto de Belisa pela morte de seu marido e seu amante'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1817228010495215156</id><published>2011-11-30T05:59:00.000-08:00</published><updated>2011-11-30T06:59:01.735-08:00</updated><title type='text'>Páginas soltas do meu Diário</title><content type='html'>&lt;strong&gt;6 de Novembro de 2011 – Domingo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia amanheceu dourado e morno. Saí e comprei um perfume - Chanel Nº5. Gosto muito de perfumes, mas este é, talvez, o meu preferido. Com duas ou três gotinhas, sinto-me sumptuosa. Sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde, encontrei-me com Dulce Maria Cardoso no  “Retorno” e com ela revivi a saga triste dos retornados das colónias ultramarinas. Com ela, revivi  a  aflição da antecipação da perda, a amargura da perda, a rejeição angustiada da perda e, por fim, vencidos, a aceitação de uma perda amarga, com um recomeço, com ferramentas gastas, feito de medo, de frustração, de cansaço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7 de Novembro de 2011- 2ªfeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei um passeio delicioso com a Chininha, a Sofia e a Íris, à beira-mar. O sol cobriu-nos de ouro e de luz! A vida, assim, fica-me tão bem...&lt;br /&gt;Fica-me bem sentir a alegria delas a meu lado! Sabe-me a bolo e a flores frescas do orvalho da manhã, adaptar o ritmo dos meus passos ao compasso das passadas saltitantes delas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde, vesti a bata amarela, com dois bolsos pregados, onde guardo sorrisos, palavras, afagos e pequenas mentiras, daquelas que não fazem mal. Que talvez dêem algum consolo, que talvez transmitam alguma réstea de Esperança, sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8 de Novembro de 2011 – 3ªfeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo arrefeceu. &lt;br /&gt;Guardei, definitivamente, com uma tristeza vaga, as roupas leves, coloridas, bonitas de Verão. &lt;br /&gt;Comprei um casaco quente e uma blusa a condizer. Tentei-me com um baton novo. Pintar os lábios com um baton de cor diferente é como estrear um vestido. A alegre expectativa é quase a mesma... Esta sou eu: vaidosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou na cozinha, com as minhas patudas aos pés... Enquanto a carne assa no forno, eu escrevo e elas dormem consoladamente... Uma delas, a Íris, soltou um suspiro fundo. Embora durma mesmo aqui a meu lado, andará, nos seus sonhos  de cachorrinha feliz, a correr alegremente pelo jardim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9 de Novembro de 2011 – 4ªfeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite sonhei contigo. Mas já não eras tu! Dei-me conta que és, agora, apenas uma ténue recordação. Ou nem isso... Talvez, ainda, um fiapo de memória que o tempo, implacável, quase desvaneceu! Melhor assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um bolo de laranja.  Amargo e doce! Agridoce!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a ver, pela “Claraboia” de um  prédio com seis inquilinos, o mundo que Saramago criou e que, generosamente, partilha agora comigo. Começa assim, com esta belíssima frase de Raúl Brandão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em todas as almas, como em todas as casas, além da  fachada, há um interior escondido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lá da fachado do livro, onde se destaca a clarabóia, descubro um Saramago jovem e uma escrita rica, ainda pontuada, fluída, poética! Uma narrativa  já poderosa, o retrato perfeito de uma época, povoada por personagens sólidas, delineadas por um profundo conhecedor da natureza humana! Embora só com trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10 de Novembro de 2011 – 5ªfeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi uma mulher gorda e uma rapariga atrozmente feia, de tão antipática e macambúzia. Vi um  um homem, com um aspecto miserável, vasculhar cuidadosamente, quase amorosamente, o lixo. No supermercado, ouvi uma adolescente usar uma linguagem  grosseira  e insultuosa para com a mãe que a ouviu meio receosa e lhe comprou o que ela queria. Apeteceu-me abanar a mãe submissa e partir a cara à rapariga! A falta de educação, de respeito e a passividade doentia de quem é ofendido, despertam em mim, impulsos agressivos.  Sou assim: impulsiva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debrucei-me sobre a cama de um doente e, com a mão dele presa na minha, tirei do meu bolso uma atamancada mentira que já não deu consolo, já não transmitiu Esperança! Uma mentira patética, inútil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a alma ajoelhada, agradeci à vida, a sua imensa generosidade para comigo! Porque não sou macambúzia, tenho mais do que preciso, ainda posso ser eu a estender as mãos e o coração aos outros  e, sobretudo, porque tenho umas filhas lindas, maravilhosas, perfeitas! Que são o meu enlevo, o meu orgulho, a minha alegria mais profunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11 de Novembro de 2011 – 6ªfeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dia de S. Martinho e cometi o pecado da Gula. Comi uns rojões fantásticos e castanhas assadas. Bebi vinho novo e circundei-me de rosas com cheiro a Família, a conforto, a serenidade! E pensei que o pecado não tem em si, só aquele travo excitante de transgressão! É também muito gostoso! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a desvendar, pela modesta Clarabóia, do prédio com seis inquilinos, os enredos que Saramago teceu!&lt;br /&gt;O encantamento da descoberta, só empalidece porque um livro, escrito na década de 1950, é lançado, despudoradamente, obedecendo ao novo Acordo Ortográfico! Não foi assim que foi escrito! Na minha opinião é uma falta de respeito para com o Autor! Mas, quem sou eu...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12 de Novembro de 2011 – Sábado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui às compras de manhã.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde vi um carro atropelar, mortalmente, um cão e seguir sempre, como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;Conforme pude, tirei-o da estrada e deitei-o na valeta, numa cama fria, feita de ervas daninhas, com um homem, de meia-idade, bem vestido e aprumado, a ver a cena e que, sem mexer um dedo para ajudar, se limitava a repetir: “ Está morto. Não vê que está morto?”&lt;br /&gt;E, percebi que, tanto como o ódio, também a indiferença gera violência! Porque, nesse momento, uma raiva imensa quase me sufocou e, se tivesse podido, teria agredido, violentamente, aquele homem insensível e o motorista assassino! Sem um tremor de consciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13 de Novembro de 2011 – Domingo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia chuvoso, triste e cinzento. Acordei muito cedo para a mais maravilhosa das surpresas: A pequenina Inês, na cama comigo! Depois de um acordar algo estremunhado e do asssombro, a explosão de alegria! E numa girândola de luz, de ternura e de  delicioso sobressalto, foi a festa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, vi a estupenda entrevista com Dulce Maria Cardoso e a homenagem a quem, no rebuliço precipitado de uma revolução de cravos, se viu espoliado, sem misericórdia e dramaticamente, de tudo o que construira, a homenagem a quem, perante a indiferença deste Continente pequenino e cinzento, tudo perdeu, mas teve coragem e da fraqueza soube fazer a força, para recomeçar! Do nada! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1817228010495215156?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1817228010495215156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1817228010495215156' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1817228010495215156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1817228010495215156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/11/paginas-soltas-do-meu-diario.html' title='Páginas soltas do meu Diário'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6106544174189583965</id><published>2011-11-28T06:30:00.000-08:00</published><updated>2011-11-28T06:34:28.397-08:00</updated><title type='text'>O Fado</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Portugal é um país que canta o oceano”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li esta belíssima frase hoje. Disse-a uma americana para definir o Fado! E, talvez, esta seja  a mais bonita e completa definição do nosso Fado, agora Património Imaterial da Humanidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dolência do trinar das guitarras, a saudade, a ausência e o sentimento triste da perda que o Fado canta, talvez venha das grandes e perigosas viagens por mares nunca dantes navegados, embaladas pelo Sonho e fustigadas por tormentas desabridas, pelo medo tremendo, temperado por uma incontrolável atracção pelo Desconhecido!  &lt;br /&gt;O Fado talvez tenha nascido dessa distância marítima, do querer ser grande e dar novos mundos ao mundo, e também, do anseio de voltar a casa, o coração morto de saudade, mas quantas vezes, ficar esse desejo esmagado, perdido, nas profundezas do oceano infinito. &lt;br /&gt;Talvez tenha nascido da amargura e da desolação de um retorno impossível, pois, regressando, já ninguém encontrar na casa abandonada, em ruínas. Tendo as gentes terminado as suas viagens, talvez antes de tempo. Tendo o Tempo, implacável, devastado tudo!&lt;br /&gt;Talvez , a canção deste povo marinheiro, sedento de aventura, por esses mares além, venha daí! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fado canta a vida e o que é a vida senão uma viagem, umas vezes, bonançosa, outras vezes, acidentada, feita de encontros inesperados, de despedidas constantes, de desencontros doloridos? &lt;br /&gt;E, imersos na saudade, no vazio da ausência, na lonjura da distância, vamos fazendo a nossa viagem, vamos cumprindo o nosso fado, mesmo sem nunca o oceano atravessar.&lt;br /&gt;Talvez seja porque, afinal, haja na vida muito deste verso bem fadista: &lt;strong&gt;“Tudo isto&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;é triste, tudo isto existe, tudo isto é FADO”!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6106544174189583965?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6106544174189583965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6106544174189583965' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6106544174189583965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6106544174189583965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/11/o-fado.html' title='O Fado'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5153408580571099965</id><published>2011-11-05T16:48:00.000-07:00</published><updated>2011-11-05T16:54:38.773-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Porque hoje é Sábado - homenagem a Vinícius de Moraes'/><title type='text'>O dia da criação</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Macho e fêmea os criou.&lt;br /&gt;Gênese, 1, 27&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hoje é sábado, amanhã é domingo &lt;br /&gt;A vida vem em ondas, como o mar &lt;br /&gt;Os bondes andam em cima dos trilhos &lt;br /&gt;E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sábado, amanhã é domingo &lt;br /&gt;Não há nada como o tempo para passar &lt;br /&gt;Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo &lt;br /&gt;Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sábado, amanhã é domingo &lt;br /&gt;Amanhã não gosta de ver ninguém bem &lt;br /&gt;Hoje é que é o dia do presente &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;strong&gt; dia é sábado.&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível fugir a essa dura realidade &lt;br /&gt;Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios &lt;br /&gt;Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas &lt;br /&gt;Todos os maridos estão funcionando regularmente &lt;br /&gt;Todas as mulheres estão atentas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque hoje é sábado. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento há um casamento &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Hoje há um divórcio e um violamento &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um rico que se mata &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um incesto e uma regata &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um espetáculo de gala &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma mulher que apanha e cala &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um renovar-se de esperanças &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma profunda discordância &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um sedutor que tomba morto &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um grande espírito-de-porco &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma mulher que vira homem &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há criançinhas que não comem &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um piquenique de políticos &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um grande acréscimo de sífilis &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um ariano e uma mulata &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma tensão inusitada &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há adolescências seminuas &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um vampiro pelas ruas &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um grande aumento no consumo &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um noivo louco de ciúmes &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um garden-party na cadeia &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma impassível lua cheia &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há damas de todas as classes &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Umas difíceis, outras fáceis &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um beber e um dar sem conta &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma infeliz que vai de tonta &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um padre passeando à paisana &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um frenesi de dar banana &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há a sensação angustiante &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;De uma mulher dentro de um homem &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma comemoração fantástica &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Da primeira cirurgia plástica &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;E dando os trâmites por findos &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há a perspectiva do domingo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque hoje é sábado &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, &lt;br /&gt;ó Sexto Dia da Criação. &lt;br /&gt;De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas &lt;br /&gt;E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra &lt;br /&gt;E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra &lt;br /&gt;Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado. &lt;br /&gt;Na verdade, o homem não era necessário &lt;br /&gt;Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como &lt;br /&gt;as plantas, imovelmente e nunca saciada &lt;br /&gt;Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão. &lt;br /&gt;Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias &lt;br /&gt;Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa &lt;br /&gt;Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos &lt;br /&gt;Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas &lt;br /&gt;em queda invisível na &lt;br /&gt;terra. &lt;br /&gt;Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes &lt;br /&gt;Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia &lt;br /&gt;Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo &lt;br /&gt;Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda &lt;br /&gt;e missa de &lt;br /&gt;sétimo dia. &lt;br /&gt;Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das &lt;br /&gt;águas em núpcias &lt;br /&gt;A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio &lt;br /&gt;A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em [cópula. &lt;br /&gt;Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos &lt;br /&gt;Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas &lt;br /&gt;Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade &lt;br /&gt;Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e [sim no Sétimo &lt;br /&gt;E para não ficar com as vastas mãos abanando &lt;br /&gt;Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança &lt;br /&gt;Possivelmente, isto é, muito provavelmente &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque era sábado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinícius de Moraes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5153408580571099965?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5153408580571099965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5153408580571099965' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5153408580571099965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5153408580571099965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/11/o-dia-da-criacao.html' title='O dia da criação'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4939647143859054551</id><published>2011-10-26T08:15:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T08:41:54.744-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homenagem singela a todas as mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vítimas de violência doméstica'/><title type='text'>A Ira</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"A violência é o único refúgio dos fracos e dos incompetentes"&lt;br /&gt;Isaac Asimov&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ouviu a porta abrir, para logo se fechar com violência.  Sentiu, com um arrepio,  que ele estava, outra vez, mal disposto, zangado. O cheiro pútrido da sua ira  que, como um polvo, parecia estender os tentáculos por toda a casa, procurando-a, maligno, para a prender e oprimir, atingiu-a, ainda mesmo antes de a encontrar, como uma pedra de fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Teve medo!&lt;br /&gt;Mexeu a sopa e começou a cortar o tomate, em fatias finas, para a salada. Não se voltou quando ele entrou na cozinha, infectando, tudo em seu redor, com os miasmas pestilentos, contaminados, da  sua  ira maléfica, que ela tão bem conhecia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltou-se devagar, como em câmara lenta, a faca esquecida na mão e olhou para ele. Encolheu-se! &lt;br /&gt;Aterrorizada,  viu diante de si,  aquele homem alto, forte, com os olhos brilhantes, raiados de sangue, um olhar duro e frio, como de uma serpente, o rosto alterado e uma veia grossa, como uma corda, a latejar na testa.  Aquele homem que era  o seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem esperar pela resposta, aproximou-se dela, de um salto e esbofeteou-a! Atingiu-lhe o nariz, o sobrolho esquerdo e o lábio. O sangue jorrou! De cabeça perdida, agarrou-a pelos cabelos e bateu-lhe outra vez. Na mão, ficou-lhe um punhado de cabelo loiro, deu-lhe um empurrão brutal e ela caiu desamparada. Gritou e urinou-se quando ele lhe deu um pontapé impiedoso, nos rins!&lt;br /&gt;Ali ficou, deitada no chão, vulnerável, cheia de dores, esgotada. Como de costume, ele falou, falou, gritou, como um demónio, a  contorcer-se,  num inferno de ódio e de ira! E, como sempre foi irónico,  foi sarcástico, foi insultuoso! Foi malévolo e foi cínico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caída no chão, num repentino flashback, reviveu doze anos de agonia e de calvário! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarreciam-na aquelas frequentes e súbitas explosões de uma ira terrível, violenta, incontrolável, por pequenas coisas e, às vezes, que ela soubesse, por nada, seguidas de uma calma doentia, de uma quietação estranha que sempre a assombrara  e de intoleráveis carícias e rudes manifestações de afecto que, geralmente, acabavam em longas sessões de sexo que a enojavam, vilipendiavam e eram uma torturante violação  para o seu pobre corpo espancado!&lt;br /&gt; Mas, como ele dizia depois, com um risinho lúbrico e maligno, excitava-o, irresistivelmente, senti-la assim frágil, cansada, submetida a si, aos seus mais loucos desejos!&lt;br /&gt;Nunca ninguém a ajudara, ... nem a polícia a quem, uma vez, para nunca mais, ousara apresentar queixa.&lt;br /&gt;O agente  destacado para levantar o auto,  exigira que ela relatasse tudo, com todos os detalhes e ouvira-a, com um sorriso canalha e o olhinho lascivo que a despia.  Enfureceu-se, envergonhou-se, arrependeu-se! &lt;br /&gt;No fim, com um olhar velhaco para o colega do lado, o agente disse-lhe que veriam o que se podia fazer. &lt;br /&gt;Já em casa, sozinha, com medo de represálias e de lhe despertar, mais furiosamente, a ira,  não dormira nessa noite e  retirou a queixa no dia seguinte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, esquecidas as palavras, ele perdeu-se no silêncio frio da cozinha e aquietou-se. Ainda caída no chão, ouviu-o dizer, nessa quietação estranha, que nunca deixara de a  assombrar:&lt;br /&gt;-Levanta-te, amor! São horas de jantar. Sabes que te amo. Olha para mim! Levanta-te!&lt;br /&gt;Limpa o sangue do teu corpo! Isso não é nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com um olhar carregado de sensualidade, continuou:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estás cada vez mais bonita, perfeita e desejável! Ah! Como  és linda, macia e como eu te desejo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda, levanta-te! Limpa o sangue do teu corpo, vá! São horas de jantar. Serve a sopa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava farta daquele rosto,  agora tranquilo e doce, como o de um noivo, mas, ainda há pouco, medonho, congestionado, contorcido numa violência diabólica; tinha medo daqueles  olhos brilhantes, fixos, raiados de sangue, que pareciam expedir chispas de fogo; enojava-a aquela boca que se abria, agora, num arreganho, a imitar um sorriso e onde, não há muitos minutos, os dentes  escorriam ira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encolhida no chão, sentiu-se  suja, humilhada, corrompida pela raiva, pela loucura maldosa, pela irracionalidade daquele monstro!&lt;br /&gt;A seu lado, sob a saia, sentiu a faca.&lt;br /&gt;Levanta-te, anda! Está a fazer-se tarde para o jantar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou-se, devagar, a faca na mão, escondida nas pregas da saia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tens? Não me provoques! Tem juízo! Anda, serve a sopa! Depressa ! Tenho fome e apeteces-me, depois, amor! A minha  sobremesa predilecta és tu, sabes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vaga imensa e negra, de ódio, há tanto tempo acumulado, inundou-a e quase a submergiu, cegando-a!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma sonâmbula,  dirigiu-se a ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, o dique que continha o seu ódio,  um ódio vivo, que fora  crescendo, crescendo, fortalecendo-se e refinando-se, ao longo  do  tempo, como um vinho  especial, raro no corpo e no travo, cuidadosamente envelhecido,  esse dique que barrava a sua repulsa, a sua raiva, o seu nojo, rompeu-se fragorosamente  e, com um grito, arrancado do mais profundo das suas entranhas, do mais íntimo do seu ser, ela enterrou-lhe a faca no ventre.! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez... duas vezes... três vezes...&lt;br /&gt; ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota: Este texto foi escrito em 2009, para ilustrar a IRA, no Curso de Escrita Criativa, " As sete Virtudes e os sete Pecados Mortais", coordenado pelo Dr. Mário Claudio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4939647143859054551?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4939647143859054551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4939647143859054551' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4939647143859054551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4939647143859054551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/10/ira.html' title='A Ira'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-9136771555740217185</id><published>2011-10-13T07:47:00.001-07:00</published><updated>2011-10-14T05:21:36.967-07:00</updated><title type='text'>"Vozes" - Ana Luísa Amaral</title><content type='html'>No dia onze, deste Outubro dourado e macio, vivi um fim de tarde de delicioso encantamento, com a poesia de Ana Luísa Amaral, na apresentação do seu novo livro "Vozes". &lt;br /&gt;No Planetário, na rua das Estrelas, choveram estrelas de ouro, de luz e de cor, em forma de poemas!&lt;br /&gt;E, soaram "Vozes"! Poéticas, sublimes, poderosas, vibrantes! De beleza e de emoção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;INÊS E PEDRO: QUARENTA ANOS DEPOIS &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tarde. Inês é velha. &lt;br /&gt;Os joanetes de Pedro não o deixam caçar &lt;br /&gt;e passa o dia todo em solene toada: &lt;br /&gt;«Mulher que eu tanto amei, o javali é duro! &lt;br /&gt;Já não há javalis decentes na coutada&lt;br /&gt;e tu perdeste aquela forma ardente de temperar &lt;br /&gt;os grelhados!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto Inês nem ouve:&lt;br /&gt;não só o aparelho está mal sintonizado,&lt;br /&gt;mas também vasto é o sono&lt;br /&gt;e o tricot de palavras do marido&lt;br /&gt;escorrega-lhe, dolente, dos joelhos&lt;br /&gt;que outrora eram delícias,&lt;br /&gt;mas que agora&lt;br /&gt;uma artrose tornou tão reticentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês é velha, hélas,&lt;br /&gt;e Pedro tem caibras no tornozelo esquerdo.&lt;br /&gt;E aquela fantasia peregrina&lt;br /&gt;que o assaltava, em novo&lt;br /&gt;(quando a chama era alta e o calor&lt;br /&gt;ondeava no seu peito),&lt;br /&gt;de ver Inês em esquife,&lt;br /&gt;de ver as suas mãos beijadas por patifes&lt;br /&gt;que a haviam tão vilmente apunhalado:&lt;br /&gt;fantasia somente,&lt;br /&gt;fulgor que ele bem sabe ser doença&lt;br /&gt;de imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu desejo agora&lt;br /&gt;era um bom bife&lt;br /&gt;de javali macio&lt;br /&gt;(e ausente desse horror de derreter&lt;br /&gt;neurónios).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais sábia e precavida (sem três dentes&lt;br /&gt;da frente),&lt;br /&gt;Inês come, em sossego,&lt;br /&gt;uma papa de aveia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ANA LUÍSA AMARAL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in "Vozes", D. Quixote&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;A VERDADE HISTÓRICA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A minha filha partiu uma tigela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na cozinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que me apetecia escrever &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre o evento, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tive que pôr de lado inspiração e lápis, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pegar numa vassoura e varrer &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cozinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A cozinha varrida de tigela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficou diferente da cozinha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de tigela intacta: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;local propício a escavação e estudo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;curto mapa arqueológico &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num futuro remoto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Uma tigela de louça branca &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com flores, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;restos de cereais tratados &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em embalagem estanque &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;espalhados pelo chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Não eram grãos de trigo de Pompeia, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas eram respeitosos cereais &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualquer forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tigela, mesmo não sendo da dinastia Ming, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas das Caldas, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daqui a cinco ou dez mil anos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devia ter estatuto admirativo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Mas a hecatombe &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deu-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E escorregada de pequeninas mãos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficou esquecida de famas e proveitos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;varrida de vassouras e memorias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Por mísero e cruel balde de lixo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;azul &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em plástico moderno &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(indestrutível) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ANA LUÍSA AMARAL,&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Minha Senhora de Quê", Quetzal  Editores, Lisboa, 1999&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RITMOS &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E descascar ervilhas ao ritmo de um verso: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a prosódia da mão, a ervilha dançando &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em redondilha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturar ritmos em teia apertada: um vira &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bem marcado pelo jazz, pas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de deux: eu, ervilha e mais ninguém &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando o salto: disco sound &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o vazio pós-moderno e sem sentido &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! hedónica ervilha tão sozinha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;debaixo do fogão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As irmãs recuperadas ainda em anos 20 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o prazer da partilha: cebola, azeite &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;blues desconcertantes, metamorfose em &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;refogados rítmicos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Debaixo do fogão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só o silêncio frio) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ANA LUÍSA AMARAL, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Minha Senhora de Quê", Quetzal  Editores, Lisboa, 1999 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;  &lt;br /&gt;TESTAMENTO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou partir de avião &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o medo das alturas misturado comigo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faz-me tomar calmantes &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ter sonhos confusos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Se eu morrer &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero que a minha filha não se esqueça de mim &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e que lhe ofereçam fantasia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais que um horário certo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou uma cama bem feita &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Dêem-lhe amor e ver &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dentro das coisas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sonhar com sóis azuis e céus brilhantes &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em vez de lhe ensinarem contas de somar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a descascar batatas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Preparem a minha filha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para a vida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu morrer de avião &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ficar despegada do meu corpo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e for átomo livre lá no céu &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Que se lembre de mim &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha filha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e mais tarde que diga à sua filha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que eu voei lá no céu &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fui contentamento deslumbrado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao ver na sua casa as contas de somar erradas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e as batatas no saco esquecidas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e íntegras &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;ANA LUÍSA AMARAL, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Minha Senhora de Quê", Quetzal  Editores, Lisboa, 1999&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;MINHA SENHORA DE QUÊ&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dona de quê &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se na paisagem onde se projectam &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pequenas asas         deslumbrantes folhas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem eu me projectei &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;se os versos apressados &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me nascem sempre urgentes: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trabalhos de permeio            refeições &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;doendo a consciência inusitada &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;dona de mim nem sou &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se sintaxes trocadas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mais das vezes nem minha intenção &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se sentidos diversos           ocultados &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem do oculto nascem &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(poética do Hades quem mdera!) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Dona de nada            senhora nem &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de mim: imitações de medo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os meus infernos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ANA LUÍSA AMARAL, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Minha Senhora de Quê", Quetzal  Editores, Lisboa, 1999&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;strong&gt;&lt;br /&gt; DESCULPA-ME A TERNURA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enternece-me pensar que estás aí, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não força de trabalho desigual &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem vida à pressa, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas minha amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Talvez as palavras que te digo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me transpareçam classe, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez nem te devesse dizer nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque és a mão que ampara o meu silêncio, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha filha, o meu cansaço &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—     à custa do teu cansaço, da tua filha, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do teu silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há homens-a-dias neste mundo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas tantas como tu, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a segurar nas mãos e no sorriso &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algumas como eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Entraste há pouco a perguntar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu tinha febre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— a louça por lavar nas tuas mãos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aspirando o cansaço dos meus ombros, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos teus ombros o cansaço de mim &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o cansaço de ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Desculpa os meus silêncios, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o falar-me contigo como com mais ninguém, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desculpa o tom sem pressa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— e o meu dinheiro que não chega a nada, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comprando o teu trabalho &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o teu sorriso) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;ANA LUÍSA AMARAL,&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Às Vezes o Paraíso",  (2ª edição), Quetzal  Editores, Lisboa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-9136771555740217185?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/9136771555740217185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=9136771555740217185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/9136771555740217185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/9136771555740217185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/10/vozes-ana-luisa-amaral.html' title='&quot;Vozes&quot; - Ana Luísa Amaral'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5539592312546449341</id><published>2011-10-09T08:41:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T08:44:52.506-07:00</updated><title type='text'>Pascal e eu...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"Le coeur a ses raisons que la raison ne connait pas!"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-me com Pascal, não ao virar de uma esquina, mas ao voltar a página de um livro, onde li a frase que me alvoroçou, na adolescência. Com um sorriso enigmático, Pascal perguntou-me o que pensava deste seu pensamento e desapareceu. &lt;br /&gt;Fiquei perplexa porque, francamente, nunca pensei muito nas razões do coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, creio que, se alguém se apaixona tão loucamente que o coração desconhece e descura a razão, esse alguém pode ser levado a ultrapassar limites, a desdenhar princípios e a rejeitar valores. Viverá, num desassossego, o assombro de  uma paixão dominadora, impetuosa, cega que  poderá, no entanto, justificar uma vida. Viverá uma paixão ardente, talvez doentia, terna mas colérica, pura mas libidinosa, lírica, mas trágica. Súbita e arrasadora! E, por tudo isso, perigosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma paixão, assim, é destrutiva. Destruíu António e Cleópatra, enlouqueceu Mariana de Alcoforado, levou Anna Karenina ao suicídio e transformou Otelo, um homem íntegro e justo, num assassino enraivecido, sem misericórdia.&lt;br /&gt;A paixão é poderosa, mas  cruel, contraditória. Ignora a razão e perde-se em tenebrosos labirintos de emoções irresistíveis, fortes, soltas, desgrenhadas. Mortais!&lt;br /&gt;Qual fogueira alta e fulgurante, assim como arde esplendorosa e magnífica, também rapidamente se apaga e se desvanece, deixando um rasto de imensa tristeza, dolorosa frustração e inconsolável desapontamento, num amontoado de “ pó, cinzas e nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, extinta uma paixão, outras paixões nascem, igualmente fogosas, imprudentes, brilhantes!  Pois, se é verdade, que a estrela que se esconde no nosso coração e nos guia, nunca empalidece, nem mesmo quando o corpo evidencia já sinais de decadência, também não é menos verdade, que este companheiro precioso que nos mantém vivos, nunca envelhece e conserva, ao longo da vida, o mesmo ímpeto, a mesma ousadia, a mesma irreverência, a mesma paixão da juventude. E, é esse ardor, essa rejeição do razoável, essa necessidade inesgotável de viver num estado permanente e caótico de paixão,  que pode ser e talvez seja, perigoso! Não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi Florbela Espanca, a nossa poetisa da mágoa amorosa e tresloucada, que escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Eu quero amar, amar perdidamente!&lt;br /&gt;Amar só por amar: aqui... além...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem disser que se pode amar alguém&lt;br /&gt;Durante a vida inteira é porque mente!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que o amor não tem explicação e não tem, propriamente, razão de ser! Acontece! Somos atraídos para o outro porque... sim! Inexplicavelmente! De repente, no voltar de uma cabeça, as almas a reconhecem-se, sei lá de onde, dois olhares a cruzam-se e dissolvem-se na mesma luz, dois sorrisos de dentes brancos, como pedrinhas de sal,  fundem-se  no espanto ansioso de um reencontro há muito esperado e o coração  dispara! E  bate muito,  bate forte, cheio de alegria e de esperança! Num encantamento mágico,  puro, como se fosse um coração de criança!&lt;br /&gt;Se essa atracção, forte e irresistível, perdura e se transforma num sentimento  profundo, feito de ternura, de entrega  e de verdade, será amor! E, é esse amor verdadeiro, intenso, único, que talvez nunca morra. Mesmo no caso de uma separação. Imposta pela morte ou... pela vida! Pelas imposições tortuosas, difíceis da vida! Porque um amor assim contém, em si, a centelha da eternidade! Adormece na tristeza da solidão e ali fica a um canto, aparentemente morto, fogueira apagada, desfeita em cinza. Aparentemente esquecido e frio!  Porém, bem lá bem no fundo do mar estagnado de cinzas, permanece um braseiro, numa dormência silenciosa e quieta, mas vivo, constante, que a brisa mais suave de uma manhã de primavera, ou a rajada mais forte e inesperada de uma noite de vento, reacende e a chama escondida, mas latente, cresce exultante, brilha e resplandece de novo. Viva, infatigável, renascida , urgente. E nesse reacendimento, que a razão talvez não explique, está uma  parte de nós, faúlha de luz que nos completa, pedaço de alma que nos liga à infinitude do Universo. Sei lá... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio, porém,  que não estamos todos destinados a viver a exaltação tumultuosa de uma paixão avassaladora, como Tristão e Isolda! Também não é qualquer um de nós que terá coragem para carregar a pesada cruz de um amor fundo, verdadeiro, braseiro vivo e  eterno, mas forçado a trilhar caminhos paralelos,  como Abelardo e Heloísa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos amores são, no geral, como nós: humanos! Acomodados, comezinhos, friáveis, sem chama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda bem que Pascal desapareceu, repousa sossegado e não lê o que acabei de escrever sobre um dos seus mais conhecidos pensamentos...&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5539592312546449341?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5539592312546449341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5539592312546449341' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5539592312546449341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5539592312546449341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/10/pascal-e-eu.html' title='Pascal e eu...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2382551621264806239</id><published>2011-09-22T04:14:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T04:44:50.402-07:00</updated><title type='text'>Amanheceste em mim pelo poente</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Hoje é o aniversário do meu querido Amigo Zé Custódio, um Poeta que admiro!&lt;br /&gt;Com muita Amizade e um abraço de parabéns, aqui ficam dois belíssimos poemas seus.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceste em mim pelo poente&lt;br /&gt;Um fim de tarde azul e sorridente&lt;br /&gt;Rosa e jasmim sem tempo era novembro&lt;br /&gt;O caminho sorria-me por dentro&lt;br /&gt;Rumei com os teus passos no meu peito&lt;br /&gt;Amor e riso de silêncio feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maio chegou cresceu fez-se gigante&lt;br /&gt;A flor desabrochou e foi ternura&lt;br /&gt;Roxos lírios belos girassóis &lt;br /&gt;Infinitos os sonhos terna amante&lt;br /&gt;Abriram mares de luz em terra pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da vida gesto abraço beijo mosto&lt;br /&gt;Aurora boreal e dom de agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colhemos horizontes céus fagueiros&lt;br /&gt;O mar veio oferecer-nos loira areia &lt;br /&gt;Sempre que os nossos olhos se tocaram&lt;br /&gt;Tendo por fundo apenas o luar &lt;br /&gt;A vida e o futuro a conquistar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as searas sorriram sóis e luas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimentos jardins loiras espigas&lt;br /&gt;Infinitos efémeros nuvens nuas&lt;br /&gt;Ligando estrelas girassóis e lírios.&lt;br /&gt;Vesperal é o canto do amor&lt;br /&gt;Amanhecido em nós feito flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Custódio Almeida da Silva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;In "Amanheceste em mim pelo poente"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar o verbo amar é demasia&lt;br /&gt;Basta amar quanto baste&lt;br /&gt;A vida, o mar e a maresia&lt;br /&gt;As estrelas, o céu e a imensidão&lt;br /&gt;Amar o Homem na sua exactidão&lt;br /&gt;Nos gestos menores&lt;br /&gt;Do dia-a-dia&lt;br /&gt;Na sua breve alegria fugidia&lt;br /&gt;No seu longo penar&lt;br /&gt;De lenta agonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar o verbo amar é demasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Custódio Almeida da Silva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;In "Amanheceste em mim pelo poente"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2382551621264806239?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2382551621264806239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2382551621264806239' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2382551621264806239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2382551621264806239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/09/amanheceste-em-mim-pelo-poente.html' title='Amanheceste em mim pelo poente'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8466208551553250624</id><published>2011-09-05T04:18:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T06:53:47.997-07:00</updated><title type='text'>Clarice Lispector e eu</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice Lispector&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contaram-me que nasci com morte aparente. Foram muito longos os minutos de reanimação e de angústia, até que eu respirasse, sôfrega, a vida!&lt;br /&gt;Contaram-me que, depois de tanto tempo, quando aquele corpinho cinzento e flácido,  irrompeu num choro ainda tímido e meio engasgado e ter adquirido uma cor rosada, natural, minha Mãe, lavada em lágrimas, disse que eu devia ter uma missão especial para cumprir.&lt;br /&gt;Logo no primeiro instante, lutei desesperadamente contra a morte e agarrei-me, com coragem e força, à vida! E, comecei por ganhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tinha uma missão especial, para cumprir, não sei, não dei por nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Clarice Lispector, sou composta por urgências. Todos somos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se todas as minhas alegrias são intensas.  Mas vivo-as todas com o entusiasmo e o encantamento, de uma criança a brincar, deliciada, na terra e a sujar-se, despreocupada e feliz, no jardim!&lt;br /&gt;As minhas tristezas, sim, são sempre intensas, profundas. Por isso doem! Tanto!&lt;br /&gt;Excessos? Não me lembro de excessos mas, às vezes, sei que sou excessiva. Sobretudo no desapontamento, na mágoa! Contudo, se tive excessos, o tempo desvaneceu-os! O tempo levou-os! Como desvanece tudo! Como leva tudo!&lt;br /&gt;Raquel de Queiroz escreveu uma frase que li há muito tempo e que nunca esqueci: “As estrelas são grãos de luz e nós, seres mortais, grãos de poeira que um dia o vento, levará consigo.” O vento e o tempo, quando for tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Clarice, também não caibo na estreiteza do preconceito, da crueldade avulsa, da maldadezinha canalha, da intolerância criminosa, da maledicência matreira, que destrói reputações e vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida vai-se contando pelo que se ganha e pelo que se perde.&lt;br /&gt;Como Clarice, olho para trás e também eu vejo abrir-se, diante de mim, um vasto campo de ausências. Dolorosas! Algumas, tão profundamente sentidas, que nunca lhes disse adeus.  Apesar da ausência, nunca as admiti como ausências! Ainda espero que regressem! Um dia...&lt;br /&gt;Por isso, há despedidas que não fiz. Porque não se diz adeus quando o laço visceral feito de sangue e de amor, permanece intacto! Porque não se diz adeus quando o rasto da sua luz ainda é o caminho que percorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um caminho a subir, aqui e ali difícil, sinuoso, íngreme e às vezes, tempestivo. Tropecei, escorreguei, esfolei o coração, como,  quando criança travessa esfoleava os joelhos, e vi esfacelarem-se no chão alguns dos meus sonhos, algumas das minhas crenças, algumas das minhas esperanças e ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve dias sombrios, de vendaval à solta, de chuva violenta. Mas, mesmo incerta e temerosa, segui sempre em frente! Não há luz, sem que haja sombra! É a noite da vida! A noite, a escuridão que também somos. Que eu sou! &lt;br /&gt;Mas a vida tem sido boa, generosa e muitos, tantos, têm sido os dias inundados de sol, de riso, do calorzinho aquietante e doce dos beijos, dos abraços macios, das palavras ternas! É o dia da vida! É  o dia, a luz que somos. Que eu sou!&lt;br /&gt;E, talvez devido à generosidade, à bondade, à imensa doçura que recheiam a minha vida, mesmo nos pedaços mais tortuosos e mais escuros do meu percurso, encontrei sempre uma árvore forte e frondosa para me amparar, vi florescerem rosas e o ar rescendeu, sempre,  a pão, a tomilho e a alecrim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi, aprendemos todos que a Felicidade não é permanente! A Felicidade está nas pequenas coisas. Pode estar, simplesmente, nuns minutos, numa hora, num dia, plenamente, radiosamente, vividos; pode estar no arroubo de um amor, julgado perdido; no instante fugaz mas perfeito de dois olhares que se cruzam e se dissolvem na mesma luz; na esfuziante alegria de um reencontro, há muito tempo adiado; numa notícia boa, ansiosamente esperada; num abraço apertado, tão desejado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca cedi facilmente! Lutei para viver, desde o primeiro instante e vivo apaixonadamente  cada um dos meus dias. Amo desmesuradamente, as duas mais belas e mais preciosas dádivas que me foram concedidas: as minhas filhas! E agradeço tudo o que me foi dado construir! Mas, não posso dizer, como Clarice, que só vivi, só vivo nos extremos. Ou talvez tenha sido, mesmo, nos extremos que tenho vivido, sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se escrevi tudo isto porque a Clarice Lispector se atravessou, outra vez e de repente, no meu caminho, ou se escrevinhei estas linhas porque, simplesmente, hoje é o dia dos meus anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8466208551553250624?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8466208551553250624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8466208551553250624' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8466208551553250624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8466208551553250624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/09/clarice-lispector-e-eu.html' title='Clarice Lispector e eu'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6475528323755035327</id><published>2011-08-28T10:08:00.000-07:00</published><updated>2011-08-28T10:35:42.932-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pedaços de um conto'/><title type='text'>Uma paixão revisitada...</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Se uma brisa suave, se agitar à tua volta, tactear a tua pele e despentear o teu cabelo, não te assustes. É a minha saudade a beijar a tua alma e a acariciar o teu corpo...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Ele &lt;/strong&gt;                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha-a visto hoje! Pela segunda vez, em onze anos, tinha-a visto, esta manhã! Ela saía da carrinha Volvo que conduzia, bonita, elegante, flexível, como a recordava! Mais mulher, talvez! Mas, também mais atraente!&lt;br /&gt;Ela não o vira. Melhor assim! O coração dele disparara, num turbilhão de doidas emoções, como se uma rajada de vento o tivesse atingido brutalmente e as mãos, trémulas e suadas, atrapalharam-se, como se, de repente,  não soubessem o que fazer com o volante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca a tinha esquecido,  a imagem dela tinha permanecido gravada, no mais íntimo de si e essa secreta permanência dela, junto dele, dera-lhe sempre um certo conforto!&lt;br /&gt;Tinha viajado muito mas, para onde quer que as suas atribulações o tivessem arrastado, ela estivera lá, no mais profundo de si e, por isso,  nunca se sentira, totalmente sozinho. Porque, ... &lt;strong&gt;“ se a imagem do ser amado continuar viva no nosso coração, o mundo inteiro é a nossa casa.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estranho, pensou mas, nunca tinham sido namorados! Mas, tinham-se amado! Ele amara-a! Muito!&lt;br /&gt;Ela era uma menina azougada, cheia de carácter e de energia e ele tivera de crescer muito depressa e aprender, antes de tempo, que a vida é feita de penosas cedências e de dolorosas opções! E, ele cedera! E optara! Talvez, aparentemente,  pelo mais fácil, pelo mais agradável, pelo mais conveniente! Pelo que, mais tarde, o pudesse realizar plenamente, e fazer feliz, como homem, seguramente, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recostou-se, mais fundamente,  no sofá e recordou  o momento em que o amigo de sempre lhe telefonou a dizer que ela tinha acabado de ter um acidente.&lt;br /&gt;O dia ensolarado e luminoso tornou-se, então, subitamente sombrio, o coração bateu desorientado, como se tocasse a rebate, as pernas tremeram, de repente velhas e fracas e, em minutos, estava ao lado dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu-a sã e salva, o cabelo encharcado, ainda a tremer, como um gatinho assustado e perdido no jardim, em dia de chuva violenta e, lembrava-se bem, sorriu feliz! O dia, então,  clareou, o sol cobriu de ouro, tudo em redor, e o peso na alma dissolveu-se, como um pedaço de gelo, em água quente.&lt;br /&gt;Abraçou-a e respirou fundo! De alívio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a vida dele tinha ficado num caos: o relacionamento dos pais quase em ruptura e as empresas de família, em queda vertiginosa, devido à cabeça doida do pai, com mulheres e jogo! A aflição e o desgosto da mãe era mais do que podia suportar!&lt;br /&gt;Interrompeu o curso que nunca mais terminou, e deitou mãos a uma das empresas, com a ajuda do pai da, agora, sua mulher que, entretanto, decidira que ele seria seu marido, custasse o que custasse e a quem ele se submeteu, para poder suportar a casa, ajudar a mãe e permitir que as duas irmãs mais novas continuassem a estudar! Sem dificuldades!&lt;br /&gt;Como se nada tivesse acontecido e a vida, sem um balanço, sem um tropeço, continuasse serena e deslizante, como um belo passeio, à beira- mar, em tarde amena, de verão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noivado e os preparativos para o casamento, passaram por ele, como um sonho, de que ele parecia não fazer parte!&lt;br /&gt;Quando, enfim, acordou daquele sonho estranho e inquieto,  daquele amontoado de cenas confusas, daquele pesadelo delirante, estava casado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendi-me, fui um fraco e, no fundo, todos os que diziam que me amavam, quiseram que me vendesse, em seu próprio benefício, pensou com amargura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele casou no Verão. No início desse ano ... mandou-lhe entregar, no escritório, duas dúzias de rosas chá! Sem cartão! Não era preciso! Ela sabia...!&lt;br /&gt;Um mês depois, no dia dos Namorados, um dia que, afinal, não era deles, mandou-lhe, também e ainda assim, um precioso ramo de rosas, agora, vermelhas! Sem cartão! Não era preciso! Ela sabia...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nunca lhe falou das rosas. Ela nunca lhas agradeceu! Não era preciso! Eles sabiam...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, pouco antes do casamento, encontraram-se numa estação de serviço, na auto-estrada.&lt;br /&gt;Era uma estação prosaica, feia e triste. Um local de passagem, vazio, sem significado, mas que, a partir desse dia, passou a detestar!&lt;br /&gt;Ali, afundado no sofá, lembrou-se, com angústia, da sensação de desamparo e de perda, quando a viu, do tornado violento de paixão e de mágoa que se apossou dele e fez desaparecer tudo, num louco rodopio, numa rajada de vento que a deixou, só a ela, à sua frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E abraçou-a! Apertou-a  nos braços e aspirou, pela última vez, o perfume da pele dela! Com o coração desfeito, com a  vida em farrapos, perdido num túnel frio, escuro, sem retorno e sem saída!&lt;br /&gt;Separaram-se e, hoje, em onze anos, era a segunda vez que a via! Tentou respirar fundo, para aliviar a opressão que parecia esmagar-lhe o peito!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E, compreendeu, que o seu amor por ela, continuava vivo e infatigável, sempre renascido, como um braseiro que se reacende, vibrante, com uma rajada de vento!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esfregou os olhos e, numa urgência, quis, plasmado em si, o aroma suave dela, dos cabelos revoltos dela, quis, desesperadamente, sentir o toque macio de pele dela, na sua, de mergulhar o olhar dele, turbulento e impaciente, no oceano azul, puro e sereno dos olhos dela!&lt;br /&gt;Então, como a árvore que, sempre que chove, chora, também ele, porque a vira tão perto e a soube tão longe,  como a árvore, fustigada pela chuva, chorou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6475528323755035327?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6475528323755035327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6475528323755035327' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6475528323755035327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6475528323755035327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/08/uma-paixao-revisitada.html' title='Uma paixão revisitada...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4928556276841205858</id><published>2011-08-25T05:00:00.001-07:00</published><updated>2011-08-26T08:43:00.769-07:00</updated><title type='text'>Alexandre O`Neill</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;No dia 21 de Agosto, há vinte cinco anos, morreu Alexandre O`Neill, um nome grande da nossa Poesia. E não só!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O`Neill escreveu Poesia, Prosa, fez traduções, Antologias de outros poetas e, não conseguindo viver só da sua arte, alargou a sua acção à publicidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É da sua autoria o famoso lema publicitário, "Há mar e mar, há ir e voltar.", por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com uns dias de atraso, é certo, aqui lhe deixo uma pequena homenagem, com este belíssimo poema de amor:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há palavras que nos beijam&lt;br /&gt;Como se tivessem boca,&lt;br /&gt;Palavras de amor, de esperança,&lt;br /&gt;De imenso amor, de esperança louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras nuas que beijas&lt;br /&gt;Quando a noite perde o rosto,&lt;br /&gt;Palavras que se recusam&lt;br /&gt;Aos muros do teu desgosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente coloridas&lt;br /&gt;Entre palavras sem cor,&lt;br /&gt;Esperadas, inesperadas&lt;br /&gt;Como a poesia ou o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O nome de quem se ama&lt;br /&gt;Letra a letra revelado&lt;br /&gt;No mármore distraído,&lt;br /&gt;No papel abandonado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que nos transportam&lt;br /&gt;Aonde a noite é mais forte,&lt;br /&gt;Ao silêncio dos amantes&lt;br /&gt;Abraçados contra a morte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alexandre O`Neill&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MC&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4928556276841205858?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4928556276841205858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4928556276841205858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4928556276841205858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4928556276841205858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/08/alexandre-oneill.html' title='Alexandre O`Neill'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2411383447280580757</id><published>2011-08-04T07:42:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T05:06:48.121-07:00</updated><title type='text'>O tempo e a vida</title><content type='html'>Vinícius de Moraes escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, humildemente, escrevo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a poeira do tempo, que passa infatigável, a cal branca e áspera dos meus dias, o cimento amassado com o meu riso e as minhas lágrimas, com a minha alegria e o meu cansaço, eu vou edificando a minha vida. Num prado de luz e de sombra, onde florescem rosas e nascem cardos. Onde o vento sopra ora brando, numa carícia, ora tumultuoso, num desatino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2411383447280580757?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2411383447280580757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2411383447280580757' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2411383447280580757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2411383447280580757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/08/o-tempo-e-vida.html' title='O tempo e a vida'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4612974692214036268</id><published>2011-07-25T06:18:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T04:19:24.003-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pedaços de recordações e de vida...'/><title type='text'>Para a Xica com amor...</title><content type='html'>Embora, na minha vida, seja apenas uma doce e indelével referência, a Xica, uma pequena e graciosa macaca, é, também, um dos mais belos e comoventes motivos da tela, onde vou registando, com tinta de luz ou de sombra, cada um dos meus dias! &lt;br /&gt;Contudo, a tela a que a Xica realmente pertenceu e onde deixou gravada a marca da sua infinita dedicação, em pinceladas de amor, alegria e doçura, é outra, há muito tempo, impiedosamente, interrompida!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;São outros, os animais queridos que fizeram e fazem parte da minha vida e, quando eu tiver cumprido a minha missão, e depositar, aos pés de Deus, a tela que, na urdidura dos dias, laboriosamente pintei, muitos serão os motivos coloridos, luminosos e macios que todos eles, ali terão deixado gravados, num esplendor de encanto, de dedicação e de ternura!&lt;br /&gt;E, eles contribuirão, com a beleza pura do seu recorte, para a redenção de todos os pedaços negros, pantanosos, medonhos, dos meus desencontros comigo mesma, dos gritos mudos dos meus terrores, dos momentos amargos do meu desespero, das horas pungentes do meu cansaço!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nasci em África. Uma África, então pacífica, bordada de mar, enfeitada de cores alegres e cintilantes, envolta em sol, rescendente de cheiros doces e fortes, num arrebatamento de pura beleza e de imensidão!&lt;br /&gt;Nesse tempo, faziam-se, ao fim de semana, longos e deliciosos piqueniques, mato adentro, alegres pretextos para convívios de familiares e de amigos.&lt;br /&gt;Num desses piqueniques, na Anha, ainda eu não era nascida, a minha Mãe viu e nunca mais perdeu de vista, o que ela pensou ser um macaco, ainda pequeno, solitário, meio escondido, fugidio, mas curioso e a seguir, interessado mas, à distância, a divertida reunião.&lt;br /&gt;A certa altura, uns olhos grandes, escuros e redondos como contas, cruzaram-se com os olhos claros da minha Mãe. Olharam-se, mediram-se, entenderam-se e começou, então, um silencioso jogo de sedução e conquista.&lt;br /&gt;Vencido o receio, uma mãozinha esguia, escura e felpuda, perdeu-se, confiante, numa outra, branca e fina que a acolheu ternamente. Ao cair da tarde, no regresso a casa, a pequena macaca, (afinal era uma menina ), que, decerto, se perdera do bando, já tinha um lar, uma família e um nome: Xica! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uns dois anos mais tarde, nasci eu e lembro-me de, anos mais tarde, já crescida e a esbracejar aflita, num mar alteroso de tristeza e de saudade,  ver fotografias, aquelas fotografias antigas, a preto e branco, com uma pequena margem branca, recortada, onde a minha Mãe sorria e a Xica, os olhos grandes, escuros e redondos, como contas e a boca rasgada num pretenso "sorriso" de dentes brancos, se sentava no seu ombro esquerdo e lhe abraçava o pescoço alto e fino, com a mãozinha esguia, escura e felpuda; noutras, as duas, de mãos dadas, olhavam, divertidas, uma para a outra, numa afectuosa cumplicidade; em algumas, já eu aparecia, risonha, ao colo de minha Mãe, enquanto, a Xica, no chão, agarrada à sua saia, olhava atenta e enternecida, quero crer, mas não tenho a certeza, para o bebé loiro e risonho que eu era.&lt;br /&gt;Lembro-me, especialmente,  de uma fotografia onde a Xica e a criança que fui,  se sentavam, lado a lado,  numa esteira. Convencida que era a menina mais bonita da minha rua, eu fixava, em pose, o fotógrafo que era, certamente, o meu pai, enquanto a Xica, com a mãozinha esguia, escura e felpuda pousada, no meu braço, se inclinava, para mim, como se me estivesse a contar um segredo divertido ou, se preparasse para me dar um beijo.&lt;br /&gt;Mas, a fotografia de que eu sempre mais gostei, era aquela onde eu me aninhava, pequenina, nos braços macios de minha Mãe que sorria, com a Xica, empoleirada no seu ombro, a abraçar-lhe o pescoço alto e fino, ao mesmo tempo que, com o seu peculiar e rasgado "sorriso" de dentes brancos, transbordante de alegria, olhava, muito vaidosa, para o fotógrafo, com os olhos grandes, escuros e redondos como contas, a brilharem como estrelas! &lt;br /&gt;Ainda que inconscientemente,  sempre pressenti que, naquela fotografia, tinha ficado, para sempre registado, um desses raros e mágicos momentos, de suprema Felicidade que a vida, às vezes, generosamente, nos concede!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando eu tinha dois anos, a minha Mãe adoeceu gravemente e viajámos, à pressa,  para o Continente, na vã esperança de a salvar...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Xica e a Pequenina, a cadela enorme que, de pequenina só tinha o nome, lá ficaram,em África, entregues aos cuidados dos meus tios.&lt;br /&gt;A Pequenina deixou de comer uns dias, sentiu, profundamente, a falta dos donos mas, recuperou. O instinto primário de conservação da vida foi mais forte do que o desamparo da ausência, do que a agonia da saudade! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Xica, a macaquinha meio-selvagem, encontrada sozinha no mato, não!&lt;br /&gt;Deixou-se ficar, teimosamente, sentada num recanto do jardim, com os olhos grandes, escuros e redondos como contas, à espera de minha Mãe. &lt;br /&gt;Nunca mais comeu, nunca mais quis brincar, recusou, furiosa, sentar-se no ombro da minha tia e nunca mais saiu do recanto onde seria mais provável ver chegar, enfim, a luz que lhe iluminava a vida. Foi ficando cada dia mais débil, os olhos, sem expressão, cada vez maiores e mais redondos, criando entre ela e o mundo que não era o seu mundo, uma distância intransponível!&lt;br /&gt;Uma manhã, dias depois, os meus tios encontraram a Xica estendida, imóvel, as mãozinhas esguias, escuras e felpudas, abertas num pungente abandono, o olhar vazio, transfixo. Tinha morrido!&lt;br /&gt;A minha Mãe, que faleceu meses depois, nunca soube que a Xica, a macaquita indefesa que resgatara do mato, resgatando-a, assim, da fome, da solidão e do perigo, tinha desistido de viver, mergulhada na tristeza da sua falta, esgotada pela angustiante expectativa de a voltar a ver e abraçar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;... A Xica desistiu e deixou-se morrer, presa numa dolorosa teia de amargura e afundada no desespero de uma infinita saudade!&lt;br /&gt;A Xica amou a minha Mãe, numa entrega total, sem limites! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Às vezes, nas minhas noites de insónia, como esta, imagino-as juntas, num jardim imenso, luminoso e perfumado: a minha Mãe sorrindo e a Xica, os olhos grandes, escuros e redondos como contas, para sempre feliz, sentada no seu ombro esquerdo, enquanto a abraça, amorosamente, coma mãozinha esguia, escura e felpuda, como na velha fotografia , a preto e branco, com uma pequena margem branca, recortada,  mas onde, incompleta, ainda permanecem  vazios, os braços de minha Mãe!  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nota: Sendo mães extremosas, só é possível tirar a cria a uma macaca, matando-a! Imagino hoje, como a minha Mãe deve ter sentido então, o desespero da mãe da Xica e dela própria, quando, desgraçadamente, se perderam uma da outra!&lt;br /&gt;Mas, só assim, a Xica pôde ser uma benção de dedicação, de ternura e de alegria na nossa família, especialmente, para com a senhora de olhos claros, a quem dedicou, amorosamente, inteiramente, a sua vida!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4612974692214036268?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4612974692214036268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4612974692214036268' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4612974692214036268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4612974692214036268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/07/para-xica-com-amor.html' title='Para a Xica com amor...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8616410174756534530</id><published>2011-07-05T07:01:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T01:48:38.743-07:00</updated><title type='text'>Até logo, Mãe!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gustavo devia estar mesmo a chegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lhe apetecia ir ver a mãe. Queria sair, respirar fundo o ar frio da rua e receber, alegremente e de de braços abertos, o Novo Ano!.&lt;br /&gt;Hesitou à porta. Aquele quadro de sombria quietude e profundo silêncio, incomodava-a e deprimia-a.  Contudo, um súbito tremor de consciência, levou-a a entrar devagarinho, no quarto, a seda do  vestido  a roçagar mansamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe, pequeno vulto mal perceptível, sob as roupas da cama, olhou-a fixamente, os olhos grandes e escuros, brilhantes de febre ou, talvez, de lágrimas.&lt;br /&gt;Ana sentiu uma forte opressão no peito, como se uma presença poderosa  dominasse, invisível e destruidora, tudo no quarto e acentuasse, malévola,  o cheiro insidioso e fétido  de decadência e de uma incipiente podridão.&lt;br /&gt;Meio-agoniada, levou, num gesto brusco, a mão perfumada ao nariz e a jarra esguia,  pousada na mesinha de cabeceira, virou-se, a rosa vermelha que a senhora Irene lá pusera nessa manhã, caiu,  algumas pétalas soltaram-se e a água  ainda  a gotejar, ía tornando maior a pocinha cristalina que se formara no chão.&lt;br /&gt;Ana assustou-se, estremeceu e, num arrepio, recuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“ Até logo, Mãe!”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sem tocar ou beijar o rosto branco e esquálido, ligeiramente virado para ela, Ana saiu do quarto, quase a correr, porque a angustiava aquela obscuridade pesada, o cheiro, estranho e enjoativo a dissolução e, sobretudo, porque não podia suportar a fixidez  daqueles olhos grandes, escuros, misteriosos que lhe atravessavam a alma, como uma súplica, como uma despedida  ou... como uma acusação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, porque já estava de saída, Ana não viu o movimento ténue, muito ténue da mão descarnada da mãe, como que a querer tocá-la ou prender-lhe o vestido, nem viu os seus lábios tentarem, ansiosos, dizer o nome dela, nem viu as duas lágrimas grandes, grossas, como punhos, que escorreram daqueles  olhos grandes e escuros e se perderam na almofada, num desolado abandono !&lt;br /&gt;Ana também não a viu  abrir a boca, no desesperado espasmo da falta de ar, nem ouviu o seu leve estertor,  tão leve, como um adejar de pássaro aflito, nem viu o pânico  estampado no rosto desfigurado da mãe ao  enfrentar, na mais profunda solidão, o supremo mistério da morte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOTA: Excerto de um conto, onde pontifica a tragédia do egoísmo  .&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8616410174756534530?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8616410174756534530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8616410174756534530' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8616410174756534530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8616410174756534530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/07/ate-logo-mae.html' title='Até logo, Mãe!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-3756809757125255476</id><published>2011-06-29T07:13:00.000-07:00</published><updated>2011-06-30T11:08:41.514-07:00</updated><title type='text'>Que parem os relógios, cale o telefone, ...</title><content type='html'>Diz-se que as pessoas nascidas sob o signo do Sol são bonitas, talentosas, estuantes de encanto e de alegria. São pessoas vibrantes, amadas por multidões e que brilham intensamente, com luz própria, como a Estrela que os rege! A sua passagem por este mundo é, porém, fugaz! Talvez porque os caminhos tortuosos, poeirentos, sombrios que nos são dados percorrer não suportem a sua intensa vibração e a sua luminosidade! Esplendorosa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua partida é, geralmente, súbita, inesperada e deixa, naqueles que os rodeiam, os amam e os admiram, um desolado vazio, um doloroso espanto, uma saudade aturdida, que o rasto cristalino da sua luz ameniza e consola.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resplandecem, certamente, noutras paragens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro, naturalmente aqui, o Angélico que nos deixou ontem, o Carlos Paião, o Francisco Adam, o Feher, mas também todos os jovens bonitos e promissores cujos sonhos a morte interrompeu estupidamente, impiedosamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas destas estrelas fugazes tornam-se mitos. Estou a lembrar-me de James Dean, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+ + + + + + + + + + + + + + + + +&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BLUES FÚNEBRES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Que parem os relógios, cale o telefone,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;jogue-se ao cão um osso e ele não ladre mais,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;que emudeça o piano e o tambor sancione&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;a vinda do caixão com seu cortejo atrás.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Que as pombas guardem luto – um laço no pescoço –&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É hora de apagar estrelas – são molestas –&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Guardar a lua, desmontar o sol brilhante,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De despejar o mar, jogar fora as florestas,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pois nada mais há de dar certo doravante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; &lt;br /&gt;W. H. Auden (1907-1973) em Poesia Alheia, 124 Poemas Traduzidos, tradução e organização de Nelson Archer, Editora Imago, 1998.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+ + + +&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LISURA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entras na morte,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;como se entra em casa,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;desvestindo a carne,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;pondo teus chinelos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;e pijama velho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entras na morte,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;como alguém que parte&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;para uma viagem:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;não se sabe o norte&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;mas começa agora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entras na morte,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;sem escuros,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;sem punhais ocultos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;sob o teu orgulho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entras na morte,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;limpo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;de cuidados breves;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;como alguém que dorme&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;na varanda enorme,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;entras na morte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carlos Nejar , em Obra Poética, Nova Fronteira, 1980.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-3756809757125255476?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/3756809757125255476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=3756809757125255476' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3756809757125255476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3756809757125255476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/06/que-parem-os-relogios-cale-o-telefone.html' title='Que parem os relógios, cale o telefone, ...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-193090711612798136</id><published>2011-06-17T10:23:00.000-07:00</published><updated>2011-06-19T15:42:09.214-07:00</updated><title type='text'>" O ano da morte de Ricardo Reis" - José Saramago</title><content type='html'>Gosto da comparação do livro, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago, a um labirinto cerrado, tortuoso, mas fascinante, repleto de citações, referências históricas, aqui uma ode de Ricardo Reis, ali um poema de Fernando Pessoa, onde adorei perder-me para me reencontrar, literariamente mais rica, mas também pequenina e reverente perante a genialidade e a imaginação poderosa de um grande Escritor! Com a leitura deste livro, confesso que me "reconciliei", definitivamente, com José Saramago! E, fiquei a gostar, ainda mais, de Ricardo Reis.&lt;br /&gt;Este é um texto magistralmente estruturado, profundamente denso, poético, irónico, labirintico, que tem de ser lido cuidadosamente, e tão ardilosamente assimilado, como foi ardilosamente entretecido, e que começa com um verso dos Lusíadas “ Aqui o mar começa e a terra principia” e termina  com a frase "Aqui onde o mar se acabou e a terra espera."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas será que é possível escapar deste complicado labirinto que é esta obra? Será possível encontrar a saída da labinrítica cidade de Lisboa &lt;em&gt;(“descendo pela Rua do&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Norte chegou ao Camões, era como se estivesse dentro de um labirinto que o conduzisse sempre ao mesmo lugar”), &lt;/em&gt;encontrar sentido nas mulheres &lt;em&gt;(“um &lt;em&gt;enigma, um quebra-cabeças, um labirinto, uma charada”), &lt;/em&gt; no homem &lt;em&gt;(“o &lt;/em&gt;&lt;em&gt;homem, claro está, é o labirinto de si mesmo.”) &lt;/em&gt;e até do mundo (caracterizado pelo anúncio do Freire Gravador: &lt;em&gt;“este anúncio é um labirinto, um&lt;/em&gt; &lt;em&gt;novelo, uma teia.”)?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teia que constitui este livro começa a urdir-se, quando Ricardo Reis chega a Lisboa, vindo do Brasil, no barco Highland Brigade, uma alusão, talvez, à barca de Caronte, presumindo que ele já não está no mundo dos vivos, no ano em que Fernando Pessoa morreu e cujo túmulo ele faz questão de visitar.&lt;br /&gt;Se pensarmos que Ricardo Reis nunca existiu, compreendemos a dificuldade do Autor  na constução do romance, que pretende verosímil, integrando a sua acção na realidade histórica da época, um mundo a debater-se num tremendo conflito que prenuncia uma nova guerra, tempos de ditadura, de ditadores e de intensa convulsão! &lt;br /&gt;É aqui, na urdidura da vida de Ricardo Reis, nesse ano da sua morte, que brilham, a grande altura, o génio de José Saramago e o seu gigantesco poder imaginativo.&lt;br /&gt;Muito interessantes as conversas entre Ricardo Reis e Fernando Pessoa morto, que o visita, enquanto, como diz, lhe é possível, enquanto não se distancia e parte para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil desembaraçar essa teia intricada, mas deixo aqui aberto um caminho laboriosamente percorrido por Regina Helena  Dvorzak,  uma das trilhas mais sinuosas desse labirinto e que se refere a um dos aspectos mais complexos da obra: &lt;strong&gt;O TEMPO.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“&lt;/strong&gt;Ricardo Reis inicia sua jornada em Lisboa esquecendo-se de devolver o livro à biblioteca do navio, depois disso, suas lembranças são poucas, seu afastamento do mundo quase completo, tudo é um labirinto, seu tempo de vida encerrou-se com a morte de Fernando Pessoa. &lt;strong&gt;Seu percurso no romance é a aventura de um morto em busca de si mesmo, um mesmo que não existe mais.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Ao tomar consciência de que também não existe mais, Ricardo Reis vai embora com Fernando Pessoa, levando “The god of the labyrinth”, mesmo sabendo que não poderá ler para, como ele mesmo diz, deixar o mundo aliviado de um enigma.  &lt;strong&gt;Que enigma? &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Quem sabe a vida, quem sabe a morte.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, que ficara suspenso no Hotel Bragança, retoma seu curso na consciência da morte: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Meia hora passou assim, ouviram-se as pancadas de um relógio no andar de cima, É estranho, pensou Ricardo Reis, não me lembrava deste relógio, ou esqueci-me dele depois de o ter ouvido pela primeira vez.” (&lt;/em&gt;RR, p. 427) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os tempos se agregam,&lt;/strong&gt; seja &lt;strong&gt;o tempo de inverno,&lt;/strong&gt; frio, que remete ao passado longínquo e às lembranças que praticamente inexistem; seja &lt;strong&gt;o tempo do relógio&lt;/strong&gt; que lembra a personagem que já é hora de ir; seja &lt;strong&gt;o tempo interior&lt;/strong&gt; desta mesma personagem, um tempo de espera ou de preparação para sua retirada final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos em que vivemos, tempos que são um só, aquele tempo que, parafraseando Borges, é a substância de que somos todos feitos.&lt;strong&gt;”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A multiplicidade da personagem Ricardo Reis é lembrada durante toda a narrativa, seus duplos participam de sua despedida final até à sua integração definitiva em Fernando Pessoa, o único que realmente é parte dele ou de quem ele é parte. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O narrador comenta o mal estar de Ricardo Reis ao sair do cemitério em visita ao túmulo de Fernando Pessoa. Talvez o choque de se deparar com seu próprio fim tenha resultado neste mal estar:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Enquanto ia subindo a rua, devagar, sentiu dissipar-se a náusea, apenas lhe ficava uma vaga dor de cabeça, talvez um vago na cabeça, como uma falta, um pedaço de cérebro a menos, a parte que me coube&lt;/em&gt;.”&lt;strong&gt; (RR, p. 37)”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero, não posso dar por terminada esta deambulação por um livro de que gostei particularmente, e onde perpassa uma Lídia, prosaica criada no hotel, que o Poeta escolheu para se  instalar, e mais tarde sua amante, sem transcrever esta ode magnífica de Ricardo Reis, o heterónimo mais clássico, de Fernando Pessoa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.&lt;br /&gt;Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos&lt;br /&gt;Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.&lt;br /&gt;(Enlacemos as mãos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois pensemos, crianças adultas, que a vida&lt;br /&gt;Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,&lt;br /&gt;Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,&lt;br /&gt;Mais longe que os deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.&lt;br /&gt;Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.&lt;br /&gt;Mais vale saber passar silenciosamente&lt;br /&gt;E sem desassosegos grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,&lt;br /&gt;Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,&lt;br /&gt;Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,&lt;br /&gt;E sempre iria ter ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,&lt;br /&gt;Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,&lt;br /&gt;Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro&lt;br /&gt;Ouvindo correr o rio e vendo-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as&lt;br /&gt;No colo, e que o seu perfume suavize o momento —&lt;br /&gt;Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,&lt;br /&gt;Pagãos inocentes da decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois&lt;br /&gt;Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,&lt;br /&gt;Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos&lt;br /&gt;Nem fomos mais do que crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,&lt;br /&gt;Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.&lt;br /&gt;Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,&lt;br /&gt;Pagã triste e com flores no regaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Reis, in "Odes"&lt;br /&gt;Heterónimo de Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Reis é o Poeta da Razão e de quem Pessoa disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Pus em Ricardo Reis a minha disciplina vestida da música  que lhe é própria.&lt;br /&gt;Reis escreve melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota: Homenagem singela a José Saramago, que faz um um ano após a sua morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-193090711612798136?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/193090711612798136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=193090711612798136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/193090711612798136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/193090711612798136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/06/o-ano-da-morte-de-ricardo-reis-jose.html' title='&quot; O ano da morte de Ricardo Reis&quot; - José Saramago'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6543565688858258294</id><published>2011-06-13T10:10:00.000-07:00</published><updated>2011-06-18T11:44:08.736-07:00</updated><title type='text'>Aniversário do Poeta</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Homenagem ao Poeta Fernando Pessoa, no dia do seu aniversário! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Tão cedo passa tudo quanto passa!&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;Nada se sabe, tudo se imagina.&lt;br /&gt;Circunda-te de rosas, ama, bebe&lt;br /&gt;E cala. O mais é nada."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é breve, fugaz, o seu ciclo inevitável e tudo passa tão cedo. Mas, às vezes, na turbulência dos dias e na insónia agitada das noites, viver cansa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aniversário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, &lt;br /&gt;Eu era feliz e ninguém estava morto. &lt;br /&gt;Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,  &lt;br /&gt;E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. &lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, &lt;br /&gt;Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,  &lt;br /&gt;De ser inteligente para entre a família, &lt;br /&gt;E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. &lt;br /&gt;Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. &lt;br /&gt;Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, &lt;br /&gt;O que fui de coração e parentesco. &lt;br /&gt;O que fui de serões de meia-província, &lt;br /&gt;O que fui de amarem-me e eu ser menino, &lt;br /&gt;O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... &lt;br /&gt;A que distância!... &lt;br /&gt;(Nem o acho... ) &lt;br /&gt;O tempo em que festejavam o dia dos meus anos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,  &lt;br /&gt;Pondo grelado nas paredes... &lt;br /&gt;O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), &lt;br /&gt;O que eu sou hoje é terem vendido a casa,  &lt;br /&gt;É terem morrido todos, &lt;br /&gt;É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ... &lt;br /&gt;Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! &lt;br /&gt;Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, &lt;br /&gt;Por uma viagem metafísica e carnal, &lt;br /&gt;Com uma dualidade de eu para mim... &lt;br /&gt;Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... &lt;br /&gt;A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, &lt;br /&gt;O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado, &lt;br /&gt;As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,  &lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára, meu coração! &lt;br /&gt;Não penses!  Deixa o pensar na cabeça!  &lt;br /&gt;Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!  &lt;br /&gt;Hoje já não faço anos. &lt;br /&gt;Duro. &lt;br /&gt;Somam-se-me dias. &lt;br /&gt;Serei velho quando o for. &lt;br /&gt;Mais nada. &lt;br /&gt;Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Álvaro de Campos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pouco me importa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco me importa&lt;br /&gt;Pouco me importa o quê?&lt;br /&gt;Não sei: pouco me importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Alberto Caeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prefiro Rosas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Prefiro rosas, meu amor, à pátria, &lt;br /&gt;E antes magnólias amo &lt;br /&gt;Que a glória e a virtude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que a vida me não canse, deixo &lt;br /&gt;Que a vida por mim passe &lt;br /&gt;Logo que eu fique o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa àquele a quem já nada importa &lt;br /&gt;Que um perca e outro vença, &lt;br /&gt;Se a aurora raia sempre, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se cada ano com a primavera &lt;br /&gt;As folhas aparecem &lt;br /&gt;E com o outono cessam? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o resto, as outras coisas que os humanos &lt;br /&gt;Acrescentam à vida, &lt;br /&gt;Que me aumentam na alma? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, salvo o desejo de indiferença &lt;br /&gt;E a confiança mole &lt;br /&gt;Na hora fugitiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Reis &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sabes quem sou? Eu não sei. (12-4-1934)&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes quem sou? Eu não sei. &lt;br /&gt;Outrora, onde o nada foi, &lt;br /&gt;Fui o vassalo e o rei. &lt;br /&gt;É dupla a dor que me dói. &lt;br /&gt;Duas dores eu passei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui tudo que pode haver. &lt;br /&gt;Ninguém me quis esmolar; &lt;br /&gt;E entre o pensar e o ser &lt;br /&gt;Senti a vida passar &lt;br /&gt;Como um rio sem correr. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O (des)conhecimento do EU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa - Ortónimo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6543565688858258294?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6543565688858258294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6543565688858258294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6543565688858258294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6543565688858258294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/06/aniversario-do-poeta.html' title='Aniversário do Poeta'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4791252599941310899</id><published>2011-06-10T04:47:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T09:16:49.512-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fernando Pessoa - Mensagem'/><title type='text'>Dia de Portugal</title><content type='html'>PRECE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor, a noite veio e a alma é vil. &lt;br /&gt;Tanta foi a tormenta e a vontade! &lt;br /&gt;Restam-nos hoje, no silêncio hostil, &lt;br /&gt;O mar universal e a saudade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a chama, que a vida em nós criou, &lt;br /&gt;Se ainda há vida ainda não é finda. &lt;br /&gt;O frio morto em cinzas a ocultou: &lt;br /&gt;A mão do vento pode erguê-la ainda.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –, &lt;br /&gt;Com que a chama do esforço se remoça, &lt;br /&gt;E outra vez conquistemos a Distância – &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do mar ou outra, mas que seja nossa!  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NEVOEIRO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,&lt;br /&gt;Define com perfil e ser&lt;br /&gt;Este fulgor baço da terra&lt;br /&gt;Que é Portugal a entristecer –&lt;br /&gt;Brilho sem luz e sem arder,&lt;br /&gt;Como o que o fogo - fátuo encerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe que coisa quer,&lt;br /&gt;Ninguém conhece que alma tem,&lt;br /&gt;Nem o que é mal nem o que é bem.&lt;br /&gt;(Que ânsia distante perto chora?)&lt;br /&gt;Tudo é incerto e derradeiro.&lt;br /&gt;Tudo é disperso, nada é inteiro.&lt;br /&gt;Ó Portugal, hoje és nevoeiro... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;É a Hora! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Valete, Frates &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O poema aponta para um tom geral de disforia, de tristeza e melancolia, marcado por palavras e expressões de negatividade, caracterizando uma situação de crise a vários níveis: &lt;strong&gt;político “Nem rei nem lei, nem paz nem guerra”&lt;/strong&gt; (repare-se na sucessão do advérbio de negação – nem); &lt;strong&gt;crise de identidade, também “este fulgor&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;baço da terra/ que é Portugal a entristecer/ brilho sem luz e sem &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;arder/&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;como o que o fogo-fátuo encerra”&lt;/strong&gt; (note-se o vocabulário e imagística disfórica: fulgor baço – Portugal a entristecer – brilho sem luz e sem arder – novo oximoro reforçado pela proposição, marca de ausência, sem); &lt;strong&gt;crise de valores morais, da alma “Ninguém sabe que coisa quer,/ ninguém &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;conhece que alma tem,/ nem o que é mal, nem o que é bem”&lt;/strong&gt; (de novo as palavras que marcam a negação – os pronomes indefinidos ninguém, o advérbio nem). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A situação é, em síntese, de incerteza, de indefinição: &lt;/strong&gt;“Tudo é incerto e derradeiro./ Tudo é disperso, nada é inteiro./ Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”. Mas porque – e isto é afirmado no verso central da 2ª estrofe em discurso parentético – algo ficou, consubstanciado na “ânsia distante” que “perto chora” -, e justamente porque Portugal hoje é nevoeiro, &lt;strong&gt;“É (também) a Hora!” &lt;/strong&gt;(teremos que ter em conta que, segundo a lenda sebastianista, o Rei redentor regressaria numa manhã de nevoeiro). A Hora, maiusculada, mas de quê? Pessoa não o diz, mas todo o livro o significa: a Hora de partir, de novamente conquistarmos a “Distância/ do mar ou outra, mas que seja nossa!” (...), de assumirmos o sonho, cumprindo o nosso destino de sagrados por Deus e portadores do seu gládio, do seu sinal – assim a Obra nascerá de novo, como em Mar Português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Assim sendo, temos que ler Mensagem justamente como a epopeia da era que há-de vir, a do sonho feito realização,&lt;/strong&gt; a da loucura, divina, porque assumida conscientemente, e interrompida, de D. Sebastião, de D. Fernando, do Infante e dos outros heróis expectantes evocados por Pessoa.» &lt;strong&gt;[Bibl.] &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A epígrafe final “Valete, Frates” (Adeus, Irmãos) era usual como símbolo de fraternidade em organizações esotéricas; ao usá-la, Pessoa remete-nos para o carácter esotérico/ místico da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Pessoa - Mensagem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4791252599941310899?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4791252599941310899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4791252599941310899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4791252599941310899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4791252599941310899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/06/dia-de-portugal.html' title='Dia de Portugal'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-411422153898637597</id><published>2011-06-01T04:09:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T04:43:18.170-07:00</updated><title type='text'>Dia da Criança</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Victor Hugo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste Dia da Criança, aqui ficam as palavras de uma deliciosa canção popular infantil que, creio, tem origem no Brasil, " a Barata diz que tem..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escritora Luísa Ducla Soares, escreveu o bonito poema, "Mariana diz que tem...", aqui também transcrito, seguindo essa estrutura. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem sete saias de filó&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela tem é uma só&lt;br /&gt;Ah ra ra, iá ro ró, ela tem é uma só !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem um sapato de veludo&lt;br /&gt;É mentira da barata, o pé dela é peludo&lt;br /&gt;Ah ra ra, Iu ru ru, o pé dela é peludo !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que dorme numa colcha de cetim&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela dorme é no capim&lt;br /&gt;Ah ra ra, rim rim rim, ela dorme é no capim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que usa perfume de margarida&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela usa inseticida&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela usa inseticida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem um anel de formatura&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela tem é casca dura&lt;br /&gt;Ah ra ra , iu ru ru, ela tem é casca dura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem o cabelo cacheado&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela tem coco raspado&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela tem coco raspado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que usa um produto da Avon&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela usa detefon&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela usa detefon!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que mora numa casa enfeitadinha&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela mora é na cozinha&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela mora é na cozinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem hidromassagem na banheira&lt;br /&gt;É mentira da barata, toma banho de goteira&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, toma banho de goteira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que foi num lugar muito maneiro&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela foi é no banheiro&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela foi é no banheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem uma coroa de rainha&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela só tem anteninha&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela só tem anteninha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que foi trabalhar num escritório&lt;br /&gt;É mentira da barata, ela foi no mictório&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, ela foi no mictório!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem uma capa de bolinha&lt;br /&gt;É mentira da barata, a capa é da joaninha&lt;br /&gt;Ah ra ra, ia ro ró, a capa é da joaninha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Barata diz que tem um sapato de fivela&lt;br /&gt;É mentira da barata, o sapato é da mãe dela&lt;br /&gt;Ah rá rá, oh ró ró, o sapato é da mãe dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mariana diz que tem...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana diz que tem&lt;br /&gt;sapatinhos de cristal.&lt;br /&gt;Mas só vejo nos seus pés&lt;br /&gt;as botas de cabedal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana diz que tem&lt;br /&gt;um cavalo p´ra correr.&lt;br /&gt;Mas só vi no seu jardim&lt;br /&gt;sete ratos a roer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana diz que tem&lt;br /&gt;chocolates na algibeira.&lt;br /&gt;Mas só lá tem um pão duro&lt;br /&gt;dos que lhe deram na feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana diz que tem &lt;br /&gt;estrelinhas a brilhar.&lt;br /&gt;São os seus olhos que brilham&lt;br /&gt;quando se põe a sonhar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Luísa Ducla Soares - Antologia Poética, Verso a Verso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vila Nova de Gaia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Imaginando o oceano, as crianças brincam numa poça de água"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carlos Novais&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-411422153898637597?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/411422153898637597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=411422153898637597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/411422153898637597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/411422153898637597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/06/dia-da-crianca.html' title='Dia da Criança'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6544149769608398845</id><published>2011-05-29T11:04:00.000-07:00</published><updated>2011-05-30T11:09:34.547-07:00</updated><title type='text'>Um poema ao Sul, um poema mais ao Norte</title><content type='html'>Hoje, apeteceu-me bincar aos poetas. Assim sendo, aí fica o meu "Diário mais ao Norte", um arremedo do poema de Adília Lopes, " Diário lisboeta", publicado no Público, a semana passada. &lt;br /&gt;Espero que a Poeta Adília Lopes, mulher inteligente, de mente aberta e com um coração imenso, não se zangue comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diário lisboeta&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 de Abril de 2011, 6ª feira&lt;br /&gt;Vi um cão abandonado.&lt;br /&gt;2 de Abril de 2011, sábado&lt;br /&gt;Vi dois papagaios verdes no alto de um choupo.&lt;br /&gt;3 de Abril de 2011, domingo&lt;br /&gt;Vi uma rosa cor-de-rosa no quintal do 14.&lt;br /&gt;4 de Abril de 2011, 2ª feira&lt;br /&gt;Arrumei o casacão no guarda-fato.&lt;br /&gt;6 de Abril de 2011, 4ª feira&lt;br /&gt;A Bé gostava de ter um macaquinho.&lt;br /&gt;9 de Abril de 2011, sábado&lt;br /&gt;Quero escrever frases, tagarelar e dançar.&lt;br /&gt;Gosto de solinho. Ver o barómetro.&lt;br /&gt;10 de Abril de 2011, domingo&lt;br /&gt;Descomplicar.&lt;br /&gt;A Leonor tem roupa à janela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adília Lopes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diário mais ao Norte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2o de Maio de 2011, 6ªfeira&lt;br /&gt;Resgatei, da rua, um cão abandonado.&lt;br /&gt;A Íris, a minha collie melre,  fez um ano.&lt;br /&gt;21 de Maio de 2011, sábado&lt;br /&gt;Vi o pôr-do-sol, o céu em chamas e caminhei na praia.&lt;br /&gt;À noite, o mar enfeitou-se de prata. A lua estava cheia.&lt;br /&gt;22 de Maio de 2011, domingo&lt;br /&gt;Colhi duas rosas vermelhas e vi um sapo, no jardim.&lt;br /&gt;Fiz um bolo de chocolate e comi cerejas.&lt;br /&gt;23 de Maio de 2011, 2ªfeira&lt;br /&gt;A Nani deitou fora as canadianas e calçou sapatos de salto alto.&lt;br /&gt;Vesti o vestido branco. Já me esqueci da roupa de inverno. &lt;br /&gt;25 de Maio de 2011, 4ªfeira&lt;br /&gt;O Gui gostava de ter um cãozinho.A mãe não deixa.&lt;br /&gt;Mas, vai ter. Um, talvez, dois. Um dia. Na casa dele.&lt;br /&gt;28 de Maio de 2011, Sábado&lt;br /&gt;Quero ler o jornal, ir às compras e passear.&lt;br /&gt;Adoro o sol. Está calor. Amanhã também.&lt;br /&gt;29 de Maio de 2011, domingo&lt;br /&gt;Descansar. Preguiçar, preguiçosamente, ao sol.&lt;br /&gt;A Xana nunca tem roupa à janela.&lt;br /&gt;Só um mar colorido de gerânios em flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MC&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6544149769608398845?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6544149769608398845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6544149769608398845' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6544149769608398845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6544149769608398845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/um-poema-ao-sul-um-poema-mais-ao-norte.html' title='Um poema ao Sul, um poema mais ao Norte'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2030782682191856652</id><published>2011-05-15T07:45:00.000-07:00</published><updated>2011-05-17T04:01:57.403-07:00</updated><title type='text'>Pedaços de mágoa e de espanto de uma menina gorda, que a anorexia devorou...</title><content type='html'>Estou confusa!  Isto parece um velório! Isto é um velório! Há muitas rosas brancas, círios, uma Cruz enorme e uma urna a transbordar de seda e de tule!  &lt;br /&gt;Cheira a velas, a flores e a lágrimas.&lt;br /&gt;Não sei porque estou aqui, neste velório. &lt;br /&gt;Comigo, estão muitos colegas meus e muitos professores.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém fala comigo. Parece que ninguém me vê! Que estranho... &lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;O que estará a fazer aqui, o meu irmão? Meu Deus, como chora! &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Deve ter sido alguém da Escola que morreu! Por isso, estou aqui! &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, ao canto está o Miguel, o rapaz por quem me apaixonei,  com o encantamento do primeiro amor e a  insegurança  dos meus dezasseis anos! &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Um dia, quando uns colegas nossos, nos viram juntos,  disseram-lhe, a rir, que eu era perfeita, para ser sua namorada! A sua gargalhada  escarninha, o olhar meio enjoado, meio piedoso que me lançou e o “Não!”, que lhe escapou, quase gritado, dos lábios, envergonharam-me e magoaram-me profundamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era,  na verdade e  para meu infinito desgosto, muito diferente das outras raparigas, bonitas,  soltas,  esguias.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O meu tio, irmão do meu pai, gostava de, às escondidas,  me apalpar as mamas e as nádegas! Dias depois do claro repúdio do Miguel, o meu tio apanhou-me sozinha e amarfanhou-me contra  a parede da sala com o corpo e, enquanto com uma mão me tapava a boca, com a outra mão, suada e viscosa, abriu-me o vestido e apalpou-me as mamas, as pernas , explorou todo o meu corpo enquanto dizia, com a voz enrouquecida, vermelho e com os olhos brilhantes de excitação: Que rica xixa! &lt;br /&gt;Um barulho qualquer obrigou-o a soltar-me e eu fugi, a rebentar de raiva , de mágoa , horrorizada comigo própria!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca, como nesse dia, me detestei tanto! Senti um nojo imenso pelo meu tio e também pelo monte de carne, que eu era! Que sou!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite, despi-me e olhei-me, criticamente, ao espelho. &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi, com horror, a minha cara muito redonda, com bochechas  balofas e luzidias, ,s meus braços  fortes, muito roliços e as minhas ancas e pernas  muito volumosas, flácidas, feias!  Não tinha  sequer cintura  mas, um rolo carnudo,  enrolava-se, à minha volta,  como se fosse um cinto e começava a ter uma barriguinha que tremelicava de gordura! As minhas mamas, meio caídas, pareciam sacos mal ajeitados. Só ao meu tio, debochado e sujo, as minhas carnes, gordas e flácidas, podiam dar algum prazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Decidi, nesse momento, sozinha, no meu quarto, fazer uma dieta a sério!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a cortar na comida! O mais que podia!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Fazia muito exercício físico, às vezes, quase até à exaustão! Agora, já não posso...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meses, tinha perdido algum peso, continuo a perder peso mas,  nunca  deixei de me sentir pesada, inchada, enorme! Continuava, continuo gorda.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Tornei-me hábil e manhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomava, ainda tomo, medicamentos para não engordar, que me davam forças e energia  mas, como  não me ajudavam a emagrecer tanto quanto desejava, recorria, como recorro ainda, aos laxantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agrada-me  este  controlo que tenho sobre mim  e  sabe-me bem a abstinência a que me forço!  Gosto de me  sentir limpa e vazia por dentro!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sobretudo, respiro aliviada porque, se antes fugia apavorada do meu tio, agora é ele que me evita e nem para mim olha! Apesar de  ainda estar gorda, farta de xixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... &lt;br /&gt;Estudava muito e tinha notas muito altas!  Queria ser a melhor, em tudo! Ultimamente, já não consigo! Estou muito cansada! &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem-me que estou a perder peso em excesso e que  já tenho os ossos quase à mostra e as veias salientes. Mas, eu continuo a ver-me pesada, enorme! &lt;strong&gt;Porque estou pesada&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;e enorme!&lt;/strong&gt; Por isso e para esconder os refêgos de gordura,  que se vão amontoando,  em mim, uso roupa larga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vejo-me ao espelho e sei que não tenho graciosidade nenhuma, nem encanto,  nem leveza!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nos meus sonhos mais róseos, eu vejo-me linda, leve, deslizante, quase etérea, como uma sílfide! E, é assim, que eu irei ser! Um dia...!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atingi os trinta quilos, internaram-me, no hospital! &lt;br /&gt;Foi a maneira mais suave que   os meus pais  encontraram  para me  dizerem que  não gostam de mim e estão fartos de me aturarem!  Ninguém, aliás, gosta de  uma rapariga  volumosa, balofa e feia! &lt;br /&gt;Dizem-me que tenho  a pele seca e fina. Não é bem assim e  eu esfrego-a  muito bem, com sabonete, para que nem uma ponta de gordura me possa  conspurcar! &lt;br /&gt;Já não tenho menstruação há uns meses e os meus braços, pernas e costas estão cobertos de uma penugem, que, dizem, se chama lanugo, que  eu escondo com a roupa larga que  tenho de usar! &lt;br /&gt;Parece que o  meu cabelo está mais fino e muito menos farto mas, não é a pele, nem o cabelo, nem o lanugo,  nem a amenorreia,  que me preocupam! &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus pais discutem muito, dizem que por minha causa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hospital, tenho conhecido muitos jovens e alguns horrorizam-me porque  persistem, teimosamente,   numa  dieta de que já não necessitam  pois, são  pele e osso,  com os olhos enormes,  nem sei se vazios ou,  meio alucinados, os braços e as pernas  cheios de manchas arroxeadas,  e fazem-me lembrar aqueles meninos, completamente desnutridos, da Somália mas, sem as barrigas enormes, grávidas de nada, grávidas de falta de tudo! &lt;br /&gt;Há uma rapariga, que me faz muita impressão, porque até cospe a saliva! Para não se sentir conspurcada! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se sentiriam eles se fossem, como eu,  roliços e fartos de  xixa, como diria o meu tio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida no hospital, não é fácil! Querem que “façamos as pazes” com a comida! Não quero! Custou-me muito chegar aos trinta quilos e ainda tenho peso para perder! Não! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o meu tio, nem homem algum irá jamais esfregar-se de gozo na minha carne!&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;Apesar de, mesmo assim, ainda estar volumosa! A minha dieta não terminou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo no velório! &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de saber quem é esta “ela” de quem todos falam! E por quem tantos choram!&lt;br /&gt;É tudo tão dolorosamente estranho...Sinto-me tão sozinha...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, entram os meus pais. Meu Deus, como estão diferentes, parecem ter &lt;br /&gt;envelhecido muitos anos, os rostos  exaustos, devastados! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que angustiante é isto tudo! Parece que estou a viver  a irrealidade paralisante de um  tremendo pesadelo, do qual, por mais que me debata, não consigo acordar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferente às minhas carícias e à meiguice das  minhas palavras, a minha mãe aproxima-se da urna e um rio de lágrimas desaba sobre quem ali descansa! &lt;br /&gt;Por quem chorará, assim, tão aflitivamente, a minha mãe? O meu pai não chora,  não se aproxima da urna, nem da minha mãe, que mal se segura de pé! Não fala com ninguém! Parece de pedra!  Ali está, ao canto,  tão cansado,  tão desligado, tão ausente! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me da urna envernizada e olho, atentamente, para quem ali repousa. Vejo um pequeno volume, envolto em sedas e tules brancos,  quase afogado em rosas brancas que se vão desfolhando com o calor e vejo um rosto emaciado, magro, a pele esticada sobre os ossos,  as mãos esqueléticas,  os dedos entrelaçados.&lt;br /&gt;O rosto não me é estranho... Na verdade, é vagamente parecido com o meu... Mas, eu tenho a cara redonda com bochechas balofas e luzidias! &lt;br /&gt;Sobre o rosto imóvel, de cera, ainda escorrem as lágrimas da minha mãe e parece que é a morta que chora! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, lembro-me... &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Andreia deu-me, a meu pedido, uns comprimidos, daqueles que nos fazem sentir melhor. Tomei-os e adormeci!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, senti-me cair... Pareceu-me ouvir vozes, muito ao longe, e o som, lindo,  ciciado, do Bolero de Ravel que adoro e que ouço,  incansavelmente!&lt;br /&gt;Lembro-me de, nesse momento,  me sentir muito bem!  Relaxada,  calma, liberta! Depois, mais nada...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendida, compreendi, enfim! &lt;br /&gt;Sou eu que, branca, imóvel e finalmente tranquila, descanso ali! A minha luta, sem quartel, contra o excesso de peso, contra a comida, contra a xixa acumulada do gozo excitado do meu tio, terminou! &lt;br /&gt;Nunca mais, a manápula de um homem conspurcará o meu corpo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque,  serenamente,  morri,  esta madrugada! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria Sartre, “ les jeux sont faits” ! Sinto uma imensa e fantástica indiferença descer sobre mim e afastar-me, irremediavelmente, de todos e de tudo! &lt;br /&gt;Mas, estranhamente, não me importo!&lt;br /&gt; Aprisionada, perdida, nos tentáculos poderosos,  dessa  gélida   indiferença ,  esqueço os meus afectos, as minhas alegrias, os meus dramas e os meus medos!  Numa absoluta solidão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para sempre...!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2030782682191856652?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2030782682191856652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2030782682191856652' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2030782682191856652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2030782682191856652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/pedacos-do-diario-de-uma-menina-gorda.html' title='Pedaços de mágoa e de espanto de uma menina gorda, que a anorexia devorou...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8449880514009577611</id><published>2011-05-14T08:27:00.001-07:00</published><updated>2011-05-14T08:59:43.946-07:00</updated><title type='text'>Crepúsculo</title><content type='html'>Não gosto do crepúsculo! Entristece-me. Temo-o.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não sei porquê ou, talvez inconscientemente, saiba, associo o crepúsculo, essa hora dos “mágicos cansaços”, dos poetas e dos artistas, à memória mais remota que tenho  da minha mãe, doente, num quarto despojado, quase nu, hoje sei que era um sanatório, sentada numa cama estreita, junto  a uma janela, com os braços estendidos para mim, e imagino-lhe os olhos chorosos, numa ansiedade aflita. Não me lembro das feições do rosto, mas recordo-me, (será que me recordo mesmo?), de uma voz, severa e dura, dizer: "Não esteja com isso, não a chame, sabe que não pode tocar-lhe. Só pode vê-la. De longe..."&lt;br /&gt;                                               &lt;br /&gt;E, lembro-me de mim, pequenina, à porta, aos gritos e a chorar, também eu com os braços estendidos para ela, aprisionada entre os braços fortes de uma mulher, ansiosa por fugir e refugiar-me no peito macio e aconchegante, mas onde a doença galopante e facilmente transmissível, fervilhava, malévola.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta foi a última vez que vi a minha mãe. Uma cena crepuscular , toda feita de choro, da tristeza, sem remédio, da separação e de uma raiva imensa, que jamais esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui ficam dois poemas da poetisa do amor, da saudade, do crepúsculo e dos mágicos cansaços dessa hora ambígua e carregada de melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se tu viesses ver-me&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A essa hora dos mágicos cansaços,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando a noite de manso se avizinha,&lt;br /&gt;E me prendesses toda nos teus braços… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me lembra: esse sabor que tinha&lt;br /&gt;A tua boca… o eco dos teus passos…&lt;br /&gt;O teu riso de fonte… os teus abraços…&lt;br /&gt;Os teus beijos… a tua mão na minha… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tu viesses quando, linda e louca,&lt;br /&gt;Traça as linhas dulcíssimas dum beijo&lt;br /&gt;E é de seda vermelha e canta e ri &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é como um cravo ao sol a minha boca…&lt;br /&gt;Quando os olhos se me cerram de desejo…&lt;br /&gt;E os meus braços se estendem para ti…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Florbela Espanca - Charneca em Flor &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Crepúsculo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes &lt;br /&gt;Batendo as asas leves, irisadas, &lt;br /&gt;Poisam nos meus, suaves e cansadas &lt;br /&gt;Como em dois lírios roxos e dolentes... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os lírios fecham... Meu Amor, não sentes? &lt;br /&gt;Minha boca tem rosas desmaiadas, &lt;br /&gt;E as minhas pobres mãos são maceradas &lt;br /&gt;Como vagas saudades de doentes... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Silêncio abre as mãos... entorna rosas... &lt;br /&gt;Andam no ar carícias vaporosas &lt;br /&gt;Como pálidas sedas, arrastando... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tua boca rubra ao pé da minha &lt;br /&gt;É na suavidade da tardinha &lt;br /&gt;Um coração ardente palpitando... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8449880514009577611?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8449880514009577611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8449880514009577611' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8449880514009577611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8449880514009577611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/crepusculo.html' title='Crepúsculo'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8084773511343297556</id><published>2011-05-10T13:56:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T14:10:09.075-07:00</updated><title type='text'>Peso Pesado - A menina gorda</title><content type='html'>Vi o programa “Peso Pesado” , na SIC, na noite da estreia e, para mim, foi o suficiente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este programa é, na minha opinião, chocante e grotesco. Espanta-me haver candidatos para este tipo de espectáculos  e confrange-me ver aquelas pessoas, tão jovens algumas delas, expor, publicamente, a sua doença, os seus traumas, os seus dolorosos complexos, sujeitando-se à manipulação despudorada das suas emoções e à malévola exposição dos rolos imensos e flácidos de gordura que lhes deformam o corpo e lhes sufocam a alma num sofrimento atroz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi arrepiante vê-los gordos, exaustos, rastejar na lama, tentar andar ligeiros, sem estarem preparados para esse esforço, um hercúleo esforço! &lt;br /&gt;Vimo-los chorar quando falaram da sua obesidade, vimo-los agigantarem-se, aflitos, ofegantes, para vencer dificuldades, para eles, enormes, só com o objectivo de não serem expulsos de um programa de categoria muito duvidosa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desgraçadamente, vimos dois concorrentes , em pânico, um deles, atrozmente obeso, serem maltratados por um  “comando” que os fez deitar no chão, que lhes berrou como doido, que lhes atitou com baldes de água, que, em resumo, os humilhou, os exauriu e destratou, a troco de continuarem no jogo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foram tremendamente abusados mas, creio que, na&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;sua simplicidade, no seu terror, nem se aperceberam do abuso de que estavam a ser vítimas! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi simplesmente vergonhoso, de uma baixeza e e uma maldade, sem nome e sem tamanho! &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Tudo, mas tudo, tem um limite! Ali, naquela estreia,  excederam-se todos os limites! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não se diga, à laia de justificação,  que todos sabiam para o que vinham! Não sabiam com certeza! Aqueles dois, por exemplo, decerto não sabiam o que iriam sofrer às mãos de um “comando” de trazer por casa, mas violento e abusador! E um canal de televisão que se preza, com o nível e as credenciais da SIC não devia enveredar por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ver a patologia da obesidade mórbida transformada em espectáculo é qualquer coisa de medonho, de revoltante  que não devia sequer ser permitido! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, o programa está no ar e vê quem quer! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito de pesos pesados e para amenizar a aspereza do texto, aqui fica este poema imortalizado por João Villaret:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A menina gorda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta menina gorda, gorda, gorda,&lt;br /&gt;Tem um pequenino coração sentimental.&lt;br /&gt;Seu rosto é redondo, redondo, redondo;&lt;br /&gt;Toda ela é redonda, redonda, redonda,&lt;br /&gt;E os olhinhos estão lá no fundo a brilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É menina e moça. Terá quinze anos?&lt;br /&gt;Umas velhas amigas de sua mamãe&lt;br /&gt;Dizem sempre que a encontram, num êxtase longo:&lt;br /&gt;“Como esta menina está gorda, bonita!”&lt;br /&gt;“Como esta menina está gorda, bonita!”&lt;br /&gt;E ela ri de prazer. Seu rosto redondo&lt;br /&gt;Esconde os olhinhos no fundo, a brilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes no quarto,&lt;br /&gt;Diante do espelho;&lt;br /&gt;Ao ver-se tão gorda, tão gorda, tão gorda,&lt;br /&gt;Ela pensa nas velhas amigas de sua mamãe&lt;br /&gt;E também num rapaz&lt;br /&gt;Que a olha sorrindo,&lt;br /&gt;Quando toda manhã ela vai para a escola:&lt;br /&gt;“– Ele gosta de mim… Ele gosta de mim.&lt;br /&gt;Eu sou gorda, bonita…”&lt;br /&gt;E os dedos gordinhos pegando nas tranças&lt;br /&gt;Têm carícias ingénuas&lt;br /&gt;Diante do espelho.    &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Rui Ribeiro Couto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8084773511343297556?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8084773511343297556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8084773511343297556' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8084773511343297556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8084773511343297556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/peso-pesado-menina-gorda.html' title='Peso Pesado - A menina gorda'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6139920108650127881</id><published>2011-05-03T07:40:00.001-07:00</published><updated>2011-05-03T11:32:59.427-07:00</updated><title type='text'>Justice has been done</title><content type='html'>‎Osama Bin Laden foi um criminoso hediondo, responsável pela morte, sem sentido, de milhares de pessoas inocentes e pela incomensurável dor de tantos!&lt;br /&gt;A sua morte  é uma vitória para os Estdos Unidos e para o mundo e demonstrou que este tipo de crimes não podem ficar impunes, demore o tempo que demorar a vingá-los.&lt;br /&gt;Foram precisos dez anos de busca incessante, de trabalho árduo, de avanços e recuos na perseguição deste monstro, para que o povo Americano pudesse expurgar o dia mais trágico e o atentado mais nefando da sua História!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se o líder enraivecido de uma ideologia terrorista está morto, a raiva e o ódio não estão! O mundo, especialmente o ocidente, sabe que tem de continuar vigilante, porque o terror internacional, o fanatismo, o radicalismo, e a crueldade mais feroz  não acabaram!&lt;br /&gt;Assustador foi o comentário curto e seco do Kremlin, à morte de Bin Laden: “ A vingança é inevitável para todos os terroristas.” &lt;br /&gt;E, porque sabemos que a ameaça de uma devastadora retaliação não pode ser ignorada, todos os países de boa-fé, têm, imperativamente, de continuar a conjugar esforços, talvez redobrados, para combater o flagelo do extremismo global! &lt;br /&gt;Como diz Nietzsche, o que revolta no sofrimento não é o sofrimento, em si, mas a sua falta de sentido! E, o terrorismo, causando tanta dor e tanta destruição, não tem sentido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, agora, é tempo de regozijo e, como Obama, orgulhosamente, disse a uma Nação emocionada: &lt;strong&gt;Justice has &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;been done!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"So Americans understand the costs of war.Yet as a country,we will never tolerate our security being threatened, nor stand idly by when our people have been killed.We will be relentless in defence of our citizens and our friends and allies....We will be true to the values that make us who we are. And on nights like this one, we can say to those families who have lost loved ones to Al-Qaeda's terror:&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Justice has been done."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(From Obama`s speech)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6139920108650127881?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6139920108650127881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6139920108650127881' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6139920108650127881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6139920108650127881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/justice-has-been-done.html' title='Justice has been done'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8239514973068869872</id><published>2011-05-02T14:18:00.001-07:00</published><updated>2011-05-02T14:24:10.859-07:00</updated><title type='text'>Hoje...</title><content type='html'>Ontem, como sempre, senti-me uma mãe feliz e abençoada! E, também, agradecida  às minhas duas filhas, preciosas âncoras da minha vida, pelo amor, pela alegria, pela partilha do pensamento, dos risos e das lágrimas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mãe sente-se mãe, todos os dias, todas as horas, todos os minutos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas,hoje, especialmente hoje, sinto-me uma menina pequenina e frágil que queria poder aconchegar-se, também ela,  no colo morno e doce da mãe e adormecer, serena, na suavidade cristalina  da velha canção de ninar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma mulher madura que ainda brinca no baloiço.&lt;br /&gt;Sou uma menina de salto alto, que ri e cora.&lt;br /&gt;Sou uma mulher que decide, mas que também balança.&lt;br /&gt;Sou uma menina cansada que, às vezes, grita e chora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Hoje deu-me para isto! Podia ser pior...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8239514973068869872?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8239514973068869872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8239514973068869872' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8239514973068869872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8239514973068869872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/hoje.html' title='Hoje...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1712088425268008204</id><published>2011-05-01T02:57:00.000-07:00</published><updated>2011-05-01T09:39:41.102-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Mãe'/><title type='text'>Mãe</title><content type='html'>Com estes três lindíssimos poemas, aqui fica a minha homenagem a todas as Mães do mundo e a todos os filhos que as amaram e as amam e foram e são abençoados com o infinito, puro e destemido amor delas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os filhos são, para as mães, a âncora das suas vidas.  &lt;br /&gt;"Freda"- Sófocles&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mãe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais fundo de ti&lt;br /&gt;Eu sei que te traí, mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque já não sou&lt;br /&gt;O menino adormecido&lt;br /&gt;No fundo dos teus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque ignoras&lt;br /&gt;Que há leitos onde o frio não se demora&lt;br /&gt;E noites rumorosas de águas matinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, às vezes, as palavras que te digo&lt;br /&gt;São duras, mãe,&lt;br /&gt;E o nosso amor é infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque perdi as rosas brancas&lt;br /&gt;Que apertava junto ao coração&lt;br /&gt;No retrato da moldura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se soubesses como ainda amo as rosas,&lt;br /&gt;Talvez não enchesses as horas de pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu esqueceste muita coisa;&lt;br /&gt;Esqueceste que as minhas pernas cresceram,&lt;br /&gt;Que todo o meu corpo cresceu,&lt;br /&gt;E até o meu coração&lt;br /&gt;Ficou enorme, mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha - queres ouvir-me? -&lt;br /&gt;Às vezes ainda sou o menino&lt;br /&gt;Que adormeceu nos teus olhos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda aperto contra o coração&lt;br /&gt;Rosas tão brancas&lt;br /&gt;Como as que tens na moldura;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda oiço a tua voz:&lt;br /&gt;Era uma vez uma princesa&lt;br /&gt;No meio do laranjal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas - tu sabes - a noite é enorme,&lt;br /&gt;E todo o meu corpo cresceu.&lt;br /&gt;Eu saí da moldura,&lt;br /&gt;Dei às aves os meus olhos a beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me esqueci de nada, mãe.&lt;br /&gt;Guardo a tua voz dentro de mim.&lt;br /&gt;E deixo as rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite. Eu vou com as aves. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eugénio de Andrade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Palavras para a Minha Mãe &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses &lt;br /&gt;as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. &lt;br /&gt;sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste &lt;br /&gt;tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te &lt;br /&gt;desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, &lt;br /&gt;a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia &lt;br /&gt;mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;lê isto: mãe, amo-te. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não &lt;br /&gt;escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que &lt;br /&gt;não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não &lt;br /&gt;as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão" &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo da vida, minha mãe.&lt;br /&gt;Canta a doce cantiga que cantavas&lt;br /&gt;Quando eu corria doido ao teu regaço&lt;br /&gt;Com medo dos fantasmas do telhado.&lt;br /&gt;Nina o meu sono cheio de inquietude&lt;br /&gt;Batendo de levinho no meu braço&lt;br /&gt;Que estou com muito medo, minha mãe.&lt;br /&gt;Repousa a luz amiga dos teus olhos&lt;br /&gt;Nos meus olhos sem luz e sem repouso&lt;br /&gt;Dize à dor que me espera eternamente&lt;br /&gt;Para ir embora. Expulsa a angústia imensa&lt;br /&gt;Do meu ser que não quer e que não pode&lt;br /&gt;Dá-me um beijo na fonte dolorida&lt;br /&gt;Que ela arde de febre, minha mãe.&lt;br /&gt;Aninha-me em teu colo como outrora&lt;br /&gt;Dize-me bem baixo assim: - Filho, não temas&lt;br /&gt;Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.&lt;br /&gt;Dorme. Os que de há muito te esperavam&lt;br /&gt;Cansados já se foram para longe. &lt;br /&gt;Perto de ti está tua mãezinha&lt;br /&gt;Teu irmão que o estudo adormeceu&lt;br /&gt;Tuas irmãs pisando de levinho&lt;br /&gt;Para não despertar o sono teu.&lt;br /&gt;Dorme, meu filho, dorme no meu peito&lt;br /&gt;Sonha a felicidade. Velo eu&lt;br /&gt;Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo&lt;br /&gt;Me apavora a renúncia. Dize que eu fique&lt;br /&gt;Afugenta este espaço que me prende&lt;br /&gt;Afugenta o infinito que me chama&lt;br /&gt;Que eu estou com muito medo, minha mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinicius de Moraes&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1712088425268008204?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1712088425268008204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1712088425268008204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1712088425268008204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1712088425268008204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/05/mae.html' title='Mãe'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5651334501918803718</id><published>2011-04-20T08:28:00.000-07:00</published><updated>2011-04-20T14:50:20.989-07:00</updated><title type='text'>Procissão</title><content type='html'>Com esta ingénua PROCISSÃO, imortalizada por João Villaret, fica o meu abraço e os votos de uma Páscoa Feliz, a todos os meus Amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocam os sinos da torre da igreja,&lt;br /&gt;Há rosmaninho e alecrim pelo chão.&lt;br /&gt;Na nossa aldeia que Deus a proteja!&lt;br /&gt;Vai passando a procissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo na frente, marchando a compasso,&lt;br /&gt;De fardas novas, vem o solidó.&lt;br /&gt;Quando o regente lhe acena com o braço,&lt;br /&gt;Logo o trombone faz popó, popó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha os bombeiros, tão bem alinhados!&lt;br /&gt;Que se houver fogo vai tudo num fole.&lt;br /&gt;Trazem ao ombro brilhantes machados,&lt;br /&gt;E os capacetes rebrilham ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocam os sinos na torre da igreja,&lt;br /&gt;Há rosmaninho e alecrim pelo chão.&lt;br /&gt;Na nossa aldeia que Deus a proteja!&lt;br /&gt;Vai passando a procissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha os irmãos da nossa confraria!&lt;br /&gt;Muito solenes nas opas vermelhas!&lt;br /&gt;Ninguém supôs que nesta aldeia havia&lt;br /&gt;Tantos bigodes e tais sobrancelhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, que bonitos que vão os anjinhos!&lt;br /&gt;Com que cuidado os vestiram em casa!&lt;br /&gt;Um deles leva a coroa de espinhos.&lt;br /&gt;E o mais pequeno perdeu uma asa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocam os sinos na torre da igreja,&lt;br /&gt;Há rosmaninho e alecrim pelo chão.&lt;br /&gt;Na nossa aldeia que Deus a proteja!&lt;br /&gt;Vai passando a procissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas janelas, as mães e as filhas,&lt;br /&gt;As colchas ricas, formando troféu.&lt;br /&gt;E os lindos rostos, por trás das mantilhas,&lt;br /&gt;Parecem anjos que vieram do Céu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o calor, o Prior aflito.&lt;br /&gt;E o povo ajoelha ao passar o andor.&lt;br /&gt;Não há na aldeia nada mais bonito&lt;br /&gt;Que estes passeios de Nosso Senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocam os sinos na torre da igreja,&lt;br /&gt;Há rosmaninho e alecrim pelo chão.&lt;br /&gt;Na nossa aldeia que Deus a proteja!&lt;br /&gt;Já passou a procissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Lopes Ribeiro&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5651334501918803718?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5651334501918803718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5651334501918803718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5651334501918803718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5651334501918803718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/procissao.html' title='Procissão'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-9182474356102480919</id><published>2011-04-19T05:10:00.000-07:00</published><updated>2011-04-19T05:27:52.651-07:00</updated><title type='text'>Cântico negro</title><content type='html'>"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces &lt;br /&gt;Estendendo-me os braços, e seguros &lt;br /&gt;De que seria bom que eu os ouvisse &lt;br /&gt;Quando me dizem: "vem por aqui!" &lt;br /&gt;Eu olho-os com olhos lassos, &lt;br /&gt;(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) &lt;br /&gt;E cruzo os braços, &lt;br /&gt;E nunca vou por ali... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha glória é esta: &lt;br /&gt;Criar desumanidade! &lt;br /&gt;Não acompanhar ninguém. &lt;br /&gt;- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade &lt;br /&gt;Com que rasguei o ventre a minha mãe &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não vou por aí! Só vou por onde &lt;br /&gt;Me levam meus próprios passos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao que busco saber nenhum de vós responde &lt;br /&gt;Por que me repetis: "vem por aqui!"? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro escorregar nos becos lamacentos, &lt;br /&gt;Redemoinhar aos ventos, &lt;br /&gt;Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, &lt;br /&gt;A ir por aí... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vim ao mundo, foi &lt;br /&gt;Só para desflorar florestas virgens, &lt;br /&gt;E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! &lt;br /&gt;O mais que faço não vale nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, pois sereis vós &lt;br /&gt;Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem &lt;br /&gt;Para eu derrubar os meus obstáculos?... &lt;br /&gt;Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, &lt;br /&gt;E vós amais o que é fácil! &lt;br /&gt;Eu amo o Longe e a Miragem, &lt;br /&gt;Amo os abismos, as torrentes, os desertos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ide! Tendes estradas, &lt;br /&gt;Tendes jardins, tendes canteiros, &lt;br /&gt;Tendes pátria, tendes tectos, &lt;br /&gt;E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... &lt;br /&gt;Eu tenho a minha Loucura ! &lt;br /&gt;Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, &lt;br /&gt;E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. &lt;br /&gt;Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; &lt;br /&gt;Mas eu, que nunca principio nem acabo, &lt;br /&gt;Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! &lt;br /&gt;Ninguém me peça definições! &lt;br /&gt;Ninguém me diga: "vem por aqui"! &lt;br /&gt;A minha vida é um vendaval que se soltou. &lt;br /&gt;É uma onda que se alevantou. &lt;br /&gt;É um átomo a mais que se animou... &lt;br /&gt;Não sei por onde vou, &lt;br /&gt;Não sei para onde vou &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Sei que não vou por aí! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Régio  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se hoje, as nossas vidas são vendavais de aflições, se ondas alterosas se levantaram, num espanto, se nos empurraram, irresponsávelmente, rumo ao abismo, se agora nos apontam, autoriários e sem assumir erros, um só caminho, duro e tortuoso, que podemos nós fazer, senão ir por aí?&lt;br /&gt;Não, eu não quero ir por aí! Não, tu não queres ir por aí! Mas teremos outra saída...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-9182474356102480919?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/9182474356102480919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=9182474356102480919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/9182474356102480919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/9182474356102480919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/cantico-negro.html' title='Cântico negro'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2542855511206177259</id><published>2011-04-16T11:13:00.000-07:00</published><updated>2011-04-16T11:17:27.116-07:00</updated><title type='text'>O dia da criação</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Macho e fêmea os criou.&lt;br /&gt;Gênese, 1, 27&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I &lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sábado, amanhã é domingo &lt;br /&gt;A vida vem em ondas, como o mar &lt;br /&gt;Os bondes andam em cima dos trilhos &lt;br /&gt;E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sábado, amanhã é domingo &lt;br /&gt;Não há nada como o tempo para passar &lt;br /&gt;Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo &lt;br /&gt;Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sábado, amanhã é domingo &lt;br /&gt;Amanhã não gosta de ver ninguém bem &lt;br /&gt;Hoje é que é o dia do presente &lt;br /&gt;O dia é sábado. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível fugir a essa dura realidade &lt;br /&gt;Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios &lt;br /&gt;Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas &lt;br /&gt;Todos os maridos estão funcionando regularmente &lt;br /&gt;Todas as mulheres estão atentas &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;II &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento há um casamento &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Hoje há um divórcio e um violamento &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um rico que se mata &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um incesto e uma regata &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um espetáculo de gala &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma mulher que apanha e cala &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um renovar-se de esperanças &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma profunda discordância &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um sedutor que tomba morto &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um grande espírito-de-porco &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma mulher que vira homem &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há criançinhas que não comem &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um piquenique de políticos &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um grande acréscimo de sífilis &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um ariano e uma mulata &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma tensão inusitada &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há adolescências seminuas &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um vampiro pelas ruas &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um grande aumento no consumo &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um noivo louco de ciúmes &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um garden-party na cadeia &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma impassível lua cheia &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há damas de todas as classes &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Umas difíceis, outras fáceis &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um beber e um dar sem conta &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma infeliz que vai de tonta &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um padre passeando à paisana &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há um frenesi de dar banana &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há a sensação angustiante &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;De uma mulher dentro de um homem &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há uma comemoração fantástica &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Da primeira cirurgia plástica &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;E dando os trâmites por findos &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;Há a perspectiva do domingo &lt;br /&gt;Porque hoje é sábado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinicius de Moraes &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2542855511206177259?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2542855511206177259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2542855511206177259' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2542855511206177259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2542855511206177259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/o-dia-da-criacao.html' title='&lt;strong&gt;O dia da criação&lt;/strong&gt;'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6417298890553673048</id><published>2011-04-14T11:56:00.000-07:00</published><updated>2011-04-14T12:04:22.976-07:00</updated><title type='text'>Confissões de uma Nini preguiçosa, a espreguiçar-se ao sol...</title><content type='html'>O sofá de veludo azul, onde preguiçosamente dormito, está inundado de sol.&lt;br /&gt;Estico os meus braços esguios e as minhas unhas pintadas  brilham, suavemente, como pedacinhos de nácar.&lt;br /&gt;Estendo as pernas compridas e rebolo, na maciez azul do veludo, o meu corpo voluptuoso, que se expande, num suspiro de intenso e preguiçoso prazer!&lt;br /&gt;O sol  acaricia o meu corpo e arranca mil reflexos de oiro,da minha pele, sedosa e delicada. Dizem que sou bela! Sei que sou bela e tenho a sensualidade  vivaz que perpassa no quadro “ Olympia”, de Manet! &lt;br /&gt;A luz é intensa e semi-cerro os meus olhos claros, de um verde tenro e líquido, pontilhados de oiro!&lt;br /&gt; ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, ao serão, ouvi alguém falar de um livro "Oblomov, o magnífico preguiçoso"&lt;br /&gt;de um escritor russo, Ivan Goncharov! &lt;br /&gt;Simpatizei logo com esse Oblomov! Eu sou como ele, uma magnífica e adorável preguiçosa, a espreguiçar-se ao sol! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tenho um laço de seda verde, ao pescoço! Adoro a cor verde! Fica-me bem e condiz com os meus olhos!&lt;br /&gt;Daqui a pouco, ele chega. É baixo, careca, e desinteressante. Dizem que é irascível, agressivo e detestável!&lt;br /&gt;Comigo, não! Comigo é terno, sereno e paciente!&lt;br /&gt;Às vezes aborrece-me de morte! Outras vezes, enfurece-me! Normalmente, é-me indiferente!  Mas ele adora-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abrir a porta, vai começar a gritar: Nini, Nini! Que nome ridículo! Chamar-me Nini, a mim, descendente de reis! Eu deveria ter um nome nobre, talvez, Sofia, Catarina, Constança, sei lá...!&lt;br /&gt;Detesto que me chame Nini! Detesto que me chame bichaninha! Detesto! Detesto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é delicioso espreguiçar-me, neste sofá de veludo azul, onde posso espetar e polir as minhas unhas cor-de rosa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou! Já o ouço aos gritos: Nini! Nini!&lt;br /&gt;Se ele pensa que vou levantar, para ir, a correr ter com ele e interromper, assim de repente, este doce enlevo de sossego e de paz, está muito enganado!&lt;br /&gt;Ele  é que tem de vir ter comigo e acariciar-me a barriga! Por acaso, hoje, apetece-me imenso que me acaricie a barriga! Que é cor-de-rosa e macia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sei, vai abraçar-me! Mas, se amarrota ou, tira do lugar, o meu laço de seda verde, dou-lhe uma arranhadela, na careca! Não, dou-lhe duas arranhadelas, na careca! &lt;br /&gt;Preciso de ir ao instituto de beleza e, se o magoar muito, ele leva-me lá mais depressa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lá fora, dizem, ele é agressivo e intratável. Até me contaram que, um dia, confessou, aos gritos, na Assembleia da República, uma casa que não conheço, mas onde se reúne gente muito importante, que gosta de malhar à direita e à esquerda, mas especialmente, à direita! &lt;br /&gt;Cá em casa, sou eu que malho nele, quer dizer, sou eu que lhe dou unhadas e o esgatanho! Quando me aborrece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não posso exagerar! &lt;br /&gt;É que eu sou esquisita! Como membro da mais depurada realeza, sou alérgica a sardinhas, a carapau e a enlatados do supermercado! Só como carne, se for fillet mignon, e o peixe tem de ser fresco, carnudo e macio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou-me ao colo! Adoro ser preguiçosa e odeio que me incomodem, quando descanso! Tirou-me do sol e eu dou-lhe uma unhada! Não, dou-lhe duas unhadas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, todo babado, gostava que o vissem, diz-me que me trouxe o meu perfume e um patê francês.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico à espera  de o ouvir dizer que me vai levar ao Ronron`s Spa, para um tratamento de beleza completo. &lt;br /&gt;Em vez disso, diz-me todo melado: &lt;br /&gt;“Então, Nini, nem sequer te ouço um Miau de agradecimento?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ensandeceu! Tanto malhou à direita, tanto malhou à esquerda, especialmente, à direita, que enlouqueceu! Eu, uma gata de raça nobre, eu, uma felina da mais pura linhagem, eu, uma tigreza elegante, requintada, fina, com sangue real persa a correr-me nas veias,  soltar um suburbano, um mísero  Miau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não posso exagerar! &lt;br /&gt;Por isso e para lhe agradar, sussuro-lhe, mesmo junto da possidónia orelhinha,  um chic, doce e encantador Miôôôô...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6417298890553673048?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6417298890553673048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6417298890553673048' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6417298890553673048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6417298890553673048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/confissoes-de-uma-nini-preguicosa.html' title='Confissões de uma Nini preguiçosa, a espreguiçar-se ao sol...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1306371681109621457</id><published>2011-04-12T11:07:00.000-07:00</published><updated>2011-04-12T11:14:24.652-07:00</updated><title type='text'>O Tempo sob o signo de Saramago e ... não só!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Saramago escreveu: "... o tempo chove sobre nós, o tempo afoga-nos."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, prosaicamente,  digo que o tempo voa, o tempo corre. Corre, infatigável, à minha frente, como um cão desconfiado e fugidio. E eu corro, desesperadamente, atrás dele, dividida entre o medo que ele me arreganhe os dentes e me abocanhe, e o desejo vão de o alcançar e o de prender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, porque o tempo é  imparável e corredio, ali, mesmo ali, naquele canto, acumulam-se as rimas que não rimei, os poemas que deixei  por acabar, os textos, mutilados, sem um final, os livros que ainda não li, os telefonemas que não fiz, as palavras que não disse, os sonhos que, na pressa, me esqueci de sonhar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo corre solto, corre rápido e, nessa correria, a vida transforma-se, liquefaz-se no vento.  O tempo transforma tudo em si mesmo,  diz-nos  o Poeta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu vou-me perdendo no tempo, na teia que o tempo, sem piedade, tece! Que o vento, impetuoso, desfaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há sempre tanto para fazer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;José Luís Peixoto, in “ A Casa, A Escuridão”,  dá-nos esta belíssima explicação do tempo e da eternidade: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devagar, o tempo transforma tudo em tempo. &lt;br /&gt;o ódio transforma-se em tempo, o amor &lt;br /&gt;transforma-se em tempo, a dor transforma-se &lt;br /&gt;em tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os assuntos que julgámos mais profundos, &lt;br /&gt;mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, &lt;br /&gt;transformam-se devagar em tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por si só, o tempo não é nada. &lt;br /&gt;a idade de nada é nada. &lt;br /&gt;a eternidade não existe. &lt;br /&gt;no entanto, a eternidade existe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. &lt;br /&gt;os instantes do teu sorriso eram eternos. &lt;br /&gt;os instantes do teu corpo de luz eram eternos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foste eterna até ao fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saramago escreveu:  “a vida é  breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver”. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não temos tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E também porque, como nos diz João de Deus: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é o dia de hoje,&lt;br /&gt;A vida é ai que mal soa,&lt;br /&gt;A vida é sombra que foge,&lt;br /&gt;A vida é nuvem que voa;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é sonho tão leve&lt;br /&gt;Que se desfaz como a neve&lt;br /&gt;E como o fumo se esvai:&lt;br /&gt;A vida dura num momento,&lt;br /&gt;Mais leve que o pensamento,&lt;br /&gt;A vida leva-a o vento,&lt;br /&gt;A vida é folha que cai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é flor na corrente,&lt;br /&gt;A vida é sopro suave,&lt;br /&gt;A vida é estrela cadente,&lt;br /&gt;Voa mais leve que a ave:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuvem que o vento nos ares,&lt;br /&gt;Onda que o vento nos mares,&lt;br /&gt;Uma após outra lançou,&lt;br /&gt;A vida – pena caída&lt;br /&gt;Da asa da ave ferida&lt;br /&gt;De vale em vale impelida&lt;br /&gt;A vida o vento levou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1306371681109621457?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1306371681109621457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1306371681109621457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1306371681109621457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1306371681109621457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/o-tempo-sob-o-signo-de-saramago-e-nao.html' title='O Tempo sob o signo de Saramago e ... não só!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8183984380353878884</id><published>2011-04-09T08:46:00.001-07:00</published><updated>2011-04-10T09:09:24.519-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Pablo Neruda'/><title type='text'>Recordando Pablo Neruda</title><content type='html'>Hoje, eu quero enfeitar e enriquecer o meu blogue com estes poemas de Pablo Neruda, sem esquecer o belíssimo "Puedo escribir los versos más tristes esta noche", de que gosto particularmente! Lanço-os, aqui, na língua original porque as traduções são perigosas, sobretudo, na Poesia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Soneto XVII&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No te amo como se fueras rosa de sal, topacio &lt;br /&gt;o flecha de claveles que propagan el fuego: &lt;br /&gt;te amo como se aman ciertas cosas oscuras, &lt;br /&gt;secretamente, entre la sombra y el alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te amo como la planta que no florece y lleva &lt;br /&gt;dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores, &lt;br /&gt;y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo &lt;br /&gt;el apretado aroma que ascendió de la tierra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde, &lt;br /&gt;te amo directamente sin problemas ni orgullo: &lt;br /&gt;así te amo porque no sé amar de otra manera,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sino así de este modo en que no soy ni eres, &lt;br /&gt;tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía, &lt;br /&gt;tan cerca que se cierran tu ojos con mi sueño.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pablo Neruda - Cien sonetos de amor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No se cuentan las ilusiones &lt;br /&gt;ni las comprensiones amargas, &lt;br /&gt;no hay medida para contar &lt;br /&gt;lo que podría pasarnos, &lt;br /&gt;lo que rondó como abejorro &lt;br /&gt;sin que no nos diéramos cuenta &lt;br /&gt;de lo que estábamos perdiendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder hasta perder la vida &lt;br /&gt;es vivir la vida y la muerte &lt;br /&gt;y son cosas pasajeras &lt;br /&gt;sino constantes evidentes &lt;br /&gt;la continuidad del vacío, &lt;br /&gt;el silencio en que cae todo &lt;br /&gt;y por fin nosotros caemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ay! lo que estuvo tan cerca &lt;br /&gt;sin que pudiéramos saber. &lt;br /&gt;Ay! lo que no podía ser &lt;br /&gt;cuando tal vez podía ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas alas circunvolaron &lt;br /&gt;las montañas de la tristeza &lt;br /&gt;y tantas ruedas sacudieron &lt;br /&gt;la carretera del destino &lt;br /&gt;que ya no haya nada que perder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se terminaron los lamentos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pablo Neruda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Puedo escribir los versos...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos más tristes esta noche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escribir, por ejemplo: “La noche está estrellada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El viento de la noche gira en el cielo y canta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos más tristes esta noche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo la quise, y a veces ella también mi quiso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La besé tantas veces bajo el cielo infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ella me quiso, a veces yo también la queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos más tristes esta noche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y el verso cae al alma como al pasto el rocio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qué importa que mi amor no pudiera guardala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La noche está estrellada y ella no está conmigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi alma no se contenta com haberla perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como para acercala mi mirada la busca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mi alma no se contenta com haberla perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y éstos sean los últimos versos que yo le escribo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pablo Neruda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8183984380353878884?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8183984380353878884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8183984380353878884' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8183984380353878884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8183984380353878884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/recordando-pablo-neruda.html' title='Recordando Pablo Neruda'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1275248076024555647</id><published>2011-04-07T05:03:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T16:16:27.038-07:00</updated><title type='text'>Retalhos do diário de um Bernardo qualquer...</title><content type='html'>Chamo-me Bernardo, estou numa casa de correcção e vou usar este caderno de capa preta, que me deram ontem, para escrever o meu diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, não sei o que hei-de escrever. Amanhã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento fazer de conta, mas tenho pena que a minha mãe venda o corpo na prostituição e venda a alma no tráfico da droga!&lt;br /&gt;Contudo, não gosto dela! É seca, fria, ríspida e agressiva!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, tenho saudades da minha mãe que já se esqueceu de mim, há muito tempo, e do afecto e do companheirismo do pai que nunca conheci!&lt;br /&gt;Nos meus momentos de delírio, penso como tudo seria diferente se eu tivesse tido outros pais e o que chamam, uma vida normal e tranquila! E, sobretudo, se tivesse sido amado... Nunca ninguém me amou e eu acho que nunca amei ninguém... Por isso, a bem dizer, nem sei o que é isso de amar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de conhecer umas miúdas giras, que não fossem fáceis e soubessem conversar, sem dizerem um palavrão em cada três palavras! &lt;br /&gt;Gostava, mesmo, de ter uma namorada que me curtisse, como sou: feio, com espinhas na cara, desengonçado e pouco esperto! Bronco, pronto! Aqui, dizem que sou um bronco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu não queria, mas vivo roído de inveja! Tenho uma inveja tremenda dos gajos da minha idade que são bem-parecidos , andam bem vestidos e cheiram bem, têm um quarto só para eles, com computador e televisão e nunca se viram atirados para o gamanço, porque era  preciso trazer dinheiro para casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que cobiça é querer o que não se tem! &lt;br /&gt;Inveja é querer que o outro não tenha o que não se tem e mostra o instinto do roubo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu não sou filósofo, mas sinto que ando roído por tudo isso, pela cobiça e pela inveja! E, também por esta revolta, esta raiva imensa que me sufoca e me consome e  que estas grades pesadas, que me prendem, não  conseguem conter! &lt;br /&gt;Porque não é aqui, nesta casa, que  me vou tornar num homem digno, um homem de bem  e honesto, como eles dizem, embora não acreditem! Porque não acreditam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei, isso sim, que já tenho uma vida, à minha medida, lá fora, à  minha  espera! &lt;br /&gt;Uma vida, como a de nós todos que aqui estamos, que é um beco escuro, sem saída, onde não se vislumbra a Esperança, nem se vê Futuro!  Porque, se calhar,  nem queremos, sei lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ter de parar de escrever porque, para dizer a verdade, não vejo mesmo nada! &lt;br /&gt;Estou cego pelas lágrimas grossas de pura raiva, que me encharcam o rosto  e por esta inveja má, virulenta, medonha, cada vez mais forte, cada vez mais mortal, cada vez mais profundamente,  enraizada em mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1275248076024555647?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1275248076024555647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1275248076024555647' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1275248076024555647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1275248076024555647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/retalhos-do-diario-de-um-bernardo.html' title='Retalhos do diário de um Bernardo qualquer...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2153789307594087071</id><published>2011-04-05T08:14:00.000-07:00</published><updated>2011-04-05T08:17:58.362-07:00</updated><title type='text'>Aguarela</title><content type='html'>Hoje o dia amanheceu radioso, como uma aguarela! Vestiu-se  com as cores claras da Primavera, enfeitou-se  de ouro, deixou  a brisa branda despentear-lhe os cabelos e despertou  a terra, ainda estremunhada, com o brilho da sua luz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, nesse abraço luminoso e  morno, o meu coração, cheio de alegria e de esperança, bate muito, bate forte, bate assim, como se eu fosse, de novo, menina: tic-tac, tic-tac, tic-tac!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quadros impressionistas, coloridos e leves, vieram até mim, numa torrente de ternas recordações, os passeios à beira-mar, as corridas com os meus cães, o baloiço, os livros, os beijos, as palavras soltas, os risos, e os divertidos piqueniques da minha meninice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este dia de Primavera condiz com  a gloriosa beleza da “Aguarela” de Cesário, onde, eternizado, com palavras e rimas, ainda decorre, numa tarde como esta,  um delicioso piquenique, com um burrico manso, um granzoal azul, o cheiro doce do melão, dos damascos, do pão de ló e da malvasia, e o precioso detalhe e a graça de um decote atrevido, enfeitado de renda e de papoilas rubras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele “pic-nic” de burguesas,&lt;br /&gt;Houve uma coisa simplesmente bela,&lt;br /&gt;E que, sem ter história nem grandezas,&lt;br /&gt;Em todo o caso dava uma aguarela.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Foi quando tu, descendo do burrico,&lt;br /&gt;Foste colher, sem imposturas tolas,&lt;br /&gt;A um granzoal azul de grão de bico&lt;br /&gt;Um ramalhete rubro de papoulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, em cima duns penhascos,&lt;br /&gt;Nós acampámos, indo o sol se via;&lt;br /&gt;E houve talhadas de melão, damascos&lt;br /&gt;E pão de ló molhado em malvasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, todo púrpuro, a sair da renda&lt;br /&gt;Dos teus dois seios como duas rolas,&lt;br /&gt;Era o supremo encanto da merenda&lt;br /&gt;O ramalhete rubro das papoulas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesário Verde&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2153789307594087071?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2153789307594087071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2153789307594087071' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2153789307594087071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2153789307594087071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/04/aguarela.html' title='Aguarela'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5255742677072362034</id><published>2011-03-31T05:34:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T07:10:01.906-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pedaços de um conto'/><title type='text'>Pedaços de uma paixão</title><content type='html'>Tinha-a visto hoje! Pela segunda vez, em onze anos, tinha-a visto, esta manhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não o vira. Melhor assim! O coração dele disparara, num turbilhão de doidas emoções, como se uma rajada de vento o tivesse atingido brutalmente e as mãos, trémulas e suadas, atrapalharam-se ao volante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha viajado muito mas, para onde quer que as suas atribulações o tivessem arrastado, ela estivera lá, a seu lado e, por isso,  nunca se sentira, totalmente sozinho. Porque, como alguém escreveu, “se a imagem do ser amado continuar viva no nosso coração, o mundo inteiro é a nossa casa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele casou no Verão. No início desse ano... mandou-lhe entregar, duas dúzias de  rosas chá! &lt;br /&gt;Sem cartão! Não era preciso... Ela sabia!&lt;br /&gt;Um mês depois, no dia dos Namorados, um dia que, afinal, não era deles, mandou-lhe, também e ainda assim, um ramo de rosas vermelhas! &lt;br /&gt;Sem cartão! Não era preciso... Ela sabia!&lt;br /&gt;Ele nunca lhe falou das rosas. Ela nunca lhas agradeceu! &lt;br /&gt;Não era preciso... Eles sabiam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separaram-se e, em onze anos, esta era a segunda vez que a via! Tentou respirar fundo, para aliviar a opressão que parecia esmagar-lhe o peito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, compreendeu, que o seu amor por ela, continuava vivo e infatigável, sempre renascido, como um braseiro que se reacende, vibrante, com uma rajada de vento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como a árvore que, sempre que chove, chora, também ele, porque a vira tão perto e a soube tão longe, chorou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5255742677072362034?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5255742677072362034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5255742677072362034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5255742677072362034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5255742677072362034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/03/pedacos-de-uma-paixao.html' title='Pedaços de uma paixão'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1462085555856248680</id><published>2011-03-09T06:05:00.001-08:00</published><updated>2011-03-09T06:24:46.090-08:00</updated><title type='text'>De víbora na mão</title><content type='html'>Estou a reler, sei lá quantas vezes já li, "Vipere au poing" - "De víbora na mão" de Hervé Bazin! &lt;br /&gt;Este é um dos livros da minha vida! Estou a relê-lo numa edição barata, Unibolso, um livro velhinho, amarelecido, muitas vezes manuseado, com aquele toque gostoso, macio, quase lascivo do papel! Esse delicioso prazer ao toque, o Kindle, de que tanto gosto, realmente, não dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"De víbora na mão" &lt;/strong&gt;é o primeiro romance de Hervé Bazin, um Escritor fabuloso, que foi presidente da Academia Goncourt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma obra autobiográfica e perversa, que desmitifíca a imagem da mãe, aqui descrita como uma mulher seca, feia, mesquinha, que o autor sonhou matar, mas também uma mulher corajosa, forte, a quem ele consagrou um ódio mesclado de admiração.  Bazin criou a sua obra literária a partir de recordações pessoais e nenhum escritor falou da família com tanta ferocidade como ele.&lt;br /&gt;Como ele próprio afirma, Bazin é o resultado da sua juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Essa víbora, a tua víbora, brando-a eu, agito-a, avanço na vida com esse troféu... Obrigado, minha mãe! Eu sou aquele que caminha com uma víbora na mão."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendo, vivamente, a leitura deste magnífico livro. No original, se possível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1462085555856248680?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1462085555856248680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1462085555856248680' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1462085555856248680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1462085555856248680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/03/de-vibora-na-mao.html' title='De víbora na mão'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-736934072613146712</id><published>2011-03-08T11:17:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T11:38:19.258-08:00</updated><title type='text'>Mulher</title><content type='html'>Uma frase escrita na pedra, para todas as mulheres, neste dia da Mulher: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A humanidade masculina divide-se em dois grupos: areia e falésia.&lt;br /&gt;A mulher é sempre o oceano!"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claude Aveline&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher, como o oceano, é imensa, profunda! &lt;br /&gt;Ela é azul e transparente, na ternura e quando ama, &lt;br /&gt;negra e viscosa, na revolta e na zanga! &lt;br /&gt;Mas, ondulante e erótica ou em turbilhão e ululando em fúria, &lt;br /&gt;ela é sempre eterna e poderosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tua pele toda a terra treme&lt;br /&gt;alguém fala com Deus alguém flutua&lt;br /&gt;há um corpo a navegar e um anjo ao leme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das tuas coxas pode ver-se a Lua&lt;br /&gt;contigo o mar ondula e o vento geme&lt;br /&gt;e há um espírito a nascer de seres tão nua...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel Alegre&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma mulher madura que ainda brinca no baloiço.&lt;br /&gt;Sou uma menina de salto alto, que ri e cora.&lt;br /&gt;Sou uma mulher que decide, mas que também balança.&lt;br /&gt;Sou uma menina cansada que, às vezes, grita e chora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-736934072613146712?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/736934072613146712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=736934072613146712' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/736934072613146712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/736934072613146712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/03/mulher.html' title='Mulher'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4985039825627514910</id><published>2011-03-08T11:15:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T11:33:43.212-08:00</updated><title type='text'>Há?... Gostaria...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Procuro alguém&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro alguém que tenha olhos que me olhem fundo.&lt;br /&gt;Alguém que tenha pensamentos comigo. E palavras comigo também.&lt;br /&gt;Procuro alguém que segure muito a minha mão. No cinema, no caminho.&lt;br /&gt;Alguém que adore fazer carinho nas costas e que goste de colo.&lt;br /&gt;Procuro alguém com quem eu converse até amanhecer o dia.&lt;br /&gt;Alguém que durma ao meu lado sorrindo, sem hora.&lt;br /&gt;Procuro alguém que cante alto, ria, pule e brinque igual criança.&lt;br /&gt;Alguém que grite de alegria à toa, só por estarmos lá.&lt;br /&gt;Procuro alguém que almoce comigo em família. E que participe.&lt;br /&gt;Alguém para quem eu leve o jantar, as flores, os detalhes.&lt;br /&gt;Procuro alguém que tenha o que dizer nas conversas ao redor da mesa.&lt;br /&gt;Alguém que dê risada das piadas e que conte outras.&lt;br /&gt;Procuro alguém que tenha detalhes nossos como tesouros.&lt;br /&gt;Alguém que queira ir aos novos lugares, que corra riscos.&lt;br /&gt;Procure alguém que goste de teatro, e de cinema, e de carinho.&lt;br /&gt;Alguém que ame coisas pequenas. Alguém que tenha Deus.&lt;br /&gt;Procuro alguém que me traga de volta as vontades.&lt;br /&gt;Alguém que me provoque, me motive, me acompanhe.&lt;br /&gt;Procuro alguém que queira abraço no frio e carnaval no calor.&lt;br /&gt;Alguém que vá comigo. Alguém que me leve para onde quiser ir.&lt;br /&gt;Procuro alguém que saiba receber e que dê sem cobranças bobas.&lt;br /&gt;Alguém que saiba que não precisa cobrar. Porque há amor.&lt;br /&gt;Procuro alguém que tenha segurança mas que precise de mim também.&lt;br /&gt;Alguém que tope ir a todo tipo de peça. Alguém que me faça fazer exercícios.&lt;br /&gt;Procuro alguém que me telefone no fim do dia e me conte como foi.&lt;br /&gt;Alguém que escute com graça o que eu tenha pra contar.&lt;br /&gt;Procuro alguém que imagine coisas boas, que compartilhe idéias e histórias.&lt;br /&gt;Alguém que não ache nada bobo demais. E que ache tudo bobo e divertido!&lt;br /&gt;Procuro alguém que seja simples, mas com ousadia e ar condicionado no verão.&lt;br /&gt;Alguém que coma pastel na feira - de queijo, de carne, de palmito e de camarão.&lt;br /&gt;Procuro alguém que ache gostoso ir ao supermercado comigo.&lt;br /&gt;Alguém que se arrisque na cozinha e que me ensine a não usar tanto sal.&lt;br /&gt;Procuro alguém que compre Caras! sem culpa e que assista a Castle.&lt;br /&gt;Alguém que compartilhe meu fascínio por Pamuk. E que também o ame.&lt;br /&gt;Procuro alguém que finja não ter, para de repente ter o susto de ter!&lt;br /&gt;Alguém que leia, que procure, que insista, que questione, que responda.&lt;br /&gt;Procuro alguém com força e com delicadeza.&lt;br /&gt;Procuro alguém com saudade.&lt;br /&gt;Procuro alguém com silêncio e com discursos.&lt;br /&gt;Procuro alguém com tempo.&lt;br /&gt;Procuro alguém sem tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andy &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostaria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria compartilhar contigo os momentos mais simples&lt;br /&gt;e sem importância.&lt;br /&gt;Por exemplo:&lt;br /&gt;sair contigo para passear, sentir-me apoiada em teu braço,&lt;br /&gt;ver-te feliz ao meu lado&lt;br /&gt;alheio a todo mundo que passasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,&lt;br /&gt;tomar sorvete, sentar num restaurante diante do mar,&lt;br /&gt;olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo&lt;br /&gt;despreocupadamente,&lt;br /&gt;e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino&lt;br /&gt;que se divide em "tu e eu"&lt;br /&gt;quando chega gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrar alguém que perguntasse: &lt;br /&gt;"Então, como vão vocês?"&lt;br /&gt;E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome&lt;br /&gt;e juntasse assim nossos nomes, naturalmente,&lt;br /&gt;na mesma preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de poder de repente te dizer:&lt;br /&gt;Vamos voltar pra casa...&lt;br /&gt;(Como se felicidade pudesse ser uma coisa&lt;br /&gt;a que tivéssemos direito como toda gente)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Queria partilhar contigo os momentos menores&lt;br /&gt;da minha vida,&lt;br /&gt;porque os grandes já são teus.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor desconhecido&lt;br /&gt;(Mas é como se fosse eu...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4985039825627514910?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4985039825627514910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4985039825627514910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4985039825627514910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4985039825627514910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/03/ha-gostaria.html' title='Há?... Gostaria...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4196449146079173430</id><published>2011-03-06T05:05:00.001-08:00</published><updated>2011-03-06T15:53:26.651-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carnaval - Poesia'/><title type='text'>Máscara</title><content type='html'>É Carnaval, tempo de fantasia, samba, festa até raiar a manhã e muita alegria!&lt;br /&gt;Carnaval lembra máscaras, absolutamente lindas algumas, as venezianas, e atamancadas e feias, outras! Mas, será que uso eu, usas tu máscaras, só no Carnaval??&lt;br /&gt;Talvez não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"We all wear masks and the time comes when we cannot remove them without removing some of our skin."&lt;br /&gt;...Andre Berthiaume&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está: usamos máscaras, muitas máscaras, neste eterno carnaval, que é a vida; máscaras de choro e de riso, máscaras de sedução e de manha, máscaras angélicas e depravadas, perdidas... Mas, quando chega o momento, chega sempre, implacável, terrível, o momento de tirar, nem que seja só uma delas, não a tiramos, sem arrancar pedaços da nossa própria pele! Pedaços de alma! Pedaços de vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depus a Máscara &lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depus a máscara e vi-me ao espelho. — &lt;br /&gt;Era a criança de há quantos anos. &lt;br /&gt;Não tinha mudado nada... &lt;br /&gt;É essa a vantagem de saber tirar a máscara. &lt;br /&gt;É-se sempre a criança, &lt;br /&gt;O passado que foi &lt;br /&gt;A criança. &lt;br /&gt;Depus a máscara, e tornei a pô-la. &lt;br /&gt;Assim é melhor, &lt;br /&gt;Assim sem a máscara. &lt;br /&gt;E volto à personalidade como a um términus de linha. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Álvaro de Campos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O outro carnaval &lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasia,&lt;br /&gt;que é fantasia, por favor?&lt;br /&gt;Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?&lt;br /&gt;Ou antes, e principalmente,&lt;br /&gt;brinquedo sigiloso, tão íntimo,&lt;br /&gt;tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,&lt;br /&gt;que ninguém percebe, e todos os dias&lt;br /&gt;exibo na passarela sem espectadores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Carlos Drummond de Andrade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carnaval só nosso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestidos de arco-íris vamos pelo salão&lt;br /&gt;No compasso patente desse louco amor.&lt;br /&gt;Ao conhecer na pele o toque da tua mão&lt;br /&gt;Antevejo paixão nos teus braços, Pierrot.&lt;br /&gt;Sem máscaras agora, somos apenas nós&lt;br /&gt;Brincando na fantasia, que nos alucina&lt;br /&gt;Esquecendo o tempo, esse nosso algoz&lt;br /&gt;Recheamos de encanto cada verso, e rima.&lt;br /&gt;O intenso brilho do teu olhar afiança&lt;br /&gt;Que não haverá cinzas na quarta- feira.&lt;br /&gt;E o sabor da boca acorda a esperança&lt;br /&gt;Que chega vestindo a alma, sorrateira.&lt;br /&gt;Alegria rara, de repente nos envolve&lt;br /&gt;No enredo desse amor, rumo certeiro&lt;br /&gt;Desatina o coração, embriaga, absorve&lt;br /&gt;Diz que vai ser carnaval o ano inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Glória Salles&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com aquele abraço, aos meus queridos seguidores!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4196449146079173430?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4196449146079173430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4196449146079173430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4196449146079173430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4196449146079173430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/03/mascara.html' title='Máscara'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-7423450328103154310</id><published>2011-02-23T10:49:00.000-08:00</published><updated>2011-03-29T15:43:21.767-07:00</updated><title type='text'>Escrito na pedra</title><content type='html'>Li hoje esta frase lapidar, que me deixou a reflectir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;" &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Em primeiro lugar, Deus criou os idiotas. Foi para praticar. Depois criou os conselhos pedagógicos."&lt;br /&gt;Mark Twain&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Estou muito mais descansada! Vi esclarecida uma dúvida que, até certo ponto, assombrou a minha vida profissional.&lt;br /&gt;...Percebi, enfim, porque os Conselhos Pedagógicos, do alto da sua importância, fazem, alegremente e convictamente, tanta asneira: &lt;strong&gt;Deus, quando os&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;criou,  não tinha praticado o suficiente!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-7423450328103154310?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/7423450328103154310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=7423450328103154310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7423450328103154310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7423450328103154310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/escrito-na-pedra.html' title='Escrito na pedra'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2707888081848047539</id><published>2011-02-21T11:30:00.000-08:00</published><updated>2011-02-21T11:41:49.104-08:00</updated><title type='text'>Um Portugal paralelo</title><content type='html'>Ouvir o Primeiro Ministro falar sobre o País, faz-me sentir suspensa entre&lt;br /&gt;uma imenso espanto e uma profunda depressão.&lt;br /&gt; Na verdade, embalada pelas suas belas e assertivas palavras, esqueço o&lt;br /&gt;atraso de vida em que vivemos e sinto-me, por assim dizer, transportada para&lt;br /&gt;um País maravilhoso, moderno, altamente competitivo, com excelente qualidade&lt;br /&gt;de vida e onde os dias decorrem, serenos e fartos, entre rosas, pão e vinho doce!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Economia está, apesar das más línguas, em crescendo, com a boa execução orçamental e o défice, ( palavra horrorosa!), controlado!&lt;br /&gt; Neste País do seu contentamento, e nas suas palavras, a cruz do desemprego parece que vai  tornar-se mais leve, porque ele, o Primeiro Ministro, com as grandes obras que determinou levar a cabo e com as inúmeras primeiras pedras que tem lançado,  vai criar milhares de bons e seguros empregos, que, nas suas abençoadas mãos, vão crescer como carnudos cogumelos! &lt;br /&gt;Os salários sofreram pequenas reduções, mas foi a bem da Nação,  as pensões, no geral, mantêm-se estáveis e a  inflação,, surpreendentemente, também parece ter descido!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Saúde é, agora, óptima, com as excelentes medidas que têm sido tomadas!&lt;br /&gt;Os Hospitais, quais hotéis de cinco estrelas, são numerosos e os doentes&lt;br /&gt;tratados por Médicos que têm ao seu dispor o melhor equipamento médico, com&lt;br /&gt;a mais avançada tecnologia, e são muito pacientes e serenos, porque não trabalham&lt;br /&gt;demais, sem condições, dias a fio!&lt;br /&gt; As enfermeiras circulam,quais borboletas esvoaçantes, pelas enfermarias, calmas e sorridentes, porque cada uma não tem de trabalhar por duas, mortas de cansaço!&lt;br /&gt; Os Centros de Saúde,(há imensos), são locais arejados e bem decorados, com&lt;br /&gt;salas de espera encantadoras e confortáveis mas, praticamente,&lt;br /&gt;desnecessárias, porque os utentes são atendidos rapidamente e com extrema&lt;br /&gt;solicitude!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em caso de doença súbita ou acidente, está tudo muito bem organizado, a&lt;br /&gt;assistência é espantosamente rápida e muito eficiente! Ninguém morre à&lt;br /&gt;espera de socorro e as estradas, no caso de acidente, nunca ficam impedidas&lt;br /&gt;dias, manhãs, tardes ou noites inteiras, provocando filas quilométricas de&lt;br /&gt;carros.&lt;br /&gt; Raramente há inundações ou incêndios porque as ruas, as margens dos rios e,&lt;br /&gt;sobretudo, as matas e os bueiros estão sempre impecavelmente limpos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na Educação, são emocionantes as medidas fantásticas e inovadoras que têm&lt;br /&gt;sido tomadas!&lt;br /&gt; Há cada vez mais Escolas, enormes, modernas e confortáveis, para que os alunos se&lt;br /&gt;sintam felizes e seguros e não tenham de perder horas preciosas de sono, de estudo  e de brincadeira, percorrendo, enjoados e vomitados, longas distâncias, de&lt;br /&gt;camioneta!&lt;br /&gt; Os Professores queixam-se sem razão, pois são tratados com todo o respeito,&lt;br /&gt;a mais elevada consideração e, porque não dizê-lo, com muito afecto, pelos&lt;br /&gt;responsáveis da tutela que os admira, acarinha e apoia imenso! Nas aulas, os&lt;br /&gt;alunos, ávidos de aprender e saber sempre mais, não agridem, nem insultam os&lt;br /&gt;professores, nem se desfazem e roubam, uns aos outros, no recreio! Só em&lt;br /&gt;casos muito, mesmo muito pontuais, sem qualquer importância!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O Primeiro Ministro quase não menciona a Justiça porque, realmente, a&lt;br /&gt;Justiça quase não existe. Mas, de facto, num País onde tudo funciona tão&lt;br /&gt;bem, onde não há violência, onde não há crime, onde não há  corrupção  e&lt;br /&gt;onde são todos inocentes, puros e cândidos, a Justiça não é, sequer, precisa! Aqui,&lt;br /&gt;encontra-se, quiçá, a razão para que, Esquadras desapareçam e, em algumas, haja só um polícia!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas, este não é, infelizmente, o nosso País real, aquele onde, mergulhados&lt;br /&gt;numa profunda depressão, esgaravatamos, com sacrifício, suor e lágrimas, o&lt;br /&gt;pão nosso de cada dia!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me de ter lido, há tempos, uns artigos muito interessantes, sobre a&lt;br /&gt;existência de mundos paralelos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez, Sócrates seja Primeiro Ministro de um Portugal paralelo a este,&lt;br /&gt;igualzinho a este na forma, mas, um Portugal virtual, criado por suas mãos e&lt;br /&gt;onde ele é o garboso, competente e mui amado governante, um País fantástico&lt;br /&gt;e perfeito e que não é senão, uma trágica anedota de muito mau gosto, em comparação com este Portugal decadente, pobremente vestido de escuro, exasperado, esgotado e cada vez mais empobrecido, onde o desemprego aumenta exponencialmente, onde os custos do financiamento disparam, onde a despesa do estado derrapa vergonhosamente, onde a sombra ameaçadora da recessão nos tolhe, onde a assistência social é um falhanço e que é, afinal,  a nossa triste, desgraçada realidade! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2707888081848047539?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2707888081848047539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2707888081848047539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2707888081848047539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2707888081848047539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/um-portugal-paralelo.html' title='Um Portugal paralelo'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-933677727648813158</id><published>2011-02-16T09:56:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T10:23:18.332-08:00</updated><title type='text'>Invisible - Paul Auster</title><content type='html'>Acabei de ler, no meu Kindle, &lt;strong&gt;"Invisible", do fabuloso escritor que é Paul Auster.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraordinariamente construído, em quatro partes que se entrecruzam, três narradores contam uma história perturbante, que se desloca no tempo, 1967- 2007, e no espaço, entre NY , Paris e Quillia, uma ilha remota nas Caraíbas.&lt;br /&gt;É uma história de amor, ou uma série de histórias de amor interligadas, com um jovem, Adam Walker, no centro de todas. &lt;br /&gt;Logo no início do livro, ficamos a conhecer um pouco de  Adam: “I was a second-year student at Columbia then,  a know-nothing boy with an appetite for books and a belief (or delusion) that one day I would become good enough to call myself a poet…”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;strong&gt;“Invisible”&lt;/strong&gt; Auster leva-nos até às fronteiras sombrias entre a  verdade e a memória, entre a criação e a identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há em &lt;strong&gt;"Invisible"&lt;/strong&gt; uma busca implacável por justiça e uma sexualidade desenfreada que pode ser chocante, na sua crueza, embora o final nos suscite a dúvida se teria realmente acontecido um crime e se teria, de facto, existido uma relação pecaminosa de amor e de sexo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Destaco aqui umas frases do livro que talvez dêem sentido a &lt;strong&gt;Invisible&lt;/strong&gt;, ou não:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; " By writing about myself in the first person, I had smothered myself and made myself invisible, had made it impossible for me to find the thing I was looking for… I needed to separate myself from myself... I returned to the beginning of Part Two and began writing it in the third person.&lt;strong&gt; I &lt;/strong&gt;became &lt;strong&gt;He &lt;/strong&gt;and the distance created by that small shift allowed me to finished the book.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; " Ao escrever sobre mim na primeira pessoa, eu sufocara-me e tornara-me &lt;strong&gt;invisível&lt;/strong&gt;, o que me impedia de encontrar o que procurava..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-933677727648813158?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/933677727648813158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=933677727648813158' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/933677727648813158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/933677727648813158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/invisible-paul-auster.html' title='Invisible - Paul Auster'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4360155476789336515</id><published>2011-02-14T08:16:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T09:18:47.450-08:00</updated><title type='text'>" O cão de Sócrates" - António Ribeiro (pseudónimo)</title><content type='html'>Fiquei, por estes dias, a saber, que o cão de Sócrates é um cão profundamente deprimido, um cão que vive a comprimidos e que visita o psicólogo regularmente! Tudo por causa do dono, cujas manias e alterações de humor, atura há seis longos anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Assim sendo, e na tentativa de se ver livre da terrível depressão que o aflige, procura desesperadamente um novo dono! Quem, caridosamente, lhe quiser dar um novo lar, deve mandar curriculo detalhado, com fotografia, para: caodesocrates@gmail.com.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que o detalhe da fotografia é importante!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu gostaria imenso de o acolher, seria mesmo uma alegria e uma honra, mas rodeado pelas minhas seis jovens, belíssimas e charmosas cadelas, o pobre cão correria o risco de enlouquecer completamente e sem qualquer possibilidade de cura! &lt;br /&gt;E eu não quero esse peso na consciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recomendo vivamente o livro "O cão de Sócrates"&lt;/strong&gt; onde o rafeiro  a quem, um dia, o Primeiro Ministro, com paciência e autoridade, mostrou que era possível ser rafeiro e ter classe, ser cão e ter orgulho e ajudou a tornar-se, como o dono, um animal feroz, nos conta a sua comovente história de devoção e mais tarde de profundo stress!&lt;br /&gt;A conselho do seu psicólogo, que lhe recomendou que não se fechasse em si e expusesse a sua vida abertamente, ele conta, como parte importante da sua terapia, tudo o que lhe aconteceu ao longo desses seis anos! &lt;br /&gt;Como se compreende, o cão, que apesar da sua deprimente tristeza, é esperto, prefere manter o anonimato, porque aterroriza-o pensar que pode ser obrigado a regressar ao Canil Municipal ou a S. Bento!&lt;br /&gt;Quanto a mim, que aqui publicito este livro, excelentemente escrito, com paixão canina, espero não ir ver, por estes dias, o sol nascer quadrado!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Se o cão do primeiro Ministro do país está em mergulhado em profunda depressão, é de admirar que mais e metade dos portugueses se arraste, num perigoso estado depressivo e também eles tentem, militantemente, encontrar um novo "dono" para governar o país?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4360155476789336515?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4360155476789336515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4360155476789336515' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4360155476789336515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4360155476789336515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/o-cao-de-socrates-antonio-ribeiro.html' title='&quot; O cão de Sócrates&quot; - António Ribeiro (pseudónimo)'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6281440437516399744</id><published>2011-02-14T08:00:00.001-08:00</published><updated>2011-02-14T08:05:28.016-08:00</updated><title type='text'>Todas a cartas de amor... ridículas.</title><content type='html'>Todas as cartas de amor são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;Não seriam cartas de amor se não fossem&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também escrevi em meu tempo cartas de amor,&lt;br /&gt;Como as outras,&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cartas de amor, se há amor,&lt;br /&gt;Têm de ser&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal,&lt;br /&gt;Só as criaturas que nunca escreveram&lt;br /&gt;Cartas de amor&lt;br /&gt;É que são&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera no tempo em que escrevia&lt;br /&gt;Sem dar por isso&lt;br /&gt;Cartas de amor&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que hoje&lt;br /&gt;As minhas memórias&lt;br /&gt;Dessas cartas de amor&lt;br /&gt;É que são&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras esdrúxulas,&lt;br /&gt;(Como os sentimentos esdrúxulos),&lt;br /&gt;São naturalmente&lt;br /&gt;Ridículas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Álvaro de Campos, 21-10-1935 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia 14 de Fevereiro de 2o11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia dos Namorados  &lt;br /&gt;Dia naturalmente ridículo?&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6281440437516399744?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6281440437516399744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6281440437516399744' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6281440437516399744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6281440437516399744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/todas-cartas-de-amor-ridiculas.html' title='Todas a cartas de amor... ridículas.'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8271450436570221588</id><published>2011-02-10T04:44:00.000-08:00</published><updated>2011-02-10T05:07:52.790-08:00</updated><title type='text'>Tricotando com palavras III</title><content type='html'>Hoje está um dia bonito, sereno e luminoso!&lt;br /&gt;Vou retomar, no aconchego macio, do meu casaco de lã, o meu tricot de palavras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo de voar, reencontrar a alegria de viver e de correr, ansiosamente,  atrás do&lt;br /&gt;sonho, de voltar ao ponto de partida! Voltar à África encalorada, exuberante de luz e de cor, que me viu nascer e onde cresci!&lt;br /&gt;Chorosa, deparei-me com um mar de luto. Um mar estranho que me enjoou, que me provocou a agonia do vómito e dos suores frios, quando o cheiro horrendo da fome  mais negra, da doença sem remédio, da miséria mais pungente, da guerra  mais impiedosa, me atingiu, em cheio, como uma bola incandescente de dor e de sangue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não sei tricotar este mar! Não vou tricotar este mar! Não quero tricotar este mar!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, com o poder imenso, fantástico, quase divino das palavras feitas novelos de lã, modifico este mar e transformo-o numa toalha imensa, esplêndida, cheia de cor e de luz,  com um remate de espuma que é, afinal, uma  sumptuosa  renda  de  Bruges e que estendo sobre uma mesa infinita, agora alegre e farta pois, sobre ela há  inesgotáveis alimentos e remédios, uma imensa solidariedade e uma forte e terna fraternidade! Para que não haja  fome, nem doença, nem miséria, nem guerra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, eu tricoto esta toalha  maravilhosa com os meus novelos amarelos, vermelhos, azuis, cor de laranja e verdes e deles brotam a música sensual da kizomba, o som agreste  e  excitante, dos batuques, os cheiros fortes, tropicais, da vegetação exuberante, do abacaxi, do maracujá, da papaia, do coco e o cheiro a barro, consolado, da terra vermelha depois da chuva!&lt;br /&gt;Tricoto, ainda, com os meus novelos, agora,  endiabrados, carregados de erotismo e desejo, os  corpos negros,  lascivos, suados, que se agitam indomáveis, em frémitos de prazer e de paixão, ao ritmo  inquietante de frenéticas batucadas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras, meus novelos feiticeiros,  conferem-me,  ainda, com o seu poder  mágico, quase divino,  a possibilidade singular de  criar, só para mim, um espaço de maravilhosa fascinação,  neste mar africano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou pôr  no mar, em seu lugar, um relâmpago, como fez Luís Miguel Nava. Os&lt;br /&gt;relâmpagos são brilhantes, belos  e  poderosos  mas, assustadores!&lt;br /&gt;Também não vou pôr no mar, em seu lugar, um vasto campo de miosótis pequeninos e&lt;br /&gt;azuis, onde eu pudesse  dançar, solta e descalça, ao som de uma melodia belíssima,&lt;br /&gt;fantástica, que o mar compusesse, só para mim, como fiz um dia! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! No lugar do mar, vou pôr um imenso mangal, transbordante de encanto e de romantismo, com flamingos cor-de-rosa, só meus,  acácias em flor, só minhas e uma cascata imensa, cristalina, cheia de luz e brilho, a brotar, deslumbrante, entrelaçada numa vegetação magnífica,  vestida de verde de mil matizes, também só minha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um mangal só meu, para me encantar, para me libertar, para me encontrar e nunca mais me perder! De mim!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, eu, envolta em  panos coloridos, artisticamente traçados  sobre  o meu corpo,  modelando-o,  com os meus novelos que escorrem  beleza e magia,  num delírio de cores e ofuscantes de luz,  tricoto  este mangal  de fantasia, onde paira,  provocante, o cheiro  fresco mas, atrevido, das acácias em flor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já  arrumei o meu texto tricotado, desajeitado, este  meu tricot  lento, com ponto incerto e malhas caídas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8271450436570221588?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8271450436570221588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8271450436570221588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8271450436570221588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8271450436570221588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/tricotando-com-palavras-iii.html' title='Tricotando com palavras III'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8253143322415904761</id><published>2011-02-06T09:06:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T16:22:52.179-08:00</updated><title type='text'>A bata amarela II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O desemprego&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora da cama 15 tinha sido submetida, com absoluto êxito, a uma intervenção cirúrgica e, dois dias depois, teria alta! Era motivo de alegria, tanto mais que, na cama ao lado, uma jovem de 32 anos debatia-se, no limiar da morte, entre o pânico  e uma ténue esperança, depois de uma cirurgia de alto risco que, sabia, não lhe poderia trazer a almejada cura, apenas algum alívio e uns meses de vida!&lt;br /&gt;Para ser franca, eu estava ansiosa por falar com a senhora da cama 15 e congratular-me com ela,  pelas  melhoras que eu, um bocadinho ousadamente, lhe vaticinara. Contudo, não foram sorrisos felizes nem palavras leves que me receberam! Foi um ambiente pesado de desespero que encontrei!&lt;br /&gt;O marido, com o semblante carregado, os lábios apertados numa linha severa, agitava o jornal que, incapaz de ler, afastou para o lado, com um gesto brusco. Depois, ficou calado, quieto, com o olhar perdido e inexpressivo. Nos olhos dela li espanto e uma imensa aflição. Encolhida, também ela calada e muito quieta, chorava baixinho e deixava que as lágrimas gordas e em torrente escorressem livremente pelo rosto e se desfizessem na almofada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastei-me surpreendida e silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando mais tarde, voltei à pequena enfermaria, ela chamou-me. Estava sozinha e ainda a chorar, disse-me que o marido tinha sido despedido da empresa onde trabalhara muitos anos, como, aliás, temiam há uns meses, sem nunca acreditar que pudesse, de facto,  acontecer. Tem cinquenta e seis anos, disse-me, vai ser muito difícil conseguir arranjar outro emprego. Eu estou em casa há quase um ano e  temos dois filhos na faculdade. Não sei como vai ser!  Estou aterrada, sabe? Mas, o que mais me aflige, é o desespero do meu marido! Trabalhou toda a vida, tem um grande orgulho em ter sido sempre, economicamente, a trave mestra da casa e, agora, não se conforma!&lt;br /&gt;Na tentativa de a consolar disse-lhe que ele ainda não era assim tão velho que não conseguisse um emprego e lembrei-lhe a agonia sem remédio, daquela morte anunciada, na  cama, mesmo ali ao lado, mas ela encolheu os ombros e virou a cara para o outro lado, certamente zangada com o que julgou ser a minha indiferença perante o seu drama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que é muito difícil relativizar os males, as desgraças, as injustiças, com que a vida, de vez em quando, nos fustiga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, tenho de confessar que, se o seu enfado me surpreendeu, também  me fez compreender que, para certas pessoas, pior do que a doença que têm sempre esperança de vencer, pior do que a separação e a morte, que são coisas naturais, e que facilmente afogam e aliviam nas lágrimas, nas rezas e nas recordações mais ou menos doces que guardam,  pior do que tudo é a perda do emprego!&lt;br /&gt;Penso mesmo que, muito pior do que as carências, a renúncia aos pequenos luxos e até, talvez pior do que a fome, é o infinito desalento e a vergonha de estar inactivo e de se sentir inútil!&lt;br /&gt;Para muita gente, o desemprego é a tragédia maior, uma cruz ainda mais dolorosa do que o fim de tudo, porque é, para eles, exactamente, o trágico fim de tudo! Uma cruz pesada que tantos, neste momento, carregam com amargura e com revolta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia sequinte, quem levou para casa a senhora da cama 15, uma mulher amarga mas em franca recuperação, foi um homem pálido, severo, esmagado pelo anátema do desemprego, pelo drama da inactividade e do mais absoluto desânimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8253143322415904761?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8253143322415904761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8253143322415904761' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8253143322415904761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8253143322415904761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/bata-amarela-ii.html' title='A bata amarela II'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8991207990147314805</id><published>2011-02-02T12:01:00.001-08:00</published><updated>2011-02-02T12:18:23.886-08:00</updated><title type='text'>Candelária</title><content type='html'>Hoje, dia 2 de Fevereiro, celebra-se o dia de &lt;strong&gt;Nossa Senhora das Candeias&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;Há um velho e muito certo ditado que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, no seu dia, a Senhora das Candeias está a sorrir, está o Inverno para vir; quando a Senhora está a chorar, está o Inverno a passar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como hoje o Sol brilha e a Senhora sorri feliz, ainda nos espera um Inverno prolongado! &lt;br /&gt;Este é o único dia do ano em que eu não me importo que chova a cântaros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Groundhog Day&lt;/strong&gt; is celebrated in the United States and Canada on February 2nd. Based on trying to guess when winter is going to end, the tradition holds that if the groundhog (Marmota monax) pops his head out but sees a shadow when emerging from its burrow, and pops back down, winter will go on for another six weeks. But, if it doesn't see its shadow, and the groundhog comes out of its burrow, then it's thought that winter will be over soon. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Historical origins&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;The groundhog (Marmota monax) is a rodent of the family Sciuridae, belonging to the group of large ground squirrels.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An early American reference to Groundhog Day can be found in a diary entry, dated February 5, 1841, of Berks County, Pennsylvania, storekeeper James Morris:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Last Tuesday, the 2nd, was &lt;strong&gt;Candlemas day&lt;/strong&gt;, the day on which, according to the Germans, the Groundhog peeps out of his winter quarters and if he sees his shadow he pops back for another six weeks nap, but if the day be cloudy he remains out, as the weather is to be moderate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Scotland the tradition may also derive from an English poem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As the light grows longer&lt;br /&gt;The cold grows stronger&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;If Candlemas be fair and bright&lt;br /&gt;Winter will have another flight&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;If Candlemas be cloud and rain&lt;br /&gt;Winter will be gone and not come again&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A farmer should on Candlemas day&lt;br /&gt;Have half his corn and half his hay&lt;br /&gt;On Candlemas day if thorns hang a drop&lt;br /&gt;You can be sure of a good pea crop&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This tradition also stems from similar beliefs associated with Candlemas Day and Groundhog Day. Candlemas, also known as the Purification of the Virgin or the Presentation, coincides with the pagan observance Imbolc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8991207990147314805?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8991207990147314805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8991207990147314805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8991207990147314805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8991207990147314805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/02/candelaria.html' title='Candelária'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4439990915737055725</id><published>2011-01-29T09:27:00.000-08:00</published><updated>2011-02-10T05:09:16.870-08:00</updated><title type='text'>Tricotando com palavras II</title><content type='html'>Hoje apeteceu-me retomar o meu tricot com palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esteira de Cesare Pavese, que escreveu a frase “ o mar parece azeite”, escrevi, um dia, que “o mar parece um oleado ondulante e pardo”. Não é  aquele, nem este mar que quero tricotar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia está bonito, embora frio e o mar que, hoje, vem até mim, é aquele mar resplandecente de beleza, sereno e murmurante, da minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desajeitada e comovida, é essa massa líquida, imensa, translúcida, de um azul profundo, salpicado de luz, que não quero rematado  por espuma mas, por gatinhos brancos, que saltitam, rebolam e brincam contentes, libertos da dor de pensar, como o gato de Fernando Pessoa, que vou tricotar.&lt;br /&gt;Estes gatinhos, só meus,  não brincam na rua, brincam na areia, também, como se fosse na cama e, sem molhar as patinhas felpudas,  são a mais bela cercadura viva, para esse mar do  meu  encantamento.&lt;br /&gt;E,  no meu vestido azul, enfeitado de veludo branco, que me fica tão bem, eu tricoto &lt;br /&gt;esse mar magnífico, com os meus novelos azuis, bordados a fio de prata e com  os&lt;br /&gt;meus novelos brancos, cansados de tanta brincadeira! &lt;br /&gt;E, à medida que  se desenrolam os novelos e as malhas se entrelaçam, enroscam-se, ternamente, no ar, a música sorridente de Mozart e  o perfume, suave e macio, dos lírios do campo, da lavanda, da alfazema e do tomilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a noite cai e um outro dia nasce...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na  claridade  límpida  e serena da madrugada,  o mar, que vejo,  é azul cristalino, com pinceladas de cor-de-rosa, salpicado de ouro e vai-se  aproximando,  devagarinho, num brando marulhar,  ao encontro da areia  dourada, fina, macia e húmida  que o espera, também ela, témula e ansiosa.  E  o mar, num redemoinho de emoções, numa ondulação aos tropeços,  o cor-de-rosa agora o vermelho  da paixão, espraia-se nela e, cobrindo-a com um rendilhado delicado de espuma, qual renda de bilros,  abraça-a,  beija-a  e sussurra-lhe inconfessáveis segredos,  envolvendo-a nas suas ondas mansas, para logo se fundirem num abraço de luz! &lt;br /&gt;Depois, na languidez  preguiçosa, apaziguada, do amor saciado, ele deixa-se ficar,  a revoltear, junto dela,  numa suave ondulação.&lt;br /&gt;E, eu, no meu vestido azul claro, com pinceladas de rosa e de vermelho, vaporoso e quase translúcido, tricoto este mar enamorado e a areia, sua amante, com os meus novelos  macios, a fio de luz entrelaçados! Deles emergem, suavemente,  a melodia de “Für Elise” de Beethoven, o  cheiro delicado e pensativo das gardénias, e a involvência perfumada das  rosas e do jasmim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo de arrumar esta longa tira de palavras tricotadas! &lt;br /&gt;E, francamente, não sei se gosto deste meu tricot de ponto incerto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4439990915737055725?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4439990915737055725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4439990915737055725' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4439990915737055725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4439990915737055725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/tricotando-com-palavras_29.html' title='Tricotando com palavras II'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2873995133088008079</id><published>2011-01-20T11:43:00.000-08:00</published><updated>2011-01-20T14:22:33.044-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O estado da Nação'/><title type='text'>O LODAÇAL</title><content type='html'>Esta campanha, para eleger o próximo Presidente da República, que deveria permitir uma fundamentação séria, avisada, para uma escolha consciente, dos eleitores, tem-se vindo a transformar, para nosso espanto, num pântano fétido, de ataque à honra de um dos candidatos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cavaco Silva, quer ele tenha cometido erros crassos, durante o seu mandato, e cometeu muitos, como por exemplo, quando o seu silêncio foi uma tremenda e mesmo ofensiva omissão; quando promulgou legislação que não deveria ter sido promulgada, e destaco muita, no âmbito da Educação; quando deu inteiro apoio a uma ministra da educação, estupidamente prepotente, que, no entanto, elogiou, enquanto ela, vergonhosamente,  desautorizava e destratava os professores e desmantelava, paulatinamente, a escola pública; quer se goste dele ou não, a verdade é que Cavaco é, na pobre panóplia ao nosso dispor, o único candidato que tem a experiência necessária para o desempenho do cargo, e o único que oferece alguma estabilidade constitucional e credibilidade política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Nobre é um senhor, um médico, fundador da AMI, um humanitário, mas não é, nunca foi, um político, no sentido restrito do termo!&lt;br /&gt;Aliás, penso que este Homem de causas e de honra não condiz com a política, fria e insidiosa, com que parece querer comprometer-se, e fica bem a fazer o Bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Alegre está velho e evidencia, nas palavras e nas atitudes, traços de senilidade e de desnorte. Ele é, indiscutivelmente, um homem do passado, um diletante, que nunca, até hoje, apresentou uma ideia inovadora, uma proposta credível, uma alternativa válida, para este pobre país, mesmo à beira da falência!&lt;br /&gt;Pelo contrário, a sua campanha tem assentado, invariavelmente, no insulto fácil, na calúnia matreira, nas sucessivas e  venenosas suspeições que tem lançado, sobre o seu principal adversário, Cavaco Silva!&lt;br /&gt;A campanha eleitoral de Alegre tem-se, assim, transformado num imenso e pegajoso lodaçal, onde ele e os seus apoiantes chafurdam alegremente, tentando, em desespero de causa , manchar a honorabilidade de outro candidato, em vez de, com clareza e transparência, fazer o que lhe é devido: discutir ideias, dar a conhecer o seu pensamento, os seus valores, os seus princípios e os compromissos que se propõe assumir, como hipotético PR, a bem de Portugal!&lt;br /&gt;Ao enveredar por uma campanha básica e rasteira, de ataque pessoal, ninguém sabe, concretamente,  o que este homem pensa, ninguém ouviu dele palavras que dêem garantias de saber e de imparcialidade, que instilem confiança, e que indiquem um rumo concreto e possível, para o futuro! &lt;br /&gt;Dele conhece-se, sente-se, apenas, o ódio, o despeito, a ânsia de poder que escorrem das suas palavras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros cadidatos, francamente, não conheço, mas pelo que tenho acompanhado, afinam, claramente, pelo mesmo primário diapasão de Manuel Alegre e, com ele, vão chafurdando, gostosamente, na lama, com que tentam atingir o mesmo alvo: Cavaco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oxalá a campanha eleitoral, que se tem resumido ao triste espectáculo de cinco incendiados candidatos contra um, termine já no dia 23, exactamente para se acabar com este ruído insultuoso e ensurdecedor, porque é tempo, e já se vai fazendo muito tarde,  de começar a limpar este país, mergulhado, ele também, num negro lodaçal de corrupção, de incompetência, de mentira, de arrogância, de prepotência e da mais amarga pobreza! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com certeza, no sossego e conforto de sua casa, já passada a agitação destes dias, Alegre vai envergonhar-se da sua campanha de tão baixo nível, se realmente for o homem de bem que todos queremos, ainda, acreditar que seja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2873995133088008079?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2873995133088008079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2873995133088008079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2873995133088008079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2873995133088008079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/o-lodacal.html' title='O LODAÇAL'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-3051257903910962427</id><published>2011-01-18T07:49:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T12:09:02.307-08:00</updated><title type='text'>Tricotando com palavras</title><content type='html'>Neste meu tricot, as palavras  são os meus novelos e a esferográfica e  depois, as teclas do computador, as minhas agulhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras são preciosas,  como jóias antigas! Mas, também são flexíveis e, deixam-se modelar, vestir, colorir e perfumar por aqueles que as amam e  fazem delas, fonte  inesgotável,  de criação! &lt;br /&gt;As palavras respiram a vida, tomam a forma, vestem-se  da cor,  compõem a música e   exalam o perfume, que o Escritor quiser!&lt;br /&gt;Mas eu, que não sou escritora, não sei se vou saber dar-lhes forma, vesti-las, perfumá-las e dar-lhes o tom certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não sei, sequer, se vou saber tricotar com elas!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, apetece-me tricotar o mar, essa massa imensa, fantástica de água que exerce sobre mim uma irresistível atracção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o tempo está escuro e feio, é o mar escuro e mau que, malha a malha, vou aqui,  laboriosamente, tecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite gelada e tempestuosa o mar é um abismo imenso, negro,  rasgado por relâmpagos que ziguezagueiam  e se despedaçam  nas vagas encapeladas e violentas que batem fortes, em furioso turbilhão, contra as rochas e açoitam,  endoidecidas, a areia serena e branda. &lt;br /&gt;E, a música poderosa de Wagner, que traz consigo laivos de vermelho que lembram sangue  e  que lembram guerra, irrompe das profundezas desse abismo aterrador, com o cheiro a raiva, a vingança, a sal e a algas.&lt;br /&gt;E eu tricoto esse mar  com as palavras pesadas, assustadoras que são os meus novelos de escuridão e de pesadelo!&lt;br /&gt;Foi muito penoso tricotar este mar, de vagas enormes, a ribombar, alterosas, e a contorcer-se enfurecidas, como serpentes poderosas, ressumantes de veneno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Enganei-me no ponto e deixei caír malhas, como lágrimas. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansada e encolho-me, com frio,  no meu vestido escuro, com laivos vermelhos&lt;br /&gt;que lembram sangue e lembram guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo não muda e o mar reflecte o céu  que continua cinzento e agora quase, mas quase, esverdinhado, viscoso e pardo. Este é o mar  gélido, desolado dos náufragos, dos suicidas, do desespero e da loucura!&lt;br /&gt;E, eu, no meu vestido preto, opaco e feio, tricoto este mar de infelicidade, de vidas violentamente interrompidas, este mar onde repousam sonhos em pedaços, projectos destroçados, farrapos de Esperança perdida!&lt;br /&gt;Tricoto com os meus novelos cinzentos, baços e tristes e neles, agora, é Chopin que chora baixinho! E, as minhas lágrimas secas, febris, doentes, diluem-se no choro dorido da sua música e formam, juntas, um rio de revolta, de cansaço e de compaixão!&lt;br /&gt;Cheira a velas e a flores murchas, informes, apodrecidas! Como os afogados, como os sonhos desfeitos, como os projectos, para sempre, apenas projectos, como os farrapos de Esperança destroçada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esgotou-me,  tricotar este mar a cheirar a morte e a podridão!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Arranco de mim, este vestido preto, opaco e feio e guardo o meu tricot, de ponto incerto, à espera da luz, da cor, do calor do sol! E das risadas felizes da vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-3051257903910962427?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/3051257903910962427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=3051257903910962427' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3051257903910962427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3051257903910962427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/tricotando-com-palavras.html' title='Tricotando com palavras'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4463073311587891713</id><published>2011-01-12T11:50:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T14:34:35.687-08:00</updated><title type='text'>A bata amarela</title><content type='html'>Ontem esteve outro dia chuvoso, escuro e triste! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hospital, como o tempo não tem importância nenhuma, esqueci-o e vesti a minha bata amarela, com dois bolsos pregados, onde guardo palavras, sorrisos, ternura e também suaves mentiras, inofensivas, mas, às vezes, tão necessárias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei-lhe o chá, estive ao lado dela, duas ou três vezes, numa troca, breve, de palavras e de tímidos sorrisos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns anos, penso que aprendi a decifrar algumas das marcas que a doença vai deixando e quando o momento implacável e temido está próximo, sinto e quase cheiro, aquela vibração estranha, medonha, que fareja excitada, teimosa e circunda, circunda, maléfica, faminta, a sua presa indefesa!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ontem, de repente, num angustiado sobressalto, senti-a, invisível mas forte, rondar gulosa, quase palpável, a cama dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia-se tarde, estava escuro mas antes de despir a minha bata amarela, fui vê-la. Emaciada e imóvel, recebeu-me com a sombra de um sorriso. Estava contente: teria alta no dia seguinte e ía, enfim, ver as suas meninas, duas cadelas jovens, uma Labrador e uma Boxer. &lt;br /&gt;Teria de matar as muitas saudades que tinha delas, de longe, dado o seu estado de fraqueza e a pujante força das meninas que, se a vissem e se pudessem, correriam para ela, num arremesso incontrolável, loucas de alegria!&lt;br /&gt;Depois, numa mudança súbita de assunto,  disse-me que gostaria de ser voluntária. &lt;br /&gt;Do meu bolso, tirei, então, muito de mansinho, uma mentira, daquelas que não fazem mal e disse-lhe que, quando estivesse melhor e tivesse recuperado forças,  seria recebida, no voluntariado, de braços abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o olhar vago, sem uma alteração no rosto de uma palidez de cera, numa voz baixa e monótona, disse-me , com uma confrangedora naturalidade, que era uma doente oncológica, em fase terminal avançada!&lt;br /&gt;Disfarçando uma profunda emoção, procurei, com os meus dedos gelados, nos bolsos da minha bata amarela, a serenidade  que sentia faltar-me e as palavras certas para lhe dizer. Mas não foi preciso! Com a mesma estranha calma, o mesmo olhar vago, a voz sem expressão disse-me que, medicamente, tinham já sido esgotados todos os caminhos e, com um suspiro, acrescentou um lacónico,  “É a vida!” &lt;br /&gt;Encolheu o ombro direito e foi como se já se tivesse desligado de tudo ou, de quase tudo. &lt;br /&gt;Senti, com um arrepio, a pungência daquela aceitação, daquela entrega, aquela dádiva, calada, de si mesma,  a um destino cruel. Talvez possa dizer que pressenti o lampejo de uma dolorosa desistência, mas desistir será, afinal, aceitar que não vale a pena lutar contra o inelutável, não sei!&lt;br /&gt;Antes de eu poder  articular uma  palavra de coragem ou de consolo, disse-me que não tinha medo da morte. Temia, isso sim, a degradação e a dor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por momentos, não sei se devido a um excesso da minha imaginação, se devido a uma ligeira e momentânea fraqueza emocional, pareceu-me vê-la, branca e leve, quase etérea, elevar-se, ligeiramente, acima da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me, respirei fundo e, com a mão direita dela,  transparente e fria, nas minhas, com o meu olhar fixo naqueles  olhos vagos e sem brilho, a magnitude da minha impotência perante a crueldade do inexorável, a insignificância e a inutilidade da minha compaixão, das minhas mãos estendidas, das minhas pequenas mentiras  e a vaga alterosa, avassaladora da minha infinita tristeza, atingiram-me, em cheio, como uma bola imensa, de fogo e de gelo! Como sempre, nestes casos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como a chuva não tem realmente importância nenhuma, quando saí, não reparei que caía uma chuva branda e gélida que se misturou, com as minhas lágrimas grossas, pesadas, a cheirar a cansaço, a doença e a sofrimento, suavizando-as, purificando-as!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devo voltar a vê-la, mas uma centelha dela, da sua coragem, da sua capacidade de aceitação, ficou comigo, bordada com linhas de sombra e de luz, no tapete da vida que vou tecendo, embelezando-o, enriquecendo-o!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se A... e tem vinte e sete anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4463073311587891713?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4463073311587891713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4463073311587891713' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4463073311587891713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4463073311587891713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/bata-amarela.html' title='A bata amarela'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-7882164094446939069</id><published>2011-01-09T08:18:00.000-08:00</published><updated>2011-01-09T08:27:03.906-08:00</updated><title type='text'>Um dia perfeito</title><content type='html'>Hoje, a bruma cinzenta do dia fez-se radiosa claridade: repousei com Antero, na Mão Direita de Deus; Não quis, do fruto, só metade e saboreei-o, inteiro, com Torga; Amei perdidamente com Florbela, Li palavras que nos beijam, como se tivessem boca, com O`Neill; Deleitei-me na terra que tem palmeiras onde canta o sabiá, com Gonçalves Dias e, agora que estou de volta, deixo-te, meu amor, estes versos, que Vinicius segredou, baixinho, ao meu ouvido: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim&lt;br /&gt;Que nada nesse mundo levará você de mim&lt;br /&gt;Eu sei e você sabe que a distância não existe&lt;br /&gt;... &lt;br /&gt;Que todos os caminhos&lt;br /&gt;Me encaminham pra você&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; Não há você sem mim&lt;br /&gt;Eu não existo sem você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi um dia perfeito!!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Este texto foi escrito ontem, dia feio, chuvoso e escuro! Hoje o sol brilhou e encheu o meu dia de luz, de cor e de alegria! O meu coração pulsou mais forte e os meus olhos pintaram tudo, ao meu redor, com a cor da Esperança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-7882164094446939069?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/7882164094446939069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=7882164094446939069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7882164094446939069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7882164094446939069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/um-dia-perfeito.html' title='Um dia perfeito'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5298782868344922090</id><published>2011-01-06T11:33:00.000-08:00</published><updated>2011-01-07T02:41:48.266-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chuva'/><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A chuva é benção, mas também pode ser praga...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo continua chuvoso e escuro, tão húmido e doentio que até a alma perde a graça, mirra e cria bolor... Enfim, um tempo feio e descolorido, como este país à beira do abismo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céus, como gosto da alegria radiosa do Sol que polvilha de luz o meu coração, invade, morno e aconchegante, todos os recantos de mim e cobre de ouro a rua, as casas, as árvores, a lama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias sucedem-se, na sua marcha inexorável, dissolvidos na chuva gelada que cai, ora mansa, ora aos borbotões e na bruma pesada e opaca que envolve a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A chuva é benção, mas também pode ser praga...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia molhado, baço, cinzento e triste!&lt;br /&gt;E, eu, perdida na tristeza deste horizonte brumoso, sem forma e sem cor, já não sei como se rabisca o Sol.. já me esqueci com que cor se pinta o Sol que a chuva apagou...&lt;br /&gt;E, pérolas líquidas, de uma chuva que não pára nunca, escorrem nas ruas e deslizam frias e translúcidas, sobre as casas, as árvores e sobre o meu coração cansado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A chuva é benção, mas também pode ser praga...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5298782868344922090?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5298782868344922090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5298782868344922090' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5298782868344922090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5298782868344922090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2293091942634853816</id><published>2011-01-05T03:48:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T05:54:28.898-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Desejos do Poeta e Desejos meus'/><title type='text'>Desejos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Desejo a você...&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Fruto do mato &lt;br /&gt;Cheiro de jardim &lt;br /&gt;Namoro no portão &lt;br /&gt;Domingo sem chuva &lt;br /&gt;Segunda sem mau humor &lt;br /&gt;Sábado com seu amor &lt;br /&gt;Ouvir uma palavra amável &lt;br /&gt;Ter uma surpresa agradável &lt;br /&gt;Noite de lua Cheia &lt;br /&gt;Rever uma velha amizade &lt;br /&gt;Ter fé em Deus &lt;br /&gt;Não ter que ouvir a palavra não &lt;br /&gt;Nem nunca, nem jamais e adeus. &lt;br /&gt;Rir como criança &lt;br /&gt;Ouvir canto de passarinho &lt;br /&gt;Escrever um poema de Amor &lt;br /&gt;Que nunca será rasgado &lt;br /&gt;Formar um par ideal &lt;br /&gt;Tomar banho de cachoeira &lt;br /&gt;Aprender uma nova canção &lt;br /&gt;Esperar alguém na estação &lt;br /&gt;Queijo com goiabada &lt;br /&gt;Pôr-do-Sol na roça &lt;br /&gt;Uma festa &lt;br /&gt;Um violão &lt;br /&gt;Uma seresta &lt;br /&gt;Recordar um amor antigo &lt;br /&gt;Ter um ombro sempre amigo &lt;br /&gt;Bater palmas de alegria &lt;br /&gt;Uma tarde amena &lt;br /&gt;Calçar um velho chinelo &lt;br /&gt;Sentar numa velha poltrona &lt;br /&gt;Tocar violão para alguém &lt;br /&gt;Ouvir a chuva no telhado &lt;br /&gt;Vinho branco &lt;br /&gt;Bolero de Ravel... &lt;br /&gt;E muito carinho meu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, como eu também desejo não ter de ouvir a palavra &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt;, nem &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt;, nem &lt;strong&gt;jamais&lt;/strong&gt;, nem &lt;strong&gt;adeus&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu desejo voltar a saborear, num consolo de menininha gulosa, o fruto carnudo do mato e rever, comovida, num recolhimento de prece, o pôr-do-sol africano, incandescente e breve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu desejo rever aquela velha amizade, perdida na agitação dos dias, talvez morta, no tumulto da vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu gosto e desejo sempre, calçar os meus chinelos velhos, para descansar os pés exaustos, dos tropeços da jornada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu gosto e desejo sempre, sentar-me na minha poltrona, com a forma do meu corpo, e ler um bom livro, ouvir Beethoven baixinho, comer uma maçã, suculenta e doce, dormir uma soneca gostosa e sonhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sobretudo, como eu gosto de saber, e não apenas desejar, que tenho aquele ombro amigo que me acolhe, que me abraça, que me consola e se alegra com as minhas alegrias! E, nunca fazendo perguntas, dá, sem nada pedir em troca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tudo isto e muito mais, te desejo a ti, Amigo meu!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2293091942634853816?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2293091942634853816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2293091942634853816' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2293091942634853816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2293091942634853816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2011/01/desejos.html' title='Desejos'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1793614210691935250</id><published>2010-12-30T11:33:00.000-08:00</published><updated>2010-12-31T09:18:20.030-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Feliz Ano Novo'/><title type='text'>Feliz 2011!</title><content type='html'>&lt;strong&gt; Queridos Amigos e Seguidores considerem este belíssimo texto, um presente com sabor a poesia, o cheiro de madrugada, do sol e da lua e o som das canções da brisa, que embrulhei com carinho, que selei com um sorriso e que vos envio com um grande abraço.&lt;br /&gt;Feliz Ano Novo!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Procura-se um amigo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinicius de Moraes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abençoada sou, porque tenho Amigos!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1793614210691935250?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1793614210691935250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1793614210691935250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1793614210691935250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1793614210691935250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/procura-se-um-amigo.html' title='Feliz 2011!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6254127493129981173</id><published>2010-12-27T04:21:00.000-08:00</published><updated>2010-12-30T14:07:21.421-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Frases famosas'/><title type='text'>Poesia é...</title><content type='html'>Poesia é quando uma emoção encontra o seu pensamento e o pensamento encontra as palavras.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Robert Frost&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia são pensamentos que respiram e palavras que queimam.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Thomas Gray&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema não é feito dessas letras que eu espeto, como pregos, mas do branco que fica no papel.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Paul Claudel&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com a Criação do mundo...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mário Quintana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, na esquina do poema,&lt;br /&gt;Duas rimas olham-se atónitas, comovidas,&lt;br /&gt;Como duas irmãs desconhecidas...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mário Quintana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia é o eco da melodia do Universo, no coração do Homem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;R. Tagore&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Porque a poesia não se define! Nasce...não se sabe como, surge...não se sabe de onde, explode...num torvelinho!Talvez da alma, talvez dos sentidos, talvez do coração, sei lá... sabemos lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6254127493129981173?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6254127493129981173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6254127493129981173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6254127493129981173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6254127493129981173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/poesia-e.html' title='Poesia é...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1759092637477967384</id><published>2010-12-26T07:53:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T08:02:31.514-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia de Natal - José Almeida Silva'/><title type='text'>Trago o Natal no fundo do olhar</title><content type='html'>Trago o Natal no fundo do olhar&lt;br /&gt;Esse tempo em que a alegria&lt;br /&gt;Era um lugar de crença seguro&lt;br /&gt;E protector e os doces o calor&lt;br /&gt;Da ternura que a casa oferecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago o Natal no fundo do olhar&lt;br /&gt;Esse tempo a correr pela cidade &lt;br /&gt;[Evocando o amor e a fraternidade &lt;br /&gt;E esquecendo o frio e a dor]  &lt;br /&gt; – Agora, desumanidade e elegia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago o Natal no fundo do olhar&lt;br /&gt;Esse tempo que foi simplicidade&lt;br /&gt;E em que eu acreditei num mar&lt;br /&gt;De gestos que eram então realidade.&lt;br /&gt;Hoje, o Natal é apenas utopia –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promessa à espera da alegria&lt;br /&gt;Aqui tão perto e no Mundo inteiro.&lt;br /&gt;A Fome e a Guerra são no entanto&lt;br /&gt;Ameaça séria e duradoura, um pranto. &lt;br /&gt;Não há ouro que baste aos senhores! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago o Natal no fundo do olhar – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal, 2010&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Almeida da Silva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nesta quadra natalícia, aqui deixo este belíssimo poema de um querido Amigo, um Poeta que admiro!&lt;br /&gt;Obrigada, Zé!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1759092637477967384?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1759092637477967384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1759092637477967384' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1759092637477967384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1759092637477967384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/trago-o-natal-no-fundo-do-olhar.html' title='Trago o Natal no fundo do olhar'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4288270292726073594</id><published>2010-12-26T05:45:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T14:41:51.549-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia africana - Alda Lara'/><title type='text'>Poemas - Alda Lara</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Testamento &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À prostituta mais nova &lt;br /&gt;Do bairro mais velho e escuro, &lt;br /&gt;Deixo os meus brincos, lavrados &lt;br /&gt;Em cristal, límpido e puro... &lt;br /&gt;E àquela virgem esquecida &lt;br /&gt;Rapariga sem ternura, &lt;br /&gt;Sonhando algures uma lenda, &lt;br /&gt;Deixo o meu vestido branco, &lt;br /&gt;O meu vestido de noiva, &lt;br /&gt;Todo tecido de renda... &lt;br /&gt;Este meu rosário antigo &lt;br /&gt;Ofereço-o àquele amigo &lt;br /&gt;Que não acredita em Deus... &lt;br /&gt;E os livros, rosários meus &lt;br /&gt;Das contas de outro sofrer, &lt;br /&gt;São para os homens humildes, &lt;br /&gt;Que nunca souberam ler. &lt;br /&gt;Quanto aos meus poemas loucos, &lt;br /&gt;Esses, que são de dor &lt;br /&gt;Sincera e desordenada... &lt;br /&gt;Esses, que são de esperança, &lt;br /&gt;Desesperada mas firme, &lt;br /&gt;Deixo-os a ti, meu amor... &lt;br /&gt;Para que, na paz da hora, &lt;br /&gt;Em que a minha alma venha &lt;br /&gt;Beijar de longe os teus olhos, &lt;br /&gt;Vás por essa noite fora... &lt;br /&gt;Com passos feitos de lua, &lt;br /&gt;Oferecê-los às crianças &lt;br /&gt;Que encontrares em cada rua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   (poemas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anúncio &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago os olhos naufragados&lt;br /&gt;em poentes cor de sangue...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Trago os braços embrulhados&lt;br /&gt;numa palma bela e dura&lt;br /&gt;e nos lábios a secura&lt;br /&gt;dos anseios retalhados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enrolada nos quadris&lt;br /&gt;cobras mansas que não mordem&lt;br /&gt;tecem serenos abraços...&lt;br /&gt;E nas mãos, presas com fitas&lt;br /&gt;azagaias de brinquedo&lt;br /&gt;vão-se fazendo em pedaços...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nos olhos naufragados&lt;br /&gt;estes poentes de sangue...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só na carne rija e quente,&lt;br /&gt;este desejo de vida!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donde venho, ninguém sabe&lt;br /&gt;e nem eu sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde vou&lt;br /&gt;diz a lei&lt;br /&gt;tatuada no meu corpo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando os pés abram sendas&lt;br /&gt;e os braços se risquem cruzes,&lt;br /&gt;quando nos olhos parados&lt;br /&gt;que trazem naufragados&lt;br /&gt;se entornarem novas luzes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Quem souber,&lt;br /&gt;há-de ver&lt;br /&gt;que eu trago a lei&lt;br /&gt;no meu corpo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  (poemas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ronda &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dança dos dias&lt;br /&gt;meus dedos bailaram...&lt;br /&gt;Na dança dos dias&lt;br /&gt;meus dedos contaram&lt;br /&gt;contaram, bailando&lt;br /&gt;cantigas sombrias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dança dos dias&lt;br /&gt;meus dedos cansaram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dança dos meses&lt;br /&gt;meus olhos choraram&lt;br /&gt;Na dança dos meses&lt;br /&gt;meus olhos secaram&lt;br /&gt;secaram, chorando&lt;br /&gt;por ti, quantas vezes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dança dos meses&lt;br /&gt;meus olhos cansaram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dança do tempo,&lt;br /&gt;quem não se cansou?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! dança dos dias&lt;br /&gt;oh! dança dos meses&lt;br /&gt;oh! dança do tempo&lt;br /&gt;no tempo voando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizei-me, dizei-me,&lt;br /&gt;até quando? até quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ALDA LARA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOTA: Alda Lara nasceu em Benguela, Angola, em 1930. Médica dedicada  e Poeta de alto gabarito, enriqueceu, com a sua obra, a literatura africana, mais propriamente, a literatura angolana!&lt;br /&gt;Lamentavelmente, partiu muito cedo, aos trinta e dois anos de idade, em Cambambe, no recôndito de Angola, no exercício abnegado, da sua profissão. O escritor, também médico, Orlando Albuquerque, com quem era casada, editou, postumamente  os seus poemas e alguns contos.&lt;br /&gt;Esta é a minha Homenagem a uma Poeta, angolana como eu, e que ainda tive o privilégio de conhecer, através dos meus pais. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4288270292726073594?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4288270292726073594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4288270292726073594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4288270292726073594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4288270292726073594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/poemas-alda-lara.html' title='Poemas - Alda Lara'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1945147002990503424</id><published>2010-12-24T02:31:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T03:19:30.342-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Machado de Assis'/><title type='text'>Bons Amigos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A todos os meus queridos Amigos e seguidores, com um forte abraço e os votos de um Feliz Natal!&lt;br /&gt;Obrigada pelas vossas preciosas visitas a este humilde blog! &lt;br /&gt;E comentários? Para vos sentir mais perto...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BONS AMIGOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.&lt;br /&gt;Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.&lt;br /&gt;Amigo a gente sente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.&lt;br /&gt;Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.&lt;br /&gt;Amigo a gente entende!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.&lt;br /&gt;Porque amigo sofre e chora.&lt;br /&gt;Amigo não tem hora pra consolar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.&lt;br /&gt;Porque amigo é a direção.&lt;br /&gt;Amigo é a base quando falta o chão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.&lt;br /&gt;Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.&lt;br /&gt;Ter amigos é a melhor cumplicidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos,&lt;br /&gt;Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Machado de Assis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1945147002990503424?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1945147002990503424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1945147002990503424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1945147002990503424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1945147002990503424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/bons-amigos.html' title='Bons Amigos'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-9011849073676693697</id><published>2010-12-23T07:54:00.000-08:00</published><updated>2010-12-23T08:00:27.430-08:00</updated><title type='text'>É a Hora!</title><content type='html'>Esta noite não sonhei com Brügel. &lt;br /&gt;Sonhei, prosaicamente, com a campanha de Manuel Alegre, o poeta pipilante, aedo ido, do PS!&lt;br /&gt;No palco de todas as vaidades, que é o de todas as campanhas, fervilhava um cadinho estranho de sensibilidades, ditas de esquerda, mas tão diferentes e onde, num desnorte, entalado entre a ânsia de poder de uns, a truculenta incompetência de todos, a ambição de um outro, a utopia de uns tantos, elogiava-se Manuel Alegre, político já sem chama e sem talento, poeta cansado, sem rima e sem tom!&lt;br /&gt;Não posso dizer que este sonho tivesse sido um pesadelo, mas submergiu-me  num mar alteroso de espanto, de dúvidas, de questões sem resposta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagatelas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aflitivo é o mar sulcado por feixes de vergonhas, de corrupção e de misérias que traduz a actual situação política, económica e social de Portugal!&lt;br /&gt;Este é o pais decadente e à beira da falência, que já nem sei se é nosso, do qual já nem não sei se gosto  e se respeito, na medida em que, quem me governa não me protege e não me respeita! &lt;br /&gt;E assim, este povo simples e manso vai esbracejando, para sobreviver, num mar amargo de revolta, de descrença e de desconfiança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra MAR, trouxe até mim, numa onda de luz,  Fernando Pessoa, o Poeta visionário! Na verdade, quando leio a Mensagem, especialmente, o último poema, “Nevoeiro”, que aqui transcrevo, acredito que, num arranco de alma, o Poeta “viu”, claramente vistas, e sentiu, dolorosamente sentidas, a tristeza, a decadência e a miséria deste  Portugal de hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a Hora!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;NEVOEIRO &lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, &lt;br /&gt;Define com perfil e ser &lt;br /&gt;Este fulgor baço da terra &lt;br /&gt;Que é Portugal a entristecer — &lt;br /&gt;Brilho sem luz e sem arder, &lt;br /&gt;Como o que o fogo-fátuo encerra. &lt;br /&gt;Ninguém sabe que coisa quer. &lt;br /&gt;Ninguém conhece que alma tem, &lt;br /&gt;Nem o que é mal nem o que é bem. &lt;br /&gt;(Que ânsia distante perto chora?) &lt;br /&gt;Tudo é incerto e derradeiro. &lt;br /&gt;Tudo é disperso, nada é inteiro. &lt;br /&gt;Ó Portugal, hoje és nevoeiro... &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; &lt;br /&gt;É a Hora! &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-9011849073676693697?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/9011849073676693697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=9011849073676693697' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/9011849073676693697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/9011849073676693697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/e-hora.html' title='É a Hora!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2743478832067381506</id><published>2010-12-22T11:52:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T11:58:26.581-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia africana - Alda Lara'/><title type='text'>Mãe- África</title><content type='html'>&lt;strong&gt;PRELÚDIO   &lt;/strong&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela estrada desce a noite &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe-Negra, desce com ela... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem buganvílias vermelhas, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem vestidinhos de folhos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem brincadeiras de guisos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas suas mãos apertadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só duas lágrimas grossas, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em duas faces cansadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe-Negra tem voz de vento, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voz de silêncio batendo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas folhas do cajueiro... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem voz de noite, descendo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de mansinho, pela estrada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é feito desses meninos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que gostava de embalar?... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é feito desses meninos  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que ela ajudou a criar?... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ouve agora as histórias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que costumava contar?... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe-Negra não sabe nada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ai de quem sabe tudo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como eu sei tudo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe-Negra!... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus meninos cresceram, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e esqueceram as histórias &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que costumavas contar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos partiram p'ra longe, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem sabe se hão-de voltar!... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tu ficaste esperando, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mãos cruzadas no regaço, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bem quieta bem calada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a tua a voz deste vento, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desta saudade descendo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de mansinho pela estrada.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;ALDA LARA&lt;br /&gt;de Poemas, 1966 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PRESENÇA AFRICANA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de tudo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sou a mesma! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre e esguia, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;filha eterna de quanta rebeldia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me sagrou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe-África! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe forte da floresta e do deserto, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda sou, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a Irmã-Mulher &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de tudo o que em ti vibra &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;puro e incerto... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dos coqueiros, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de cabeleiras verdes &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e corpos arrojados &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre o azul... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A do dendém &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascendo dos braços das palmeiras... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A do sol bom, mordendo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o chão das Ingombotas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A das acácias rubras,  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salpicando de sangue as avenidas, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;longas e floridas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim!, ainda sou a mesma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A do amor transbordando &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelos carregadores do cais &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;suados e confusos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelos bairros imundos e dormentes &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rua 11!... Rua 11!...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelos meninos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de barriga inchada e olhos fundos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dores nem alegrias, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de tronco nu &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e corpo musculoso, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a raça escreve a prumo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a força destes dias... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu  revendo ainda, e sempre, nela, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longa história inconsequente... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha terra... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha, eternamente... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra das acácias, dos dongos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dos cólios baloiçando, mansamente... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sou a mesma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sou a que num canto novo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pura e livre, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me levanto, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao aceno do teu povo!                                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ALDA LARA&lt;br /&gt; Benguela,1953 (de  Poemas,1966)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2743478832067381506?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2743478832067381506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2743478832067381506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2743478832067381506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2743478832067381506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/mae-africa-alda-lara.html' title='Mãe- África'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4713738134287942193</id><published>2010-12-20T15:50:00.001-08:00</published><updated>2010-12-21T08:15:55.889-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Oswaldo Montenegro'/><title type='text'>Metade</title><content type='html'>Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.&lt;br /&gt;Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.&lt;br /&gt;Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,&lt;br /&gt;Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,&lt;br /&gt;Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável&lt;br /&gt;Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei… &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.&lt;br /&gt;E que o teu silêncio me fale cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente&lt;br /&gt;Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque metade de mim é a plateia e a outra metade, a canção.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E que minha loucura seja perdoada.&lt;br /&gt;Porque metade de mim é amor e a outra metade… também. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Oswaldo Montenegro *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4713738134287942193?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4713738134287942193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4713738134287942193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4713738134287942193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4713738134287942193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/metade.html' title='Metade'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8526359887855945442</id><published>2010-12-20T10:48:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T08:11:53.931-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Mário Quintana'/><title type='text'>Auto- retrato - Mario Quintana</title><content type='html'>&lt;strong&gt;AUTO-RETRATO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No retrato que me faço&lt;br /&gt;– traço a traço –&lt;br /&gt;Às vezes me pinto nuvem&lt;br /&gt;Às vezes me pinto árvore...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes me pinto coisas&lt;br /&gt;De que nem há mais lembrança...&lt;br /&gt;Ou coisas que não existem&lt;br /&gt;Mas que um dia existirão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desta lida, em que busco&lt;br /&gt;– pouco a pouco –&lt;br /&gt;Minha eterna semelhança,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, que restará?&lt;br /&gt;Um desenho de criança...&lt;br /&gt;Corrigido por um louco!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Quintana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DO AMOROSO ESQUECIMENTO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, agora - que desfecho!&lt;br /&gt;Já nem penso mais em ti...&lt;br /&gt;Mas será que nunca deixo&lt;br /&gt;De lembrar que te esqueci?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Quintana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;EU ESCREVI UM POEMA TRISTE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevi um poema triste&lt;br /&gt;E belo, apenas da sua tristeza.&lt;br /&gt;Não vem de ti essa tristeza&lt;br /&gt;Mas das mudanças do Tempo,&lt;br /&gt;Que ora nos traz esperanças&lt;br /&gt;Ora nos dá incerteza...&lt;br /&gt;Nem importa, ao velho Tempo,&lt;br /&gt;Que sejas fiel ou infiel...&lt;br /&gt;Eu fico, junto à correnteza,&lt;br /&gt;Olhando as horas tão breves...&lt;br /&gt;E das cartas que me escreves&lt;br /&gt;Faço barcos de papel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Quintana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8526359887855945442?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8526359887855945442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8526359887855945442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8526359887855945442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8526359887855945442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/auto-retrato-mario-quintana.html' title='Auto- retrato - Mario Quintana'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5523689808847270556</id><published>2010-12-18T09:36:00.000-08:00</published><updated>2010-12-18T09:39:50.914-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Vinicius de Moraes'/><title type='text'>Samba da benção</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;Fazer samba não é contar piada&lt;br /&gt;E quem faz samba assim não é de nada&lt;br /&gt;O bom samba é uma forma de oração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o samba é a tristeza que balança&lt;br /&gt;E a tristeza tem sempre uma esperança&lt;br /&gt;A tristeza tem sempre uma esperança&lt;br /&gt;De um dia não ser mais triste não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito essa gente que anda por aí&lt;br /&gt;Brincando com a vida&lt;br /&gt;Cuidado, companheiro!&lt;br /&gt;A vida é pra valer&lt;br /&gt;E não se engane não, tem uma só&lt;br /&gt;Duas mesmo que é bom&lt;br /&gt;Ninguém vai me dizer que tem&lt;br /&gt;Sem provar muito bem provado&lt;br /&gt;Com certidão passada em cartório do céu&lt;br /&gt;E assinado embaixo: Deus&lt;br /&gt;E com firma reconhecida!&lt;br /&gt;A vida não é brincadeira, amigo&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vida é arte do encontro&lt;br /&gt;Embora haja tanto desencontro pela vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramo-nos, um dia, por aí??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5523689808847270556?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5523689808847270556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5523689808847270556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5523689808847270556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5523689808847270556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/samba-da-bencao.html' title='Samba da benção'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-3907406966906782951</id><published>2010-12-14T14:42:00.001-08:00</published><updated>2010-12-14T14:57:04.291-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Vinicius de Moraes'/><title type='text'>Vinicius - o Poeta</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Soneto do amor total&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te tanto meu amor... não cante&lt;br /&gt;O humano coração com mais verdade...&lt;br /&gt;Amo-te como amigo e como amante&lt;br /&gt;Numa sempre diversa realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te enfim, de um calmo amor prestante&lt;br /&gt;E te amo além, presente na saudade.&lt;br /&gt;Amo-te, enfim, com grande liberdade&lt;br /&gt;Dentro da eternidade e a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te como um bicho, simplesmente&lt;br /&gt;De um amor sem mistério e sem virtude&lt;br /&gt;Com um desejo maciço e permanente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;E de te amar assim, muito e amiúde&lt;br /&gt;É que um dia em teu corpo de repente&lt;br /&gt;Hei de morrer de amar mais do que pude.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pela luz dos olhos teus&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a luz dos olhos meus&lt;br /&gt;E a luz dos olhos teus&lt;br /&gt;Resolvem se encontrar&lt;br /&gt;Ai que bom que isso é meu Deus&lt;br /&gt;Que frio que me dá o encontro desse olhar&lt;br /&gt;Mas se a luz dos olhos teus&lt;br /&gt;Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar&lt;br /&gt;Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar&lt;br /&gt;Meu amor, juro por Deus&lt;br /&gt;Que a luz dos olhos meus já não pode esperar&lt;br /&gt;Quero a luz dos olhos meus&lt;br /&gt;Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará&lt;br /&gt;Pela luz dos olhos teus&lt;br /&gt;Eu acho meu amor que só se pode achar&lt;br /&gt;Que a luz dos olhos meus precisa se casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei e você sabe&lt;br /&gt;Já que a vida quis assim&lt;br /&gt;Que nada nesse mundo levará você de mim&lt;br /&gt;Eu sei e você sabe&lt;br /&gt;Que a distância não existe&lt;br /&gt;Que todo grande amor&lt;br /&gt;Só é bem grande se for triste&lt;br /&gt;Por isso meu amor&lt;br /&gt;Não tenha medo de sofrer&lt;br /&gt;Que todos os caminhos&lt;br /&gt;Me encaminham a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o Oceano, só é belo com o luar&lt;br /&gt;Assim como a Canção, só tem razão se se cantar&lt;br /&gt;Assim como uma nuvem, só acontece se chover&lt;br /&gt;Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer&lt;br /&gt;Assim como viver sem ter amor, não é viver&lt;br /&gt;Não há você sem mim&lt;br /&gt;E eu não existo sem você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-3907406966906782951?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/3907406966906782951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=3907406966906782951' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3907406966906782951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3907406966906782951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/vinicius-o-poeta.html' title='Vinicius - o Poeta'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-7155274168785844680</id><published>2010-12-01T08:46:00.001-08:00</published><updated>2010-12-05T11:17:24.540-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Citações - Pensamentos'/><title type='text'>O que tem de ser, será!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;When people are meant to be together, no matter what the relationship, the universe will always find a way to bring them together no matter how far apart.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito nesta citação! Porque acredito que o caminho que percorremos e, ao qual chamamos vida, já está, nas suas linhas mestras, previamente traçado.&lt;br /&gt;E, o que tem de ser, será!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos liberdade para procurar atalhos, criar curvas mais ou menos perigosas, mudar um ou outro roteiro, ignorar um ou outro sinal, mas as tais linhas mestras do caminho lá estão, perfeitas, desenhadas sem hesitação. E, devagar, depressa, aos tropeços ou deslizando, vamos sempre ter ao caminho principal! Rôtos, magoados, geralmente exaustos, voltamos sempre ao caminho que nos foi dado percorrer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, acredito que nada acontece por acaso e todos os nossos acasos, esfuziantes de alegria uns, pesados de tristeza outros, todos têm sentido! &lt;br /&gt;Atravessa o nosso trilho, quem está destinado a nele deixar a sua marca! De fogo e de luz ou, de gelo e de sombra! E tudo, o fogo e o gelo, a alegria e a dor são parte da uma aprendizagem que não termina nunca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que, às vezes, há atrasos, desencontros e perdas, mas o caminho nem sempre é luminoso, aconchegado e florido! Há pedaços sombrios, desertos e espinhosos. &lt;br /&gt;Dias de glória, com sabor a champanhe, dias de amargura temperados de lágrimas!&lt;br /&gt;Noites de amor, a cheirar a rosas ou a chocolate quente, mas também as tais noites escuras, quando os lobos velam silenciosos e a lua uiva, uiva... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acredito que se chega ao beco sem saída, às vezes abruptamente, quando o Plano, o Plano que nos foi dado seguir, tenha chegado ao fim! Nunca nada termina cedo demais, mas no momento certo, quando tivermos cumprido, melhor ou pior, a missão que nos foi confiada, na busca incessante, solitária, silenciosa da Verdade, da nossa Verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;"In the attitude of silence the soul finds the path in a clearer light and what is elusive and deceptive resolves itself into crystal clearness.&lt;br /&gt;Our life is a long and arduous quest after Truth"&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mahatma Gandhi&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto são banalidades, mas a vida é banal, repetitiva, sem a importância que teimamos dar-lhe...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-7155274168785844680?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/7155274168785844680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=7155274168785844680' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7155274168785844680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7155274168785844680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/12/o-que-tem-de-ser-sera.html' title='O que tem de ser, será!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6762866733432578860</id><published>2010-10-16T11:22:00.001-07:00</published><updated>2010-10-29T06:14:00.950-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>O importante é... a rosa!</title><content type='html'>Não te aflijas com a pétala que voa: &lt;br /&gt;também é ser, deixar de ser assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosas verás, só de cinzas franzidas, &lt;br /&gt;mortas, intactas pelo teu jardim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu deixo aroma até nos meus espinhos, &lt;br /&gt;ao longe, o vento vai falando de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por perder-me é que vão me lembrando, &lt;br /&gt;por desfolhar-me é que não tenho fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Meireles&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6762866733432578860?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6762866733432578860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6762866733432578860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6762866733432578860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6762866733432578860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/10/o-importante-e-rosa.html' title='O importante é... a rosa!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-7513434640704173796</id><published>2010-10-16T03:08:00.001-07:00</published><updated>2010-12-01T14:39:30.027-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - pensamentos'/><title type='text'>One need not be a chamber to be haunted</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;One need not be a chamber &lt;br /&gt;to be haunted;&lt;br /&gt;One need not be a house;&lt;br /&gt;The brain has corridors&lt;br /&gt;Surpassing Material place&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily Dickinson&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso ser um quarto, para ser &lt;br /&gt;assombrado.&lt;br /&gt;Não é preciso ser uma casa;&lt;br /&gt;A mente tem corredores que superam&lt;br /&gt;Qualquer lugar concreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily Dickinson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não é preciso ser casa para ser assombrado!&lt;br /&gt;Nós somos assombrados! Naquelas noites, de estranha quietude, quando os lobos dormem silenciosos e somente a lua uiva, assombra-nos o nosso passado! Assombram-nos as nossas angústias, os nossos sonhos desfeitos, todos os projectos abandonados, os nossos desapontamentos! E, sobretudo, assombram-nos os nossos medos, aqueles medos ancestrais, medonhos, que já nascem connosco e que os temporais, malévolos, da vida,de repente, despertam! E que nos fazem tremer de frio e de solidão e nos magoam, magoam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, é então que o passado, que não se pode anular ou esquecer, se pode transformar numa cruel assombração! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mente não é um quarto assombrado! &lt;br /&gt;Nos corredores do meu cérebro, não silenciam lobos, nem uiva a lua!&lt;br /&gt;O meu passado acompanha-me como uma parte de mim, criado e esculpido, dia a dia, hora a hora, por minhas mãos! Hábeis, seguras, prudentes, mas também, desajeitadas, impulsivas, apaixonadas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ou, talvez não!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Talvez eu não tenha criado nada, não tenha esculpido nada e me tenha limitado a seguir um Plano superior qualquer...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não lamento nada! Talvez nem mudasse nada! Afinal, o meu passado é uma manta tecida com fiapos de alma, uma tela preciosa, bordada com fios de vida! Vida que, como uma dança, vou dançando de acordo com a música que o destino, (será destino?), vai compondo e tocando para mim! Pautas e pautas de canções, de baladas, de sinfonias e de alguns réquiens que acomodo num relicário sagrado, só meu: a minha memória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;And if I don't regret my past I just regret the time I've wasted with the wrong people! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;But in life, we must keep moving on. Looking back, what we see it`s just a chapter written in the past tense.&lt;br /&gt;We can`t close the book. We mustn`t close the book! Just turn the pages! And live! And hope...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-7513434640704173796?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/7513434640704173796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=7513434640704173796' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7513434640704173796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7513434640704173796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/10/one-need-not-be-chamber-to-be-haunted.html' title='One need not be a chamber to be haunted'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-535702926420237471</id><published>2010-10-15T16:26:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T16:28:36.843-07:00</updated><title type='text'>So true...</title><content type='html'>"I'm selfish, impatient and a little insecure. I make mistakes, I am out of control and at times hard to handle. But if you can't handle me at my worst, then you sure as hell don't deserve me at my best." - Marilyn Monroe&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-535702926420237471?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/535702926420237471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=535702926420237471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/535702926420237471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/535702926420237471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/10/so-true.html' title='So true...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6023527686503723433</id><published>2010-09-15T11:39:00.000-07:00</published><updated>2010-09-15T12:06:46.060-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O estado da Nação'/><title type='text'>RIDÍCULA! "MEMO"!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Foi com incredulidade e espanto  que assisti, hoje, ao vídeo da Ministra da Educação, na sua mensagem, absolutamente patética e risível, aos alunos, no início deste ano lectivo!!!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A euforia anormal, a alegria forçada, os erros e a postura, sem classe, da senhora pareciam indicar que não estava bem, "memo" nada bem!!!&lt;br /&gt;Não me lembro de ter assistido a um "discurso"(?) tão sem nexo, tão despropositado e tão cheio de erros, como este, para assinalar uma data que gostaríamos fosse marcante, para milhares de crianças e de jovens!! Mas que acarretou, para muitos, grandes e duras mudanças e pesados sacrifícios, em nome da redução de despesas!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única palavra que me ocorreu, perante uma ministra que parecia tonta, a bater a pestana, numa excitação sem sentido e visivelmente descontrolada, foi, com muita misericórdia, (porque quero ir para o céu!!!), a palavra "&lt;strong&gt;RIDÍCULA! "MEMO"!!!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um "MEMO" que, para culminar a desgraça, a ministra não se cansou de repetir...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6023527686503723433?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6023527686503723433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6023527686503723433' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6023527686503723433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6023527686503723433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/09/ridicula-memo.html' title='RIDÍCULA! &quot;MEMO&quot;!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-8369654481528241618</id><published>2010-09-15T11:24:00.000-07:00</published><updated>2010-09-15T11:32:45.205-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O estado da Nação'/><title type='text'>Ao contrário da Escola de sucesso</title><content type='html'>No início deste ano lectivo, muitas escolas já não abrem. E se, em algum casos, esta medida será compreensível, em muitos outros não é!&lt;br /&gt;A Escola de sucesso preconizada e em vigência nos países nórdicos tão citados, pelos nossos governantes, como exemplo a seguir, é a escola de pequena dimensão, de proximidade e onde o ensino ministrado é sério, rigoroso, exigente, mas, naturalmente, diferenciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, ao contrário dessa Escola de sucesso, implementa-se o mega-agrupamento, a mega-escola, fria, distante e disciplinarmente permissiva, onde o ensino é, forçosamente, de massas e indiferenciado!&lt;br /&gt;Esta é a escola que obriga os alunos, muitos deles crianças a iniciar o seu percurso escolar, a deslocarem-se, de camioneta, em percursos mais ou menos longos, saindo de casa  de madrugada, ainda escuro, atordoados de sono e regressando já escuro, exaustos, cheios de frio, enjoados e vomitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Educação é, cada vez mais, uma floresta de incertezas, revelando uma confrangedora incapacidade para preparar os alunos, de modo a que, mais tarde, possam servir o país, com inteligência, saber e responsabilidade.&lt;br /&gt;Sabemos que quem decide e lesgisla pretende, acima de tudo, cortar nas despesas, talvez porque não creia no poder do estudo, do trabalho sério, do rigor e do pensamento! Esta escola exige tempo, a formação certa, dos agentes de ensino e custa dinheiro!&lt;br /&gt;Quem decide e legisla parece crer, isso sim, na ignorância encapotada sob duvidosos diplomas, tirados à pressa, na habilidade manhosa, no facilitismo néscio que proporcione umas belas estastísticas para apresentar na UE, em termos de sucesso escolar, comprometendo, sem um tremor de conciência, uma cabal e tão necessária formação intelectual e cívica dos jovens, empenhando, assim, despudoradamente, o futuro da Nação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-8369654481528241618?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/8369654481528241618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=8369654481528241618' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8369654481528241618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/8369654481528241618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/09/ao-contrario-da-escola-de-sucesso.html' title='Ao contrário da Escola de sucesso'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4934326328207708916</id><published>2010-08-23T09:23:00.000-07:00</published><updated>2010-08-23T09:31:03.925-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O estado da Nação'/><title type='text'>Até quando...?</title><content type='html'>Num país onde grassa a confusão e o desperdício, onde a corrupção alastra, onde o favorecimento e o nepotismo são já naturalmente aceites e onde o crescente empobrecimento da população é indesmentível, o discurso do Primeiro Ministro ainda surpreende pela rósea fantasia e destoa, brutalmente, da negra realidade!&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;Num país onde a Justiça se debate num caos assustador, onde o desemprego não pára de aumentar, onde é visível o abrandamento do crescimento económico, onde a despesa pública aumenta vergonhosamente e as contas derrapam com estrondo, onde a escola pública se desfigura e se desmorona e onde a insegurança se instala, o Primeiro Ministro relativiza, despudoradamente, a profunda crise que nos consome e entusiasma-se, gesticula, tem esperança e tem certezas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ele e sob a sua sábia égide, o país cresce, equilibra-se, enriquece e afirma-se, aquém e além fronteiras!&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;O país vai-se afundando no pântano da pobreza, da intriga e da arrogância, vai-se dissolvendo entre os tentáculos da incompetência e do improviso, mas o Primeiro Ministro parece viver num outro Portugal de faz-de-conta, farto, limpo, organizado e florescente, um verdadeiro paraíso de bem-estar e de desenvolvimento, bem ao alcance das nossas mãos e, pelo qual, deveríamos, talvez, agradecer-lhe penhoradamente, mas que não é, seguramente, este nosso pobre, cinzento e esgotado Portugal, onde vamos, penosamente, sobrevivendo!&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt; Até quando...?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4934326328207708916?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4934326328207708916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4934326328207708916' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4934326328207708916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4934326328207708916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/08/ate-quando.html' title='Até quando...?'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5381696703877243853</id><published>2010-08-08T09:53:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T10:06:55.153-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O estado da Nação'/><title type='text'>Guerra Junqueiro e a Pátria!</title><content type='html'>Este texto foi escrito pelo escritor português Guerra Junqueiro há 113 anos criticando a situacão política de Portugal no final do século XIX. &lt;br /&gt;A sua pungente actualidade leva-nos a concluir, com mágoa, que Portugal é um país ESTAGNADO no tempo.&lt;br /&gt;Continuamos a ser um povo bovinamente resignado, estupidamente passivo e aflitivamente medroso! E, continuamos, unanimemente, a abdicar! De tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Até quando???&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt;Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, &lt;/strong&gt;burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, &lt;strong&gt;sem uma rebelião, um mostrar de dentes,&lt;/strong&gt; a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; &lt;strong&gt;um povo em catalepsia ambulante,&lt;/strong&gt; não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, &lt;strong&gt;da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5381696703877243853?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5381696703877243853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5381696703877243853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5381696703877243853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5381696703877243853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/08/este-texto-foi-escrito-pelo-escritor.html' title='Guerra Junqueiro e a Pátria!'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-4341741557502559572</id><published>2010-07-19T14:54:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T15:05:12.706-07:00</updated><title type='text'>Porque</title><content type='html'>Porque os outros se mascaram mas tu não&lt;br /&gt;Porque os outros usam a virtude&lt;br /&gt;Para comprar o que não tem perdão&lt;br /&gt;Porque os outros têm medo mas tu não&lt;br /&gt;Porque os outros são os túmulos caiados&lt;br /&gt;Onde germina calada a podridão.&lt;br /&gt;Porque os outros se calam mas tu não.&lt;br /&gt;Porque os outros se compram e se vendem&lt;br /&gt;E os seus gestos dão sempre dividendo.&lt;br /&gt;Porque os outros são hábeis mas tu não.&lt;br /&gt;Porque os outros vão à sombra dos abrigos&lt;br /&gt;E tu vais de mãos dadas com os perigos.&lt;br /&gt;Porque os outros calculam mas tu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; Porque eu nem sabia que tinha tantos seguidores e a vossa "presença" e o vosso interesse me deu uma grande, grande alegria, aqui fica, para vós, Amigos queridos, este poema, com um imenso e grato abraço!&lt;br /&gt;E, já agora, porque também respeito a vossa opinião, espero os vossos comentários!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-4341741557502559572?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/4341741557502559572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=4341741557502559572' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4341741557502559572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/4341741557502559572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/07/porque.html' title='Porque'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1726757236958958720</id><published>2010-07-19T14:36:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T15:14:10.233-07:00</updated><title type='text'>Mãe</title><content type='html'>Que desgraça na vida aconteceu, &lt;br /&gt;Que ficaste insensível e gelada? &lt;br /&gt;Que todo o teu perfil se endureceu &lt;br /&gt;Numa linha severa e desenhada? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como as estátuas, que são gente nossa &lt;br /&gt;Cansada de palavras e ternura, &lt;br /&gt;Assim tu me pareces no teu leito. &lt;br /&gt;Presença cinzelada em pedra dura, &lt;br /&gt;Que não tem coração dentro do peito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo aos gritos por ti — não me respondes. &lt;br /&gt;Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio. &lt;br /&gt;Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes &lt;br /&gt;Por detrás do terror deste vazio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe: &lt;br /&gt;Abre os olhos ao menos, diz que sim! &lt;br /&gt;Diz que me vês ainda, que me queres. &lt;br /&gt;Que és a eterna mulher entre as mulheres. &lt;br /&gt;Que nem a morte te afastou de mim! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Torga, in 'Diário IV'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste poema, transborda, estarrecida, a dor da perda, a angústia da presença muda, cinzelada, fria e indiferente e escorre, viscoso, o espanto, o infinito espanto perante a pesada ausência, perante o inquietante silêncio, perante o assustador desconhecido!&lt;br /&gt;Dedico, talvez inusitadamente, este poema a mim, à menina de três anos que fui e a todas as meninas e a todos os meninos que, como eu, um dia, se encontraram, indefesos,  perante a “desgraça”, sem remédio, da mais terrível das perdas, mergulhados no vazio mais profundo, na mais dolorosa solidão, a tremer de medo e de frio!&lt;br /&gt;Mas, essa estátua, cujo “perfil endureceu numa linha severa e desenhada”, é “a &lt;strong&gt;mulher eterna entre as mulheres que nem a morte  afastou de mim" ou deles!&lt;/strong&gt;!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Mãe!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1726757236958958720?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1726757236958958720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1726757236958958720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1726757236958958720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1726757236958958720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/07/mae.html' title='Mãe'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5291662505010874400</id><published>2010-05-30T15:33:00.000-07:00</published><updated>2010-05-30T15:38:56.438-07:00</updated><title type='text'>Violoncelo</title><content type='html'>Chorai arcadas,&lt;br /&gt;Do violoncelo!&lt;br /&gt;Convulsionadas,&lt;br /&gt;Pontes aladas&lt;br /&gt;De pesadelo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que esvoaçam,&lt;br /&gt;Brancos os arcos...&lt;br /&gt;Por baixo passam,&lt;br /&gt;se despedaçam,&lt;br /&gt;No rio, os barcos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundas soluçam&lt;br /&gt;Caudais de choro...&lt;br /&gt;Que ruínas(ouçam)!&lt;br /&gt;se se debruçam,&lt;br /&gt;Que sorvedouro!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trémulos astros...&lt;br /&gt;Solidões lacustres...&lt;br /&gt;- Lemes e mastros...&lt;br /&gt;E os alabastros&lt;br /&gt;Dos balaústres!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Urnas quebradas!&lt;br /&gt;Blocos de gelo...&lt;br /&gt;- Chorai arcadas,&lt;br /&gt;Despedaçadas, do violoncelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camilo Pessanha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som plangente do seu "&lt;strong&gt;Violoncelo", &lt;/strong&gt;pareceu-me sentir Camilo Pessanha guardar, num suspiro triste, pesado de lágrimas, a sua profunda mágoa e o seu aterrado espanto pela perfeita actualidade do seu poema, datado do fim do século XIX, neste País, decadente, quase em ruptura, em que hoje vivemos! Ou, será: em que hoje temos de sobreviver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pois, como escreveu José Augusto Saraiva, "...das arcadas do violoncelo emerge um choro convulsivo, que é justamente uma elegia pela pátria amortalhada... este poema, de 1900, é um requiem por Portugal...,na curva mais funda da sua decadência". Como nos nossos dias...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste belíssimo poema, que tão bem se ajusta ao Portugal empobrecido, cinzento e sofrido de hoje, Pessanha recorda-nos a simbologia da passagem das águas do rio e o som choroso, nostálgico do violoncelo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5291662505010874400?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5291662505010874400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5291662505010874400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5291662505010874400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5291662505010874400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/05/violoncelo.html' title='Violoncelo'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-3992160345181343341</id><published>2010-05-29T10:11:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T10:14:03.375-07:00</updated><title type='text'>Treze anos - Cantilena</title><content type='html'>Já tenho treze anos, &lt;br /&gt;que os fiz por Janeiro: &lt;br /&gt;Madrinha, casai-me &lt;br /&gt;com Pedro Gaiteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sou mulherzinha, &lt;br /&gt;já trago sombreiro, &lt;br /&gt;já bailo ao Domingo &lt;br /&gt;com as mais no terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sou Anita, &lt;br /&gt;como era primeiro; &lt;br /&gt;sou a Senhora Ana, &lt;br /&gt;que mora no outeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos serões já canto, &lt;br /&gt;nas feiras já feiro, &lt;br /&gt;já não me dá beijos &lt;br /&gt;qualquer passageiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando levo as patas,&lt;br /&gt;e as deito ao ribeiro,&lt;br /&gt;olho tudo à roda, &lt;br /&gt;de cima do outeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só se não vejo &lt;br /&gt;ninguém pelo arneiro, &lt;br /&gt;me banho co’as patas &lt;br /&gt;Ao pé do salgueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miro-me nas águas, &lt;br /&gt;rostinho trigueiro, &lt;br /&gt;que mata de amores &lt;br /&gt;a muito vaqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miro-me, olhos pretos &lt;br /&gt;e um riso fagueiro, &lt;br /&gt;que diz a cantiga &lt;br /&gt;que são cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tudo, madrinha, &lt;br /&gt;já por derradeiro &lt;br /&gt;me vejo mui outra &lt;br /&gt;da que era primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu gibão largo, &lt;br /&gt;de arminho e cordeiro, &lt;br /&gt;já o dei à neta &lt;br /&gt;do Brás cabaneiro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizendo-lhe: «Toma &lt;br /&gt;gibão, domingueiro, &lt;br /&gt;de ilhoses de prata, &lt;br /&gt;de arminho e cordeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim já me aperta, &lt;br /&gt;e a ti te é laceiro; &lt;br /&gt;tu brincas co’as outras &lt;br /&gt;e eu danço em terreiro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sou mulherzinha, &lt;br /&gt;já trago sombreiro, &lt;br /&gt;já tenho treze anos, &lt;br /&gt;que os fiz por Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sou Anita, &lt;br /&gt;sou a Ana do outeiro; &lt;br /&gt;Madrinha, casai-me &lt;br /&gt;com Pedro Gaiteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero o sargento, &lt;br /&gt;que é muito guerreiro, &lt;br /&gt;de barbas mui feras &lt;br /&gt;e olhar sobranceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mineiro é velho, &lt;br /&gt;não quero o mineiro: &lt;br /&gt;Mais valem treze anos &lt;br /&gt;que todo o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão-pouco me agrado &lt;br /&gt;do pobre moleiro, &lt;br /&gt;que vive na azenha &lt;br /&gt;como um prisioneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que em ele assomando &lt;br /&gt;co’o tamborileiro, &lt;br /&gt;logo se alvorote &lt;br /&gt;o lugar inteiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Que todos acorram &lt;br /&gt;por vê-lo primeiro, &lt;br /&gt;e todas perguntem &lt;br /&gt;se ainda é solteiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E eu sempre com ele, &lt;br /&gt;romeira e romeiro, &lt;br /&gt;vivendo de bodas, &lt;br /&gt;bailando ao pandeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ai, vida de gostos! &lt;br /&gt;ai, céu verdadeiro! &lt;br /&gt;ai, Páscoa florida, &lt;br /&gt;que dura ano inteiro!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Da parte, madrinha, &lt;br /&gt;de Deus vos requeiro: &lt;br /&gt;Casai-me hoje mesmo &lt;br /&gt;com Pedro Gaiteiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;In "Líricas Portuguesas – Portugália Editora"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;António Feliciano de Castilho&lt;br /&gt;1800 – 1875 &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-3992160345181343341?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/3992160345181343341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=3992160345181343341' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3992160345181343341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3992160345181343341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/05/treze-anos-cantilena.html' title='Treze anos - Cantilena'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1892894282047846142</id><published>2010-05-17T11:03:00.000-07:00</published><updated>2010-05-22T12:05:35.363-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões - grandes pensadores'/><title type='text'>Ao contrário de Emily Dickinson</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A Esperança é o derradeiro mal, é o pior dos males porquanto prolonga o tormento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;F. Nietzsche&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pandora trouxe a caixa que continha os males e abriu-a. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado “&lt;strong&gt;caixa da &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;felicidade&lt;/strong&gt;”. &lt;br /&gt;E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando. Desde então vagueiam e prejudicam os homens, dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente. Então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e esse derradeiro mal permaneceu fechado, lá dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem tem agora, para sempre, &lt;strong&gt;a caixa da felicidade&lt;/strong&gt;, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui e que sabe estar à sua disposição: ele abre-a quando quer, pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males e, para ele, frágil ser humano, o mal que restou é o que ele pensa ser o maior dos bens: a&lt;strong&gt; Esperança&lt;/strong&gt;.  &lt;br /&gt;Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a deixar-se torturar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para isso deu-lhes a Esperança: ela é, na verdade, o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.&lt;/strong&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Friedrich Nietzsche, “Humano, demasiado humano”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registo este texto e este pensamento trágico na sua absoluta desesperança, como contraponto ao belíssimo poema de Emily Dickinson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, também foi Friedrich Nietzsche que escreveu:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;"É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela!"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do caos, afinal, também irrompe a Esperança e a Luz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1892894282047846142?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1892894282047846142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1892894282047846142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1892894282047846142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1892894282047846142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/05/ao-contrario-de-emily-dickinson.html' title='Ao contrário de Emily Dickinson'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-884756454529665366</id><published>2010-05-17T10:30:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T06:46:30.872-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia - Esperança'/><title type='text'>Esperança é a coisa com penas - Emily Dickinson</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dickinson, "Hope is the Thing With Feathers"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hope is the thing with feathers&lt;br /&gt;That perches in the soul,&lt;br /&gt;And sings the tune--without the words,&lt;br /&gt;And never stops at all,&lt;br /&gt;And sweetest in the Gale is heard;&lt;br /&gt;And sore must be the Storm&lt;br /&gt;That could abash the little Bird&lt;br /&gt;That kept so many warm.&lt;br /&gt;I've heard it in the chillest land,&lt;br /&gt;And on the strangest Sea;&lt;br /&gt;Yet, never, in Extremity,&lt;br /&gt;It asked a crumb of &lt;strong&gt;Me&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt;Esperança" é a coisa com penas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esperança" é a coisa com penas&lt;br /&gt;Que se empoleira na alma&lt;br /&gt;E canta um som sem palavras&lt;br /&gt;E nunca, mas nunca, pára,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais doce é ouvido no vendaval;&lt;br /&gt;E dura precisa ser a tempestade&lt;br /&gt;Que poderia desanimar o passarinho&lt;br /&gt;Que mantém aquecidos a tantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o ouvi nas terras mais geladas&lt;br /&gt;E nos mares mais estranhos,&lt;br /&gt;Entretanto nunca, mesmo no desespero,&lt;br /&gt;Ele pediu uma migalha a &lt;strong&gt;Mim&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução de Luiz Felipe Coelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito, mesmo muito, deste poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily Dickinson é a poetisa da solidão e do pranto da alma, mas aqui, fala-nos da Esperança, como um pássaro que se empoleira na alma humana, aí pulsa caladamente e infatigavelmente, transmitindo confiança e aconchego, sobretudo, nos maus momentos.&lt;br /&gt;E, é quando a tempestade se desencadeia mais violenta e feroz, que a esperança, essa coisa com penas, esse sentimento que não se esgota e vive sempre connosco, é ainda mais doce e mais vivaz, sem nunca pedir nada em troca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E, é agora, num país vergastado por uma duríssima intempérie, dobrados ao peso de uma incontida vertigem de impostos, quase submersos numa vaga alterosa de pobreza e de desapontamento, que mais precisamos do cântico encorajador e do suave adejar deste pássaro de esperança, empoleirado nas nossas almas, para que a explosão da borrasca e a turbulência dos dias, não nos amarfanhe, não nos derrube, nem nos esmague!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-884756454529665366?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/884756454529665366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=884756454529665366' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/884756454529665366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/884756454529665366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/05/esperanca-e-coisa-com-penas-emily.html' title='Esperança é a coisa com penas - Emily Dickinson'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1027804566441755404</id><published>2010-05-17T05:02:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T05:20:19.152-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='grandes obras II - FLUP'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grandes livros'/><title type='text'>A terceira margem do rio</title><content type='html'>“A terceira margem do rio” é outro  conto revestido de simbolismo, da obra “Primeiras estórias” de Guimarães Rosa.&lt;br /&gt;Bem ao estilo deste escritor, esta é a estória insólita de um homem que se evade de toda e qualquer convivência com a família e com a sociedade, preferindo a completa solidão do rio, onde, dentro de uma canoa, sem nunca mais sair dela, rema rio abaixo, rio acima, rio a fora, rio a dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rio, aliás, muito presente na obra de Guimarães Rosa, parece ter exercido  uma forte atracção na imaginação do autor, que escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“... amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como os sofrimentos do homem. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: a eternidade. Sim, o rio é uma palavra mágica para conjugar a eternidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;espaço, neste conto, é delimitado pelo rio que domina a paisagem rural e  precisamente, no ir e vir do rio e da vida, emana a magia e a noção de transcendentalismo.&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta estória, o filho é o narrador e também personagem e o pai é o homem cujos ideais de vida não estão de acordo com os padrões, considerados normais.O pai “virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupa que a gente de tempos em tempos, fornecia”&lt;br /&gt;O pai fora sempre quieto, com tendência para o isolamento. Sempre fora a mãe a responsável pelo aspecto prático da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas, o que é a terceira margem? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A terceira margem é o que não se vê, o que não se toca, o que não se conhece.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O pai, ao ir à procura da terceira margem, busca o desconhecido dentro de si mesmo e o isolamento é a única maneira encontrada para procurar entender os mistérios da alma, o incompreensível da vida. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho quando criança, quis, na sua inocência, embarcar com o pai mas este impediu-o. Quando adulto, sendo o pai já velho, propõe-se subatituí-lo. Mas, no momento em que vê o pai vindo em direcção à margem, o filho fica com medo daquele homem que parecia vir do outro mundo e, aterrado perante a ideia de estar prestes a partir rumo ao desconhecido, &lt;strong&gt;foge&lt;/strong&gt;! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esta estória tenha sido o recurso, criado pelo autor, para discorrer sobre o medo que a humanidade tem do desconhecido, esse desconhecido que borbulha, lá muito no fundo de cada um de nós, do mistério da vida e da morte, do sentido de tudo, do “inominável”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mundo do “encantatório”, do desconhecido da terceira margem, &lt;strong&gt;“só poderia&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;ser recriado por por uma linguagem também recriada e nova, capaz de reflectir todo o deslumbramento desse universo." &lt;/strong&gt;Aliás Guimarães Rosa é um criador, um reinventador da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recursos Estilísticos&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A repetição&lt;/strong&gt; é um recurso expressivo do autor: “e o rio-rio-rio, o rio sempre perpétuo”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As figuras de linguagem reforçam o lado poético do conto:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A gradação &lt;/strong&gt;– “cê vai, ocê fique, você nunca volte”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A antítese &lt;/strong&gt;– “ perto e longe de sua família dele” &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- O  carácter metafórico do rio. &lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- As frases curtas e coordenadas, independentes,&lt;/strong&gt; dão um ritmo lento à leitura:” Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n`água, proava para cá concordando.”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A oralidade é reproduzida na fala do narrador&lt;/strong&gt;: “ do que eu mesmo em alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem ralhava no diário com a gente.”&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;A sintaxe &lt;/strong&gt;é recriada de maneira inusitada, provocando estranheza: “ não fez a alguma recomendação” “nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Neologismos &lt;/strong&gt;– “diluso” talvez variante de diluido, diluto; “bubuíasse”; termos pouco comuns como: “encalcou”, “entestou”, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1027804566441755404?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1027804566441755404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1027804566441755404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1027804566441755404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1027804566441755404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/05/terceira-margem-do-rio.html' title='A terceira margem do rio'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-360014617139390706</id><published>2010-05-01T10:04:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T10:27:53.752-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='grandes obras - Flup'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grandes livros'/><title type='text'>A menina de lá</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“A menina de lá”, &lt;/strong&gt;conto de &lt;strong&gt;Guimarães Rosa&lt;/strong&gt;, inserido na obra &lt;strong&gt;“Primeiras estórias”, &lt;/strong&gt;termo criado pelo autor e, mais tarde, amplamente usado por outros escritores, nomeadamente, Mia Couto, é uma estória bonita e delicada, mas insólita, bizarra, carregada de originalidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, “com os seus nem quatro anos” , franzina, sempre muito quieta, sentada a um canto, e cuja conversa ninguém parecia entender muito bem, é filha de um sitiante e de uma mulher sempre agarrada ao terço, mesmo quando se zanga e ralha.&lt;br /&gt;A menina vive em Temor-de-Deus, por trás da Serra de Mim. &lt;br /&gt;Chama-se Maria mas é sempre tratada por Nininha. Este diminutivo triplicado, reforça a sua fragilidade. É uma menina sensitiva, com o dom de ter contactos místicos e também dotada de poderes paranormais. Os seus desejos, por mais estranhos, realizam-se sempre: deseja ver um sapo, em tempo de seca e um sapo entra pela casa dentro, apetece-lhe "pamonhinha de goiaba" e logo aparece uma senhora com o doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, quando a mãe adoece, a menina diz que nada pode fazer mas abraça-a e, inexplicavelmente, a mãe fica curada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, desde o início da estória, a percepção de que a menina não pertence ao CÁ, (à terra, à proximidade), mas ao LÁ, (ao céu, ou a um mundo mágico, longínquo, divino), pela presença de palavras, deisticas no contexto em que são usadas, ligadas ao universo do mundo de LÁ: estrelinhas, lua, alturas, aves, mortos, saudades, milagre e, principalmente, arco-íris que é, aqui, uma palavra chave.&lt;br /&gt;A menina tem uma relação forte com a água límpida e cristalina que fecunda e cria e não suporta águas poluídas. &lt;br /&gt;Quando a menina deseja ver o arco-íris, faz chover.&lt;br /&gt; A chuva chega e com ela o arco-íris que proporciona uma enorme alegria a Nininha. Ela diz a Tiântonia que quando morrer quer um caixãozinho cor-de-rosa, com enfeites verdes brilhantes. Há nas suas palavras uma premonição da sua morte ou, a expressão do seu desejo de partir para LÁ!&lt;br /&gt;E, de facto, Nininha adoece e morre. E, os seus pais sabem que, com certeza e seja de que modo for, simplesmente porque demonstrou esse desejo, a menina será enterrada num caixãozinho bizarro, cor-de-rosa enfeitado de brilhos verdes! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arco-íris  poderá ser, simplesmente, entendido como um aviso de Deus de que a menina voltaria, muito breve, para o Seu seio. Na verdade, essa partida anuncia-se desde o início da estória: o dedinho dela quase alcançava o céu, iria visitar os parentes mortos, para não falar do próprio título do texto.&lt;br /&gt;Nesta estória, toda revestida de simbolismo, a menina pode ser entendida como a “anima” de qualquer pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se gostei desta estória? Mais do que gostei, esta estória encantou-me pela sua aparente simplicidade e imensa beleza e surpreendeu-me fortemente pela sua insólita originalidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; Este e outros dois contos deste fantástico escritor, &lt;strong&gt;Guimarães Rosa,&lt;/strong&gt; foram-me dados a conhecer pelo &lt;strong&gt;Professor, Dr. Arnaldo Saraiva,&lt;/strong&gt; que também, embora brevemente, deu a sua abalizada opinião sobre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-360014617139390706?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/360014617139390706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=360014617139390706' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/360014617139390706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/360014617139390706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/05/menina-de-la.html' title='A menina de lá'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6676072302604766623</id><published>2010-04-26T10:33:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T14:55:44.942-07:00</updated><title type='text'>Canção do exílio</title><content type='html'>Minha terra tem palmeiras,&lt;br /&gt;Onde canta o Sabiá;&lt;br /&gt;As aves, que aqui gorjeiam,&lt;br /&gt;Não gorjeiam como lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso céu tem mais estrelas,&lt;br /&gt;Nossas várzeas têm mais flores,&lt;br /&gt;Nossos bosques têm mais vida,&lt;br /&gt;Nossa vida mais amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cismar sozinho, à noite,&lt;br /&gt;Mais prazer encontro eu lá;&lt;br /&gt;Minha terra tem palmeiras,&lt;br /&gt;Onde canta o Sabiá.&lt;br /&gt;Minha terra tem primores,&lt;br /&gt;Que tais não encontro eu cá;&lt;br /&gt;Em cismar – sozinho, à noite –&lt;br /&gt;Mais prazer encontro eu lá;&lt;br /&gt;Minha terra tem palmeiras,&lt;br /&gt;Onde canta o Sabiá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não permita Deus que eu morra,&lt;br /&gt;Sem que eu volte para lá;&lt;br /&gt;Sem que desfrute os primores&lt;br /&gt;Que não encontro por cá;&lt;br /&gt;Sem qu’inda aviste as palmeiras,&lt;br /&gt;Onde canta o Sabiá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coimbra – julho de 1843&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio. In: FACCIOLI, Valentim; OLIVIERI, Antônio Carlos. Antologia da Poesia Brasileira: Romantismo. 9.ed. São Paulo: Ática, 1999. p.26.Série Bom Livro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota &lt;/strong&gt;- Lanço aqui este belíssimo poema, a propósito de um conto delicioso &lt;strong&gt;"A menina de lá", &lt;/strong&gt;do escritor brasileiro &lt;strong&gt;Guimarães Rosa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6676072302604766623?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6676072302604766623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6676072302604766623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6676072302604766623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6676072302604766623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/04/cancao-do-exilio.html' title='Canção do exílio'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5454032215191745159</id><published>2010-04-26T10:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T07:15:40.320-07:00</updated><title type='text'>Egipto</title><content type='html'>Nunca aqui registei qualquer nota acerca das viagens que tenho feito, muitas delas a países africanos porque, tendo nascido em África, tenho uma irremediável atracção por esse continente de profundos e dolorosos contrastes, mas transbordante de amplitude e de beleza!&lt;br /&gt;Não resisto, porém, a escrever sobre a minha última viagem, que mais não foi do que um vertiginoso mergulho nas fascinantes  História e  Cultura do antigo Egipto! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delicioso e memorável, foi o Cruzeiro ao longo dessa maravilhosa fonte de vida, o mítico Nilo, bordejado de espessa vegetação que, dizem, se tem vindo a estreitar, mercê do paulatino e terrivel avanço do deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorei visitar o Egipto que conhecia da História. O Egipto dos deuses poderosos, dos faraós magestáticos, das misteriosas pirâmides, para cuja construção não foi ainda encontrada uma explicação cabal! &lt;br /&gt;Sente-se apenas que, ali, algo de aparentemente impossível, se tornou realidade! &lt;br /&gt;E não sei descever a emoção que cresceu dentro de mim, quando me aproximei daqueles mastodontes de pedra, símbolos colossais do engenho, da força e do penoso sacrifício de um povo!&lt;br /&gt;Senti-me pequenina e frágil, perante a esfinge estática, impenetrável, carregada de mistério e de segredos milenares; prendi a respiração, de espanto, em Abu Simbel, um complexo arqueológico, na Núbia, constituído por dois grandes templos escavados na rocha, hoje de frente para o maior lago artificial do Mundo, perto da fronteira com o Sudão e mandados construír pelo faraó Ramses II, em homenagem a si próprio e à sua esposa preferida, a sua amada rainha Nefertari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luxor é outro incontornável ponto de referência no Egipto. Luxor moderna cresceu a partir de Tebas, a antiga capital do Império Novo. &lt;br /&gt;O Nilo separa Luxor em duas partes: a margem ocidental consagrada aos vivos e onde se encontram os mais importantes templos consagrados aos deuses da mitologia egípcia: o templo de Luxor e o templo de Karnak, o maior dos templos do antigo Egipto, em cujo interior ainda se preservam os colossos, gigantescas estátuas que encarnavam o génio do faraó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na margem ocidental, consagrada aos mortos, encontram-se: o Vale dos Reis, a principal necrópole do real império Novo do antigo Egipto, onde repousa Tutankamon, entre outros  faraós; o Vale das Rainhas, onde se destaca o túmulo da rainha Nefertari, esposa querida de Ramses II e o Templo Mortuário da rainha Hatshepshut, que governou, como um autêntico faraó e considerada a primeira mulher chefe do Governo, na História; por último, lá está também o Vale dos Nobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enorme foi o sobressalto entre o turbilhão de gente e de trafego desordenado nas ruas e a amálgama de cor e de luz que é o Cairo moderno e o deslumbramento que é o Cairo velho, com as suas ruas estreitas, as mesquitas, as madraças, onde as crianças decoravam, ( decoram ainda?), o Corão, os bazares antigos e o Khan el Khalili bazar imenso e incrivelmente apinhado de gente, numa trementa e contínua algazarra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estonteante é o museu do Cairo! Ali, está à vista de todos, a espantosa sabedoria, a capacidade de criar beleza e a engenhosa inteligência do povo egípcio! Fiquei, francamente, com a estranha e viva impressão que eles, a milhares de anos AC, criaram tudo, quando vi as camas e o trono desdobráveis, as sandálias tão parecidas com as modernas havaianas, os preservativos, toscos é certo, que já usavam,  as roupas interiores das damas, e tantos outros exemplos de artefactos e vestuário que hoje continuamos a considerar necessários, no nosso dia a dia, e que eles já tinham criado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, foi o descanso em Sharm El Sheihk, aos pés do Mar Vermelho, que se oferece numa longa extensão de água rasa, cristalina, até atingir a profundidade azul forte, mas sempre borbulhante de vida e de cor, sob a luminosidade forte e o calor de Amon Rá! A prática de snorkeling é, aqui, um enorme prazer e uma contínua e deslumbrante descoberta de rara beleza! &lt;br /&gt;Ali ao lado, está o Monte Sinai a recordar-nos Moisés e o penoso êxodo de um povo eternamente marginalizado e sacrificado!  A propósito, recordo o crime hediondo de Set, que matou o seu irmão Osíris, de que o crime bíblico de Caim,  milhares de anos depois, é afinal, uma réplica quase perfeita. Só que Abel não teve, como Osíris,  uma esposa amante e fiel, Ísis, que o procurou, lutou desesperadamente por ele até ter um filho seu, Hórus, o deus-falcão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Egipto, de facto, parece não haver fronteiras rígidas que separem  os deuses do homem. As feições dos deuses que conhecemos, são as feições do homem ou dos animais que os rodeiam, no céu ou na terra. As suas mãos são invisíveis e infinitas como invisiveis e infinitos são os raios do sol. E sente-se, com respeito, que a Água e o Fogo cósmico, o Nilo e o Sol, a essência divina e a essência humana estão ali presentes, em todos e em cada torrão do solo egípcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5454032215191745159?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5454032215191745159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5454032215191745159' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5454032215191745159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5454032215191745159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/04/egipto.html' title='Egipto'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1558124134834632336</id><published>2010-03-20T11:32:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T10:55:44.362-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='grandes obras.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grandes escritores'/><title type='text'>A propósito de Camilo Castelo Branco e de Eça de Queiroz</title><content type='html'>Conta-se que Guimarães Rosa terá respondido, mais ou menos assim, quando lhe pediram a sua opinião sobre estes dois escritores, do nosso orgulho e do nosso contentamento:&lt;br /&gt;Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz são dois dos grandes e mais marcantes nomes da Literatura Portuguesa! São ambos, magníficos e brilhantes escritores, e gosto muito dos dois. Mas, são diferentes! Por isso, leio Camilo, como quem visita o avô e leio Eça, como quem visita a amante!&lt;br /&gt;Se esta apreciação foi feita, exactamente assim, não sei! &lt;br /&gt;Mas, como Guimarães Rosa, adoro Camilo e já há muitos, muitos anos, apaixonei-me, irremediavelmente, por Eça!!! Uma paixão que perdura...&lt;br /&gt;Recentemente, reli " A queda de um anjo" e foi delicioso, ter-me deixado seduzir, de novo, por Camilo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1558124134834632336?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1558124134834632336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1558124134834632336' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1558124134834632336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1558124134834632336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/03/proposito-de-camilo-castelo-branco-e-de.html' title='A propósito de Camilo Castelo Branco e de Eça de Queiroz'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-7673155816123183869</id><published>2010-03-18T05:15:00.000-07:00</published><updated>2010-03-18T05:24:29.952-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>Carta de uma sapinha, ao menino Rui Manuel.</title><content type='html'>Menino Rui Manuel,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo, assim, esta carta, porque ouvi as criadas e o jardineiro chamarem-lhe menino, apesar de ser alto, bonito e garboso como um deus e ter um sorriso de dentes brancos, como pedrinhas de sal, lindo e cheio de luz!&lt;br /&gt;O menino não me conhece, nem nunca me irá conhecer! E, esta é uma carta que nunca será lida por si porque, para além da vergonha que eu sentiria se a lesse, não saberia, sequer, como fazê-la chegar às suas mãos, mas se não lhe escrevo, enlouqueço ou sufoco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma sapinha, pequenina, feia e viscosa e vivo aqui, junto ao lago, na sua quinta.&lt;br /&gt;Escrevo-lhe, menino Rui Manuel, só para lhe dizer que, há muito tempo,  o amo, com todas as forças da minha alma! Sou uma sapinha humilde, mas tenho sentimentos, tenho coração e, por isso, acho que também tenho alma, não sei!&lt;br /&gt;Quando o seu sorriso me abraça, mesmo que o seu sorriso não seja para mim e o menino nem saiba que existo, o sol brilhae cintila, embeleza o meu dia e aquece-me, consolador,  ainda que o tempo esteja frio, cinzento e chuvoso! Vê-lo, menino Rui Manuel, é uma festa, é um arraial, é um baile de gala! Ouvir a sua voz, o seu riso, o ruído macio dos seus passos é um poema tecido de luz, é uma melodiosa canção, é uma deslumbrante sinfonia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, um dia, o menino leu, aqui no jardim, um poema, a uma rapariga de cabelos escuros, que se encostava, toda langorosa, a si, senti um grande desalento, uma imensa tristeza e uma profunda amargura! E uma tremenda fúria, também! Acho que tive ciúmes, menino, uns ciúmes danados dessa delambida que o abraçava, com uns braços longos e magros, como espetos! &lt;br /&gt;Mas, gostei muito do poema, especialmente, de um verso, que decorei: “J`écoute le son de ta voix dans toutes les bruits du monde!” Exactamente, como eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondo-me de si, quando passeia junto ao lago, e só eu sei a ansiedade com que espero os seus passeios, porque tenho vergonha e repulsa de mim, da minha extrema e pegajosa fealdade. E tenho-me uma imensa raiva, uma raiva que me trespassa e um ódio sem medida por ser, assim, repelente, como sou! E, tenho medo, menino, um medo aflitivo, que me veja e não me queira aqui, este animal grotesco, risível, que sou, a destoar, brutalmente, da beleza delicada, do seu jardim!&lt;br /&gt;No verão passado, estive, muitas vezes, pertinho dos seus pés descalços, tão pertinho que uma ou duas vezes os toquei, de leve, com as minhas patas largas e feias. E, esses foram os momentos mais bonitos desta minha desgraçada  existência! E, na minha alma inquieta, repicaram sinos, desabrocharam rosas e resplandeceu o mais belo e fantástico fogo de artifício!&lt;br /&gt;Daria tudo, se tivesse alguma coisa para dar, para ser uma rapariga bonita e desejável e florir, radiosa, nos seus braços, num esbanjamento de afagos, de beijos e de palavras sussurradas! Daria tudo, se tivesse alguma coisa para dar, para, mesmo sendo uma feia sapa, sentir uma caricía sua, uma carícia, mesmo levezinha e breve, nas minhas costas! Mas, não tenho nada, nem sequer a minha mísera vida que, eu sei,  não tem qualquer valor, para oferecer, em troca!&lt;br /&gt;E, depois, como poderia o menino tocar-me, acariciar-me, se tenho uma pele grossa, rugosa, nojenta e perpetuamente húmida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tentei falar com  Deus, mas sou tão insignificante, que Ele não me vê, não me ouve, nem me responde. Se calhar, até já se esqueceu que me criou, e, por isso,  tenho-me limitado a  perguntar, a mim mesma, porque razão, no corpo desta  sapinha repugnante, que sou, bate, arrebatado, o coração cheio de amor, fogoso, doido, a estalar de emoção e de ciúme, de uma mulher ardente e apaixonada, que nunca serei?&lt;br /&gt;Às vezes, muitas vezes, quando me vejo, reflectida no lago, assim feia, escura e repulsiva, apetece-me fugir, apetece-me morrer, apetece-me confundir-me, para sempre, com a terra... sei lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de escrever esta carta, que o menino nunca irá ler, vou eu, lê-la muitas vezes, vou cobri-la de baba e de lágrimas, porque se uma sapinha se baba, a verdade é que também chora, e vou enterrá-la no sítio onde ousei tocar os seus pés descalços e onde senti o calor suave da sua pele macia, incendiar o meu corpo informe e gelado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, menino, confesso-lhe aqui, que tenciono escrever uma outra carta, mais curta, mas cheia de palavras ternas, enlouquecidas, apaixonadas! Uma carta de amor, romântica e ridicula, mesmo muito ridícula, tão ridícula, que, se o menino a lesse, fartava-se de rir! Mas, não faz mal! E, sabe, vou fazer de conta que foi o menino, num frémito louco de paixão, num delírio de amor,  que a escreveu, a pensar em mim!&lt;br /&gt;Depois, vou aconchegar-me em cima dela, ficar muito quieta, e deixar que o frio, a chuva, a neve, seja o que for, me adormeça, para eu morrer suavemente, assim devagarinho, a fazer de conta que sou uma linda princesa, a dormir um sono tranquilo, cheio de sonhos coloridos e fofos, como nuvens, nos braços fortes do seu principe encantador! E, eu que sempre vivi como uma sapinha triste, sem importância e horrenda, morro princesa, amante e muito amada! A transbordar de felicidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou terminar esta carta, quase cega pelas lágrimas! Estou a chorar e é a chorar que, me despeço de si e que, uma vez mais,  lhe digo que o amo, menino Rui Manuel, com todas as forças deste meu pobre e cansado coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua sapinha, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-7673155816123183869?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/7673155816123183869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=7673155816123183869' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7673155816123183869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7673155816123183869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/03/carta-de-uma-sapinha-ao-menino-rui.html' title='&lt;strong&gt;Carta de uma sapinha, ao menino Rui Manuel.&lt;/strong&gt;'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2474237126951138655</id><published>2010-02-14T08:08:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T10:13:19.308-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>Ninho de vespas</title><content type='html'>- Não posso com aquela gaja! Aquela cabra, ali, toda vaidosa, com o casaco de peles! Que casaco horrível, tão esquisito! Já viste o carro novo dela? Topo de gama! Do melhor!&lt;br /&gt;- Já vi, já! Mas o pior são as dívidas! Vive atolada em dívidas! Pelo menos é o que dizem, por aí!!!&lt;br /&gt;- Não, isso não é verdade! Afinal esse boato das dívidas, que por aí correu, é mentira! O que ela anda, é metida com o nosso Director!&lt;br /&gt;- O quê? Anda metida com esse palerma empertigado que cheira mal da boca? Não acredito!!!&lt;br /&gt;- É o que te digo, menina! Nunca reparaste nos olhos de carneiro mal morto dele, quando olha para ela...? &lt;br /&gt;- Ah! Coitada da mulher dele! Tão boa senhora! Velha e feia que dói, mas, tão boa senhora! Esta gaja é mesmo uma cabra sem vergonha! Eu já tinha ouvido falar num arranjinho entre ela e o pançudo do Administrador... Se calhar chega para os dois... Cala-te boca!!!&lt;br /&gt;- Bem, mas lá bonita é ela! E veste bem! E fala bem, a gaja! Que raiva! Que raiva! Tenho-lhe um ódio de morte!&lt;br /&gt;- Veste bem, vive numa mansão e tem um carro topo de gama! Pudera! Com o cornudo do marido, num alto cargo no banco, a receber balúrdios de dinheiro de salário, a fazer favores e a untarem-lhe as mãos, bem untadas, debaixo da mesa... Já sabes como é!!!&lt;br /&gt;- Nem me digas...!&lt;br /&gt;- Aquilo é só corrupção, menina!!! O marido deve ser tão bom como ela! E, os cornos, cá entre nós devem ficar-lhe bem, sei lá...!&lt;br /&gt;- Uma vaca tresmalhada à solta é o que ela é!! E, francamente nem acho que seja assim muito bonita! E, está a ficar velha e mais gorda, já reparaste? Como profissional, coitada, é uma nódoa!&lt;br /&gt;- Eu acho que ela não tem curso! O certo é que até aqueles burros baptizados, na Administração, andam com ela ao colo e tratam-na como uma princesa... Será favores que ela lhes faz, a todos, sei lá... Aquela perua ordinária, até me faz perder a minha alma...&lt;br /&gt;- Shiu! Cala-te! Ela vem aí! Olá, querida, tudo bem? Estás cada vez mais bonita e jovem! Esse casaco é muito bonito e original, mas fica-te muito bem! Só a ti podia ficar, assim, tão bem!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC &lt;strong&gt;(A Vespa - Animal repulsivo)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2474237126951138655?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2474237126951138655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2474237126951138655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2474237126951138655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2474237126951138655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/02/ninho-de-vespas.html' title='Ninho de vespas'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6718612925227229109</id><published>2010-02-14T07:35:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T08:07:46.612-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>A pulga</title><content type='html'>Que irritação... que chatice... que coceira,&lt;br /&gt;Senti, de repente, na noite! &lt;br /&gt;Virei-me, revirei-me, sem conseguir sossegar, &lt;br /&gt;Com as irritantes picadas, de uma saltitante pulga&lt;br /&gt;Que corria contente, furtiva e lanceira&lt;br /&gt;E, que eu tentava, em desespero, apanhar...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Furiosa... mal disposta... já desperta,&lt;br /&gt;Pois, bichinho danado, quem se julga?&lt;br /&gt;Anda cá minha pulga descarada.. malvada, &lt;br /&gt;Que hei-de, essa tua alegria, acabar...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que irritação... que chatice... que coceira,&lt;br /&gt;Que noite mal dormida... que maçada!&lt;br /&gt;Só consegui sossegar e, de novo, adormecer,&lt;br /&gt;Quando, enfim, ficou quietinha...&lt;br /&gt;Reduzida a nada, pobre pulga importuna,&lt;br /&gt;Entre as minhas unhas, esmagada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC (&lt;strong&gt;Animais importunos)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6718612925227229109?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6718612925227229109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6718612925227229109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6718612925227229109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6718612925227229109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/02/pulga.html' title='A pulga'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-1373810418425155372</id><published>2010-02-14T05:39:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T05:45:53.584-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>Uma vida em quatro tempos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nasci pouco antes da hora de jantar e, minha avó estava de cama com um resfriado que a levou para a cova, poucos dias depois.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci como um pequeno príncipe, numa casa rica, onde nunca nada me faltou, a não ser o amor e a carinhosa atenção  que nos encouraçam, desde o berço, para as agruras e os espantos da vida.&lt;br /&gt;Meu pai morreu, de repente, quando eu tinha sete anos. Meu tio, irmão do meu pai, tomou-me à sua guarda e levou-me para a sua casa, um palacete, no centro da vila, onde vivi rodeado de amas e de criadas. A minha mãe continuou na nossa casa, que era ali, mesmo ao lado. Dela, recordo a sua beleza fresca e os bonitos vestidos que eu não podia sujar ou amarrotar, com os meus abraços desajeitados de menino vagamente assustado. Não tive irmãos ou irmãs e, posso dizê-lo, fui sempre uma criança solitária e triste. &lt;br /&gt;Nunca percebi porque não fiquei, na nossa casa, com a minha mãe, assim como não percebi o relacionamento forma, ldela com o meu tio, se, no dia em que o meu pai morreu, os vi correr, num alvoroço,  um para o outro, abraçarem-se ternamente, a minha mãe a chorar e ele a cobrir-lhe o rosto bonito e fino, de trémulos beijos!&lt;br /&gt;Estava destinado, eu ir para a academia militar. Recusei firmemente. Aos dezasseis anos, mandaram-me para um colégio interno. A minha mãe continuava bonita e airosa, mas sempre ligeiramente distante e fria. O meu tio tratava-me com cordealidade, preocupava-se comigo, mas nunca me dava um abraço ou, me estendia a mão, num gesto,  visível, de  afecto.&lt;br /&gt;No momento delicado, do despertar da minha sexualidade, o Armando, meu companheiro, no colégio, apaixonou-se por mim e eu deixei-me envolver na doçura morna daquele amor, que suavizava e aquecia a minha alma gelada e seca.. Vivemosa história de um amor clandestino e proibido, que o Armando estava pronto a assumir mas, que a mim, me estarrecia. Assim, aquele foi sempre e apenas um amor idealizado, terno e cauteloso, como eu queria que fosse!  Um amor fortalecido por uma completa entrega, da parte dele, que marcou a minha vida, árida de afecto, de ternura e de partilha!&lt;br /&gt;Fomos juntos para a Faculdade e a minha sexualidade, fervilhava, inquieta, numa tremenda e avassaladora, confusão, de sentimentos, de incertezas e de medo! Quando terminámos o curso de Economia, decidi, ainda não sabia bem, se dobrado ao peso castrador das convenções sociais ou, se realmente porque as mulheres me começavam a interessar,  que, na minha vida, o Armando não podia ser mais do que um amigo! Um amigo querido, é certo, mas apenas um amigo! Disse-lhe, sem rodeios, brutalmente, que os olhares cúmplices, as suas incontroláveis carícias, a terna solicitude dele para comigo, tinham de acabar!  Aterrava-me a ideia que aquele seu amor arrebatado, transbordasse e fosse descoberto! O Armando gritou, chorou, insultou-me, suplicou e revoltou-se! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;No dia que fiz vinte e cinco anos&lt;/strong&gt;, o Armando suicidou-se!, &lt;br /&gt;E, eu nunca lhe perdoei a insensatez do seu desesperado gesto; nunca lhe perdoei ter-me deixado mais só e mais triste do que nunca; nunca lhe perdoei esta dor que se agarrou a mim, como um limo maldito, viscoso, aferrado a mim, por não o ter amado  como merecia; nunca lhe perdoei a minha infinita mágoa e o meu doloroso remorso pelo meu egoísmo, pelo meu medo! &lt;br /&gt;Fui uns anos para os Estados Unidos, mais exactamente, para São Francisco, onde vivi intensamente e onde fiz uma valiosa pós-graduação. Sentia-me profundamente mal comigo mesmo e a saudade viva, cada vez mais forte, do Armando, torturava-me!  Compreendi, tarde demais, que  o amava muito mais do que tinha querido admitir!&lt;br /&gt;Quando regressei ao país, assumi o controle da empresa do meu tio! Uns anos depois casei com a Teresa e tivémos três filhas. Casei e tornei-me um homem , como mandam as regras, de uma sociedade preconceituosa e hipócrita! Tão preconceituosa e hipócrita como eu, ao vestir a pele de um marido tranquilo, amado e amante, que nunca fui, e de um pai carinhoso e interessado, que me esforcei por ser!&lt;br /&gt;Descobri, depois de casar, que a Teresa era uma mulher difícil, quesilenta e sem sentido de humor. O nosso casamento, aparentemente feliz, era continuamente agredido por tremendas discussões, que me deixavam esgotado, e abalado pelas abomináveis birras e os patéticos queixumes da minha mulher. &lt;br /&gt;Fiz vários cursos de actualização no Reino Unido e na Alemanha. Ganhei muito dinheiro, perdi algum, viajei, joguei no casino, tive aventuras amorosas, sem consequências. Enfim, eu era o que se pode chamar um homem do mundo.  Por isso, também, muitas vezes me cansei e me aborreci! Mas, nunca, houve um dia, em que não recordasse o Armando. Com o passar dos anos, tornei-me mais fechado, mais irascível e fui ficando cada vez mais zangado comigo e com a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aos cinquenta anos&lt;/strong&gt;, fiz uma incursão no mundo da política, como assessor do ministro das Finanças. Foi uma experiência muito intensa, trabalhosa,  mas muito interessante!  Que não quis repetir, quando o mandato acabou!&lt;br /&gt;Um ou dois anos depois, no dia do casamento da filha de um amigo, conheci-a! E, vi-me, pela primeira vez, num estremecimento de alma, como um adolescente ansioso e perplexo, entre a emocionada magia do enamoramento e o infinito abismo da paixão.&lt;br /&gt;Este foi outro amor puro, platónico, mas forte, sob a forma de uma suave amizade, porque éramos ambos casados. Ela era uma mulher uns três anos mais nova do que eu, bonita, azougada e doce, que me encantou e me prendeu!  Amei-a, com todas as forças da minha alma!&lt;br /&gt;Nunca tive coragem de lhe falar no turbilhão incandescente, que se agigantava dentro de mim, porque sabia que jamais teria coragem de destruír a ordem social, estabelecida! Pelo contrário, afastei-me dela, perdi-a e perdi-me! Para me defender daquela paixão inesperada e febril, mas perigosa e transgressora, zanguei-me com ela sem razão e desorientei-a, com o meu distanciamento forçado e pretenso cinismo! &lt;br /&gt;Ela julgou-me cruel, quando eu estava a ser cobarde! Ela pensou ver, em mim, um desinteresse e uma raiva, que nunca senti, quando o meu coração explodia de amor e de ansiedade!  Ela viu-me voltar-lhe as costas, como um tolo arrogante, só porque eu não podia enfrentar a claridade pura do seu olhar,  morto  de ódio e de ciúme de todos os que a rodeavam! Ela sentiu-se traída e ignorada, quando eu apertava os punhos até doer, no fundo dos bolsos, só para não correr para ela e apertá-la, à frente de todos, num infinito abraço!&lt;br /&gt;E, por ela, com ela na alma, conheci a exaltação, o ciúme, a alegria, a tristeza, o ódio, arroubos dourados de esperança e o desespero! &lt;br /&gt; Mais uma vez, para não abalar as solenes  convenções sociais , desisti dela!  Preferi, em nome da mais triste cobardia, chafurdar, na mais dilacerante amargura, na mais negra frustação! E, reconheci o gosto amargo da renúncia!&lt;br /&gt;Nunca mais a vi. Fui, durante anos, a almoços, a jantares, a reuniões e até a funerais, onde pensava poder encontrá-la! Só para a ver! Só para poder mergulhar, por instantes, o meu olhar turvo e desassossegado, na luz clara e serena do seu olhar! Só para respirar , nem que fosse por momentos, o mesmo ar que ela! Mas, nunca mais a vi!  Fechei-me ainda mais em mim e sei que me fui tornando, cada vez mais irascível, mais zangado com tudo e com todos! Mas nunca, nestes anos todos, se passou uma noite que eu não adormecesse, a pensar nela!  &lt;br /&gt;Entretanto, adoeci gravemente e fui submetido a uma delicada cirurgia. Nunca mais, desde então, fui o mesmo homem forte e enérgico que era! Mas, nem a minha doença suavizou o azedume da minha mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tenho setenta e cinco anos&lt;/strong&gt;. Continuo casado com a Teresa. Uma Teresa mais quesilenta, mais mal disposta, cada vez mais gorda e mais insuportável! Mas a verdade é que fui eu que escolhi continuar a esbracejar nesta vida, feita de discussões, de zangas, de mágoas e também de cansaço e de uma profunda indiferença! Sim, porque creio que já é por hábito, que continuamos juntos, que nos odiamos e discordamos tanto!&lt;br /&gt;As nossas filhas seguiram o seu caminho. E, tenho, hoje, a medonha, a frustrante sensação que não tenho nada! &lt;br /&gt;Estou doente e não me resta muito tempo! Olho para trás e sinto que fiz quase nada, da minha vida! Fui um menino carente, solitário e triste; fui um jovem egoísta, solitário e triste;  fui um homem acomodado, solitário e triste; sou um velho doente, amargurado, solitário e triste! Fui sempre fraco, solitário e triste!  &lt;br /&gt;Mas, apesar de tudo, o Armando e ela aqui permanecem comigo, hoje, e  nos dias que me restam, como duas referências poderosas e ardentes! Eles foram duas vagas imensas, cristalinas, arrebatadoras e perturbantes que me inundaram a vida de paixão e de amor mas, nas quais,  não eu soube, não ousei mergulhar, abandonar-me e perder-me! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tenho cinco netas. O meu primeiro neto nasceu ontem, pouco antes da hora do jantar e eu ainda não o vi porque, estou de cama , há uns dias, com um resfriado que me tolhe...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-1373810418425155372?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/1373810418425155372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=1373810418425155372' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1373810418425155372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/1373810418425155372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/02/uma-vida-em-quatro-tempos.html' title='Uma vida em quatro tempos'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-7726875010159827982</id><published>2010-02-14T04:53:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T10:16:15.750-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>Naquela noite densa e escura...</title><content type='html'>Não sabia como tinha ido parar ali. Saíra da estrada, e estava, agora, num carreiro estreito, rodeado por uma mata escura de árvores e de arbustos altos. À esquerda, espreitava um lago negro e baço.&lt;br /&gt;A noite estava escura e densa. &lt;br /&gt;As ramagens das árvores farfalhavam inquietas, soluçando mágoas e desfiando pecados velhos, feios, malditos, e o vento percorria o carreiro e acariciava as árvores e os arbustos com frémitos de amante, doido e meigo, e gemia melopeias, mil vezes repetidas. &lt;br /&gt;O lago negro, parado, parecia um polvo adormecido, ameaçador, na sua aparente quietude!&lt;br /&gt;Pareceu-lhe sentir a presença de alguém e julgou ouvir passos leves, abafados, furtivos mas depressa percebeu que, o que ouvia, eram as batidas fortes, desritmadas do seu coração! &lt;br /&gt;Estava sozinho, perdido, vulnerável, naquele recanto desconhecido!&lt;br /&gt;Sombras corriam pelo carreiro, emaranhavam-se por entre as árvores negras a segredarem, entre si, uma urdidura velhaca de intrigas e de enredos, e serpenteavam até ao lago, como cobras coleantes, esquivas, traiçoeiras.&lt;br /&gt;A sensação inquietante de uma presença, apenas pressentida, mas que se impunha, dominadora, perturbava-o! &lt;br /&gt;Subitamente as águas estagnadas do lago pareceram revolver-se, como se tivessem despertado de um torpor longo e doentio e, por momentos, coberto de suor, ele imaginou tentáculos monstruosos, pegajosos e fortes como tenazes, a emergirem e a estenderem-se, malignos, até si. &lt;br /&gt;O pio lúgubre do mocho despertou a noite, com o seu queixume triste!Ele estremeceu e, aquele ambiente pesado e misterioso, lembrou-lhe as cartas! As cinco cartas de um amor alarmado pela ameaça do abandono perpétuo que, desde sempre, o tinham fascinado e que iria abordar, na conferência, no dia seguinte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco cartas latejantes de paixão, carregadas de lágrimas e de cansados suspiros que o coração e o corpo saciados do outro, nunca tinham sabido entender!&lt;br /&gt;Aquelas cartas, pensou, com emoção, sendo um precioso e delicado luzeiro literário, tinham, na sua pungência, eternizado um amor! Um amor  pecaminoso, condenado, ardente de insaciável desejo, vivido em noites assim, como aquela, densas, escuras, atravessadas de mistério e de sombras! Mas também noites apaixonadas, libidinosas, carregadas de fascínio e de luxúria!&lt;br /&gt;São cartas desorganizadas, escritas num frenesim, à toa, sem pensar, que não seguem preceitos ou normas, que não obedecem a regras de moral ou de gramática, com a dignidade a querer sofucar o amor ou, talvez, com o amor a querer estrangular a dignidade!&lt;br /&gt;Encolheu, ligeiramente, os ombros, descontente. Consigo próprio! &lt;br /&gt;Ali estava ele, o professor exigente, o crítico temido, o poeta inquieto, o escritor insatisfeito...&lt;br /&gt;Não! Se aquelas são cartas desorganizadas, irreflectidas, desvairadas, é porque, mais do que cartas, são retalhos de alma, são golfadas de dor, são cintilações de luz, são poços, sem fundo, de sombra funesta!&lt;br /&gt;Por isso, porque elas são fruto de um amor fremente, enredado nas teias geladas do abandono, são desgrenhadas, impetuosas, contraditórias! São cândidas e lascivas! São luminosas e turvas! São ternas e coléricas! São líricas e trágicas!&lt;br /&gt;E, só ela, perdida a esperança, à medida que a dor  crescia e se agudizava, tomando o vulto de um temporal desfeito, medonho, podia ter escrito, saudosa, tresloucada: “Amo-te mil vezes mais do que a própria vida, e mil vezes mais do que imagino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, o pio magoado do mocho cortou, de novo a noite, cada vez mais escura, cada vez mais densa! As ramagens das árvores e os arbustos altos confiavam, ainda, ao vento, inconfessáveis segredos e urdiam, entre si, tramas caluniosas, crueis. No lago, agora, uma bolha negra e gordurosa, ele pressentiu os monstros horrendos que ali se revolviam, e ameaçavam prendê-lo nos seus miasmas letais.&lt;br /&gt;“Os meus medos!” pensou. "São os meus medos sombrios, viscosos, danados, que me torturam e que me envenenam que ali sinto, enleados num novelo maléfico, sem princípio, nem fim!”&lt;br /&gt;E, o pio lancinante, do mocho a ecoar, longamente, na noite  velha e gasta, e a fazer doer... a fazer doer a alma! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a presença, aquela presença assustadora a impor-se! Invisível, persistente, poderosa! Cada vez mais próxima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, trémulo, num arrepio de susto e de espanto, viu, à sua direita, a figura diáfana de uma rapariga vestida de branco. Tinha os longos cabelos em desordem, os fartos cachos de caracóis dourados a desfazerem-se, lânguidos, sobre os ombros. No rosto branco e fino, luziam os olhos grandes, verdes, transfixos. &lt;br /&gt;Estática, muda, pálida, com os braços caídos ao longo do corpo ela era um frágil ponto de luz, uma suave emanação de brilho, no negrume profundo da noite! &lt;br /&gt;Ele olhava para ela, emudecido, num assombro! &lt;br /&gt;Ela, calada, branca e loira, branca e fria, atravessava-o com o olhar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submerso num mar de terror e de náusea, com a voz presa na garganta, ele tentou respirar fundo e tossiu ligeiramente.&lt;br /&gt;Ela pareceu não o ouvir e voltou-se devagar, silenciosa, quase transparente...&lt;br /&gt;Num impulso, antes que se ela perdesse na mata negra, ressumante de suspiros e de lamentos, ele perguntou, agora, aos borbotões, numa ansiedade estranha, tão estranha como aquela estranha noite: “ Como se chama?”&lt;br /&gt;E, ele nunca soube dizer se foi a rapariga que, num murmúrio,  falou, se foram as ramagens das árvores que, docemente, sussurraram, se foi o lago que, cansado, gorgolejou ou, se foi o pio dolorido do mocho que, nesse instante, quebrou o silêncio enfeitiçado, daquela noite singular, e que, plangente e grave, respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mariana!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota: Como o macaco é um exímio imitador, também os humanos usam e, às vezes abusam, dessa sua capacidade de imitar!&lt;br /&gt;Assim sendo, vesti uma pele que não é a minha e escrevi este texto, a imitar um escritor ultra-romântico.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-7726875010159827982?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/7726875010159827982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=7726875010159827982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7726875010159827982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/7726875010159827982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/02/naquela-noita-densa-e-escura.html' title='Naquela noite densa e escura...'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6785787629902458369</id><published>2010-01-13T08:12:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T08:30:39.625-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>O macaco de pedra</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S030qTfKgTI/AAAAAAAAAA0/VT1EI6l-nqo/s1600-h/07CA43T2XXCA9X80J5CAKZF9PQCACKBSY4CAES82XICA04Y4MGCAVFEI2LCAHNS93PCAZCP2VXCA0YEI04CADQF5KMCA0SMGGNCA91WVLRCAZUV9GNCA33N4J1CAMN47IGCA6GNCVVCA7NYEGWCA64NL59.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 119px; height: 117px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S030qTfKgTI/AAAAAAAAAA0/VT1EI6l-nqo/s200/07CA43T2XXCA9X80J5CAKZF9PQCACKBSY4CAES82XICA04Y4MGCAVFEI2LCAHNS93PCAZCP2VXCA0YEI04CADQF5KMCA0SMGGNCA91WVLRCAZUV9GNCA33N4J1CAMN47IGCA6GNCVVCA7NYEGWCA64NL59.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426262133673984306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Havia numa planície do Oriente, uma rocha que, desde que o mundo fora criado,se deixava banhar, feliz, pelos raios da lua e do sol. Um dia, essa rocha inchou,inchou, entreabriu-se, e deu, ao mundo, um ovo de pedra. Esse ovo foi assolado por um furacão e rebentou. Dele, saiu um &lt;strong&gt;macaco de pedra&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;O macaco possuía cinco sentidos: a visão, a audição, o olfacto, o paladar e o tacto. Os seus movimentos, porém, eram lentos. Depois de muitos alongamentos, ele conseguiu dirigir-se aos quatro pontos cardeais, alimentando-se dos frutos das árvores e da água das torrentes. Mais tarde, foi morar para as montanhas, dormindo, à noite, nas baixas vertentes e, durante o dia, voltando ao cimo. Fez amizades com outros macacos, os gibões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia de muito calor, o macaco foi até um bosque de pinheiros, em cujo centro, havia uma cascata, profunda e fresca; os gibões acompanhavam-no. Ao ver a água tão pura, tão cintilante, o macaco decidiu mergulhar nela a fim de procurar a nascente e medir a sua profundidade. Primeiro, mergulhou o macaco de pedra, visto que seus camaradas haviam decidido eleger Rei, aquele que descesse ao fundo da ondulante cascata... Ao chegar ao fundo, o macaco abriu os olhos. Não havia água, nem cascata; havia apenas um palácio onde estava escrito: “Monte das flores e dos frutos, terra da felicidade, caverna celeste”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O macaco apressou-se a emergir, em busca dos demais macacos, a fim de lhes explicar o que havia descoberto no fundo da cintilante cascata. Os gibões, muito felizes, dançaram de alegria. O macaco de pedra, porém, disse-lhes: “Vamos morar no palácio; lá estaremos ao abrigo do sol e da chuva”. Todos mergulharam e tomaram posse do palácio da felicidade. O macaco de pedra instalou-se num trono e fez com que o aclamassem Rei, conforme fora combinado. Foi nomeado &lt;strong&gt;“O Perfeito Macaco-Rei”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, apesar da glória de soberano, apesar de ter acumulado riquezas e poder, o Macaco-Rei vivia melancólico. Temia a velhice e a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu, um dia, partir em busca da imortalidade - iria ao mais fundo das cavernas, ao azul do céu, cavalgaria ao vento. No decorrer dessa busca, seu corpo e seu espírito pouco a pouco foram-se modificando e ele acabou por se tornar &lt;strong&gt;homem&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O macaco e a lenda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6785787629902458369?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6785787629902458369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6785787629902458369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6785787629902458369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6785787629902458369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/01/o-macaco-de-pedra.html' title='O macaco de pedra'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S030qTfKgTI/AAAAAAAAAA0/VT1EI6l-nqo/s72-c/07CA43T2XXCA9X80J5CAKZF9PQCACKBSY4CAES82XICA04Y4MGCAVFEI2LCAHNS93PCAZCP2VXCA0YEI04CADQF5KMCA0SMGGNCA91WVLRCAZUV9GNCA33N4J1CAMN47IGCA6GNCVVCA7NYEGWCA64NL59.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2237807553144309118</id><published>2010-01-09T12:21:00.000-08:00</published><updated>2010-01-10T09:05:44.622-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>Orion e o escorpião</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jlp8qV8SI/AAAAAAAAAAs/ItdAfw5Cre4/s1600-h/orion_xray_c.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 154px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jlp8qV8SI/AAAAAAAAAAs/ItdAfw5Cre4/s200/orion_xray_c.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424838259988885794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-nos a lenda que Artemísia, apesar do seu voto de castidade, apaixonou-se  perdidamente pelo jovem Orion, dispondo-se a renunciar à sua aura de deusa mais casta e mais pura, entre todas as deusas do Olimpo e a casar com ele. &lt;br /&gt;O seu irmão gémeo, Apolo, enciumado, decidiu impedir o enlace mediante uma grande perfídia: quando estava numa  praia, na companhia da irmã, desafiou-a a atingir, com a sua flecha, um ponto negro que mal se distinguia, à tona da água, devido à grande distância. Artemísia, exímia caçadora, vaidosa da sua perícia, prontamente retesou o arco e atingiu o alvo, que imediatamente, desapareceu no abismo do mar, fazendo-se substituir por uma espuma alterosa e ensanguentada. Era Orion que ali nadava, fugindo de um imenso &lt;strong&gt;escorpião&lt;/strong&gt; criado por Apolo para persegui-lo, conduzindo-o, assim, para os confins do oceano. &lt;br /&gt;Ao ter conhecimento da trágica morte do amado, às suas próprias mãos, Artemísia, inconsolável e desesperada, conseguiu, do pai, Zeus, que a vítima e o escorpião fossem transformados em constelações, para sempre vivas, no céu. &lt;br /&gt;assim, quando a belíssima constelação de Órion se põe, a constelação de escorpião nasce, perseguindo-a sempre, cegamente, mas sem nunca a alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Bichos na Mitologia&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2237807553144309118?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2237807553144309118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2237807553144309118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2237807553144309118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2237807553144309118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/01/orion-e-o-escorpiao.html' title='Orion e o escorpião'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jlp8qV8SI/AAAAAAAAAAs/ItdAfw5Cre4/s72-c/orion_xray_c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-3837893365872054882</id><published>2010-01-09T09:19:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T09:26:55.784-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>O sonho de Artemísia</title><content type='html'>Era uma manhã de verão e o sol parecia fazer desabar toda a sua preciosa carga de ouro, na pequena cascata que descia ondulante e formava, no solo, um pequeno lago, como uma concha de água cristalina, circundada de verdura, num recôndito do bosque.&lt;br /&gt;O sol abrasava e Artemísia, a deusa da serena luz do luar, que por ali passava, acompanhada das suas ninfas, decidiu banhar-se na concha, onde a cascata se desfazia em espuma.&lt;br /&gt;As ninfas despiram-lhe a túnica, descalçaram-lhe as sandálias e ela mergulhou, devagar, o corpo finamente esculpido, flexível e fresco, como a haste de uma flor em botão.&lt;br /&gt;Acteon que se perdera, quando andava à caça, com a sua matilha de cinquenta cães, passou por ali, viu-a e ficou paralisado, perdido num êxtase quase místico, perante aquela deslumbrante criatura no banho, escondido, pelas sebes cerradas, verdes e lustrosas.&lt;br /&gt;Artemísia, porém, apercebeu-se do intruso e, enraivecida  pela ousada profanação dos seus virginais mistérios, preparava-se para chamar as  suas ninfas, quando uma estranha dormência, um quebranto desconhecido a fez reclinar-se na relva que bordava a orla daquela taça de água translúcida. &lt;br /&gt;A deusa adormeceu profundamente e sonhou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sonho, ela dirigia-se para aquele mesmo recanto ermo e verdejante do bosque, o sol a escaldar e a fazer desabrochar mil perfumadas corolas, nos jardins, ansiosa por banhar o seu corpo sequioso na concha cristalina, que se aninhava aos pés da cascata e onde a água cantava, recolhida entre arbustos, chorões, carvalhos e nogueiras ramalhudas.&lt;br /&gt;Dois velhos que por ali passavam, curvados, feios, a pele amarela a cheirar a ranço e a penas de frango, os olhos esbugalhados, detiveram-se, boquiabertos, a espreitá-la, na sua esplendorosa  beleza nacarada, que uma túnica alva e transparente, revelava mais do que cobria.&lt;br /&gt;Ela, a casta Artemísia, rainha da serena luz, dos bosques, dos bichos e infatigavel caçadora, aproximou-se da cascata, sem se saber  despida, devassada por aqueles olhos lúbricos, de pálpebras pesadas e descaídas que percorriam e quase apalpavam, excitados, o seu pescoço de garça, os seus seios perfeitos e firmes, o seu ventre liso, as suas coxas macias, a sua pele de cetim, que deus ou homem algum jamais vira.&lt;br /&gt;Os velhos, os olhos arregalados, a boca torcida, num arreganho de volúpia, fosforejavam, babados, como lobos gulosos, à vista da ovelha sem pastor.Por entre os arbustos, eles observavam-na, num frenesim de luxúria e de imunda concupiscência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E, Artemísia, revolvia-se, angustiada, no sono).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, depois de mandar retirar as ninfas, a deusa deixou cair a túnica e ía meter o pé descalço, na água cristalina, os velhos enlouquecidos de desejo, perante a sua radiosa e sensual nudez, arremeteram,  para ela.  &lt;br /&gt;Com um grito abafado de susto e de vergonha, Artemísia tentou cobrir-se com a túnica, que pouco ou nada escondia, e  dispos-se a chamar as ninfas. Os velhos, contudo, exaltados como bichos com cio, tentavam agarrá-la, com as suas mãos aduncas, ásperas, nojentas, e exigiam, babosos, num desvario, que se deixasse  tocar e possuir, por eles, sob a ameaça de a acusarem de ser uma libertina, à solta pelos bosques, e de declararem  terem-na  surpreendido, numa cópula vergonhosa e desenfreada, com um rústico pastor, maculando, assim, para sempre, a sua auréola de sublime castidade, entre as deusas do Olimpo. &lt;br /&gt;Artemísia, entretanto, ía fugindo do toque infame daqueles velhos lascivos, putrefactos e túrgidos, perdidos, naquele estranho sonho/pesadelo, os seus dons de deusa poderosa e caçadora exímia! Mas, mesmo vulnerável, indefesa, despojada da sua aljava de prata, ela ainda era a casta Artemísia que jamais se deixaria subjugar, que jamais deixaria destruír o odor de castidade que era o dom mais precioso da sua essência e gritou, gritou, aflita, por auxílio!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E, a deusa agitava-se, convulsa, no sono inquieto.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acorreram, num espanto, as ninfas e os duendes. Os velhos furiosos, declararam, então,  sobranceiros, com meio-sorrisos cínicos e olhares cúmplices, terem-na visto, ofegante e ébria de prazer, numa louca orgia dos sentidos, nos braços grosseiros de um pastor qualquer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E, essa repelente difamação espalhou-se, como um incêndio e fez tremer o Olimpo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeus foi chamado a intervir!. Artemísia, a deusa da serena luz, prateada, do luar, pálida, morta de vergonha e de desespero, esperava que se fizesse justiça. Apolo, seu irmão gémeo, olhava-a,  atónito e enciumado. Mais tarde, iria, sem misericórdia, destroçar o coração da irmã, levando-a, com uma artimanha pérfida, a matar,  ela própria, o amor da sua vida, Orion. Mas, essa é outra história, que não pertence a este perturbante sonho.&lt;br /&gt;Zeus, com a filha a seu lado e com a sabedoria própria de uma divindade, decidiu falar com os velhos, em separado.&lt;br /&gt;Imponente e severo, perguntou ao primeiro onde vira a deusa a copular com o pastor e ele disse, afoito e mau, que tinha sido debaixo de um chorão, cujas ramagens fartas e pendidas até ao solo, teriam escondido tão reles acto, não fossem os gemidos altos e a respiração opressa dos dois. Num salto temporal prodigioso, num outro tempo e num outro espaço, o chorão iria ter o seu momento de glória, quando, segundo a lenda, escondeu uma jovem mãe e o seu filho, Jesus, na fuga para o Egipto. Mas, essa é também outra história, que nada tem a ver com este aflitivo sonho.&lt;br /&gt;Feita a pergunta ao outro velho, ele respondeu, maldoso e  seguro de si que tinha visto a deusa e o rude pastor no debochado abraço, debaixo de uma nogueira. Nesse mesmo salto temporal, segundo a lenda, a madeira dessa árvore iria servir para crucificar, barbaramente, um homem bom e justo, esse mesmo Jesus, que o chorão protejera e salvara, anos antes. Mas, essa é outra história, também sem cabimento no sonho terrível, sofrido de Artemísia.&lt;br /&gt;Então, Zeus, desencadeada a sua ira, trovejou aos dois velhos: “ Que as vossas mentiras sejam a vossa eterna condenação a um excruciante sofrimento, no Hades!” E, a um golpe do seu portentoso raio de fogo, os dois velhos tombaram a seus pés. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E, a deusa da serena luz, saciada a sua sede de justiça, sorriu, tranquila, no sono).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a respiração descontrolada, mal refeita daquele sonho/pesadelo, Artemísia abriu os olhos e descortinou Acteon, ainda escondido, atrás das sebes, simultaneamente, surpreendido com a  dolorosa inquietação no sono, de tão delicada criatura, e estático, irremediavelmente, preso ao encantamento da sua arrebatadora beleza! &lt;br /&gt;Furiosa com aquela ousadia que a profanava, Artemísia aspergiu-o com a água onde se banhava e transformou Acteon num cervo, no meio de gritos e de lamentos pois, cada osso, cada músculo  transformava-se, alongava-se  ou  retraía-se, com dores lancinantes. &lt;br /&gt;E, indescritível foi o seu sofrimento e o seu horror ao sentir as mãos e os pés  endurecerem  e tomarem a forma de cascos e na cabeça crescerem chifres!&lt;br /&gt;Os seus cães que por ali andavam, já  famintos, ao verem aquele cervo grande, carnudo e tenro, correram, alucinados, atrás dele. &lt;br /&gt;Acteon  tentou chamá-los pelos nomes, suplicar-lhes que parassem, mas era, agora, um bicho! Não tinha voz! Ainda os sentiu abocanhá-lo e começarem a rasgar as suas carnes. Os cães comeram-no vorazes e lamberam, deliciados, o seu sangue, sem saberem que era o dono, respeitado e querido que, gostosamente,  devoravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que, ainda agora, os cinquenta cães de Acteon, nas noites prateadas pela serena luz do luar, uivam saudosos  e vagueiam, por montes,  por matas e por  vales, incansavelmente,  desesperadamente, à procura do dono! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-3837893365872054882?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/3837893365872054882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=3837893365872054882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3837893365872054882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3837893365872054882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2010/01/o-sonho-de-artemisia.html' title='O sonho de Artemísia'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6869803447939335163</id><published>2009-12-31T08:52:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T12:19:54.436-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>O perú</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jhZHK9G9I/AAAAAAAAAAc/Rs5DbR33RMk/s1600-h/nw9Nm3WVQnlFapIAaUcL.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 143px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jhZHK9G9I/AAAAAAAAAAc/Rs5DbR33RMk/s200/nw9Nm3WVQnlFapIAaUcL.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424833572705737682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Numa planície , viviam um Pavão e um Urubu. Certo dia, o Pavão reparando bem no Urubu, pensou: "Sou a ave mais bonita do mundo animal , tenho uma belíssima plumagem, macia, colorida e exuberante, porém, nem voar eu posso, de modo a mostrar, a todos, a minha beleza! Feliz é o Urubu que é livre para voar, para onde o vento o levar!&lt;br /&gt; O Urubu, por sua vez, também reflectia, no alto de uma árvore: "Que infeliz ave sou eu, a mais feia de todo o reino animal e ainda tenho que voar e ser visto por todos! Quem me dera ser belo e vistoso tal qual aquele Pavão! &lt;br /&gt;Foi então que ambas as aves tiveram uma brilhante ideia e juntaram-se para discorrer sobre ela: cruzarem-se seria óptimo para ambos, gerando, assim, um descendente que tivesse a beleza e a graciosidade de um Pavão e voasse, livre, como um Urubu . &lt;br /&gt; Cruzaram-se, cheios de esperança, e nasceu o Perú! Que é feio e não voa! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Moral da história:&lt;/strong&gt; Se a situação não está boa, é melhor não tentar compor, porque pode ficar pior!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Bichos na Mitologia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6869803447939335163?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6869803447939335163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6869803447939335163' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6869803447939335163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6869803447939335163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/o-peru.html' title='O perú'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jhZHK9G9I/AAAAAAAAAAc/Rs5DbR33RMk/s72-c/nw9Nm3WVQnlFapIAaUcL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2702582292150956680</id><published>2009-12-24T06:18:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T06:23:15.557-08:00</updated><title type='text'>Natal de quem?</title><content type='html'>Mulheres atarefadas&lt;br /&gt;Tratam do bacalhau,&lt;br /&gt;Do peru, das rabanadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-- Não esqueças o colorau,&lt;br /&gt;O azeite e o bolo-rei!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Está bem, eu sei!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- E as garrafas de vinho?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Já vão a caminho!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Oh mãe, estou pr'a ver&lt;br /&gt;Que prendas vou ter.&lt;br /&gt;Que prendas terei?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Não sei, não sei...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Num qualquer lado,&lt;br /&gt;Esquecido, abandonado,&lt;br /&gt;O Deus-Menino&lt;br /&gt;Murmura baixinho:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; &lt;br /&gt;- Então e Eu,&lt;br /&gt;Toda a gente Me esqueceu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Senta-se a família&lt;br /&gt;À volta da mesa.&lt;br /&gt;Não há sinal da cruz,&lt;br /&gt;Nem oração ou reza.&lt;br /&gt;Tilintam copos e talheres.&lt;br /&gt;Crianças, homens e mulheres&lt;br /&gt;Em eufórico ambiente.&lt;br /&gt;Lá fora tão frio,&lt;br /&gt;Cá dentro tão quente!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Algures esquecido,&lt;br /&gt;Ouve-se Jesus dorido:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Então e Eu,&lt;br /&gt;Toda a gente Me esqueceu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Rasgam-se embrulhos,&lt;br /&gt;Admiram-se as prendas,&lt;br /&gt;Aumentam os barulhos&lt;br /&gt;Com mais oferendas.&lt;br /&gt;Amontoam-se sacos e papeis&lt;br /&gt;Sem regras nem leis.&lt;br /&gt;E Cristo Menino&lt;br /&gt;A fazer beicinho:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Então e Eu,&lt;br /&gt;Toda a gente Me esqueceu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O sono está a chegar.&lt;br /&gt;Tantos restos por mesa e chão!&lt;br /&gt;Cada um vai transportar&lt;br /&gt;Bem-estar no coração.&lt;br /&gt;A noite vai terminar&lt;br /&gt;E o Menino, quase a chorar:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Então e Eu,&lt;br /&gt;Toda a gente Me esqueceu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi a festa do Meu Natal&lt;br /&gt;E, do princípio ao fim,&lt;br /&gt;Quem se lembrou de Mim?&lt;br /&gt;Não tive tecto nem afecto!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em tudo, tudo, eu medito&lt;br /&gt;E pergunto no fechar da luz:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Foi este o Natal de Jesus?!!!&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(João Coelho dos Santos&lt;br /&gt;in Lágrima do Mar - 1996)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2702582292150956680?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2702582292150956680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2702582292150956680' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2702582292150956680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2702582292150956680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/natal-de-quem.html' title='Natal de quem?'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-2629775714195013909</id><published>2009-12-24T06:08:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T06:09:20.824-08:00</updated><title type='text'>Natal</title><content type='html'>Nasce mais uma vez,&lt;br /&gt;Menino Deus!&lt;br /&gt;Não faltes, que me faltas&lt;br /&gt;Neste inverno gelado.&lt;br /&gt;Nasce nu e sagrado&lt;br /&gt;No meu poema,&lt;br /&gt;Se não tens um presépio&lt;br /&gt;Mais agasalhado.&lt;br /&gt;Nasce e fica comigo&lt;br /&gt;Secretamente,&lt;br /&gt;Até que eu, infiel, te denuncie&lt;br /&gt;Aos Herodes do mundo.&lt;br /&gt;Até que eu, incapaz&lt;br /&gt;De me calar,&lt;br /&gt;Devasse os versos e destrua a paz&lt;br /&gt;Que agora sinto, só de te sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Miguel Torga)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-2629775714195013909?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/2629775714195013909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=2629775714195013909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2629775714195013909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/2629775714195013909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/natal.html' title='Natal'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-3594679893537202328</id><published>2009-12-22T14:00:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T12:09:54.571-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>O Pavão e a ursa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jiib7OcAI/AAAAAAAAAAk/fmRqIUkRtqs/s1600-h/urso%2520um%2520olhar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jiib7OcAI/AAAAAAAAAAk/fmRqIUkRtqs/s200/urso%2520um%2520olhar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424834832407359490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Júpiter era um amante do sexo feminino e, por esse motivo, Juno, sua esposa e rainha dos deuses, representada por um&lt;strong&gt; pavão&lt;/strong&gt;, possuía muitas rivais, entre elas, a bela Calisto, que Juno, enciumada, transformou numa &lt;strong&gt;ursa&lt;/strong&gt;. Calisto passou, assim, a viver sozinha com medo dos caçadores e das outras feras da floresta, esquecendo-se de que ela própria era uma. &lt;br /&gt;Um dia, Calisto reconheceu, num caçador, o seu filho Arcas. Esquecida que era uma ursa felpuda, ela quis dirigir-se a ele e abraçá-lo ternamente, como a mãe amorosa que era, mas Arcas, ao ver aquele enorme animal correr direito a si, assustou-se e já erguera sua lança para matá-lo, quando Júpiter, vendo a desgraça que estava para acontecer, afastou-os e lançou-os ao céu, transformando-os nas constelações de Ursa Maior e Ursa Menor. &lt;br /&gt;Juno, enfurecida por Júpiter ter dado tal privilégio à sua rival, sai à procura de Tétis e Oceanus, as antigas divindades do mar. Conta-lhes que essas estrelas, pedaços flutuantes de luz e de brilho no céu, são a eternização de uma das mais dolorosas ofensas que Júpiter lhe fizera, e pede para que eles não deixem que essas constelações se escondam nas suas águas. É por isso que a Ursa Maior e a Ursa Menor se movem em círculo no céu mas nunca descem por trás do oceano, como as outras &lt;strong&gt;estrelas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bichos na Mitologia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-3594679893537202328?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/3594679893537202328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=3594679893537202328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3594679893537202328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/3594679893537202328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/o-pavao-e-ursa.html' title='O &lt;strong&gt;Pavão&lt;/strong&gt; e a ursa'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jiib7OcAI/AAAAAAAAAAk/fmRqIUkRtqs/s72-c/urso%2520um%2520olhar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-174124548225956417</id><published>2009-12-19T10:48:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T07:47:47.629-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>As  andorinhas</title><content type='html'>Era uma casa térrea, pintada de branco, com um jardinzinho, bem cuidado, à frente e uma pequena horta, com três árvores de fruto, atrás.&lt;br /&gt;À entrada, na parede branca, pousavam, em fila, da maior para a mais pequena, seis andorinhas toscas, de barro, como um símbolo ingénuo de alegre harmonia familiar, como um singelo prenúncio de uma  Primavera eterna naquele lar.&lt;br /&gt;A casa estava mobilada sem luxos, mas com um gosto simples, onde não faltavam os naperons de renda, tecidos com  mil pacientes laçadas e sempre meticulosamente limpa.&lt;br /&gt;Na cozinha, uma mulher baixa e roliça, preparava o jantar. Curvava-se, ligeiramente, para a banca e desprendia-se dela, a aura cinzenta de  um infinito cansaço e de  um triste desalento, a boca sumida num rictus de amargura.&lt;br /&gt;À entrada, soaram uns passos pesados e, ligeiramente  incertos.&lt;br /&gt;Nesse instante, uma incontrolável aversão, mesclada de medo e de uma imensa incerteza, submergiu-a.&lt;br /&gt;Pouco depois, entrou, de rompante, na cozinha, um homem de estatura mediana, gordo, com os olhos injectados, pequeninos e piscos, e o pescoço baixo, um rolo de gordura lustroso e vermelho, como o de um porco. O cabelo grisalho, ralo mas comprido, colava-se, em desordem, à testa.&lt;br /&gt;Ela percebeu, de imediato, que ele já estava meio bêbedo. Como sempre!&lt;br /&gt;“ O jantar está pronto?” rosnou, grosseiro. &lt;br /&gt;“ Está quase!” respondeu ela, sem olhar para ele, o coração a bater, num desatino, muito quieta, junto do fogão. &lt;br /&gt;Parecia ainda mais baixa, encolhida e curvada sobre o tacho que fervia. Estava exausta! Estava  farta! Dele, daquela amargura, da vida!&lt;br /&gt;“ Não sei o que fazes todo o dia, em casa, mulher! Nem agora que estás desempregada, as coisas estão prontas a horas! És uma preguiçosa, uma relaxada, é o que tu és!”&lt;br /&gt;Ela suspirou e não respondeu.&lt;br /&gt;Estava, realmente, desempregada, há três meses, mas continuava a trabalhar! Trabalhava, talvez, ainda mais duramente, a dias e a lavar as escadas de uns escritórios.&lt;br /&gt;“ Faço o que posso e não te peço dinheiro, pois não? Não te peço nada, aliás!”&lt;br /&gt;Ele ignorou-a e ela começou a servir o jantar.&lt;br /&gt;Já sentado, ele comeu,sôfrego, a sopa e logo a seguir a massa guisada com frango, sem esperar por ela.&lt;br /&gt;Ao vê-lo sorver a comida, como um animal esfaimado, uma onda de nojo e de desesperado ódio, inundou-a, sufocando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham dois filhos. &lt;br /&gt;A filha, uma rapariga de dezanove anos, trabalhava, para seu desgosto, num bar, à noite. A mãe mal a via. Entrava em casa, já alta manhã. Dormia horas a fio e só se dignava sair do quarto, para comer e tomar banho. Falava continuamente, ao telemóvel e estendia, na mais absoluta desarrumação, as roupas e os sapatos, pelo quarto.&lt;br /&gt;Curiosamente, o pai não a enfrentava! Desde sempre, tivera para com a filha, gestos, inesperados nele, de delicada doçura e de meiguice! Ela tinha sido sempre a sua menina, a quem perdoava tudo, a quem permitia tudo! Levava-a ao parque, ao circo, ao cinema e comprava-lhe guloseimas, brinquedos e revistas.&lt;br /&gt;Já crescida, quando se tentara impor, ela enfrentara-o, provocadora, uma luz estranha, maligna, no olhar. E ele calara-se submisso e sumira-se, sorrateiro!&lt;br /&gt;O filho, um bom rapaz, inteligente e sensato, era a luz dos seus olhos, o seu enlevo e o seu orgulho! E, como a sua ternura, o calor do seu sorriso  lhe faziam falta! Tanta falta!&lt;br /&gt;Trabalhava em Espanha e mandava-lhe, sem o pai saber, algum dinheiro, dádiva preciosa para equilibrar as despesas, em casa.&lt;br /&gt;Como se lesse os seus pensamentos, ele disse, com incontida raiva: “ Aquele ingrato do Alberto não diz nada! Lá está em Espanha, a viver como um lorde. Quando cá veio, no Verão, parecia um principe, vaidoso e tolo!” E, a inveja que ressumava, ferina, das suas palavras, atingiu-a como uma bofetada.&lt;br /&gt;“ Se ele está bem, é porque trabalha muito. E, telefona, todas as semanas, bem sabes!” disse ela com os olhos, rasos de lágrimas, uma fúria danada a crescer, impetuosa, dentro dela.&lt;br /&gt;“ Telefona, todas as semanas? E dinheiro? Manda dinheiro para casa?  Não  é obrigação dele, mandar dinheiro para casa?” &lt;br /&gt; “Obrigação dele, mandar dinheiro para casa? Porquê? Ele é um homem de bem e um bom filho! Tu, que és forte e saudável, porque não deixas de beber e trabalhas, a sério, como ele? Como eu, mesmo desempregada, como não te cansas de mo lembrar?”&lt;br /&gt;Ele levantou-se, os olhos faiscantes de cólera, o rosto torcido de ódio, o pescoço arroxeado, as veias dilatadas, a latejarem, ameaçadoramente!&lt;br /&gt;O diabo, ele lembra-me o diabo, do meu catecismo, quando eu era criança, pensou ela, num sobressalto aflito!&lt;br /&gt;Um ronquido irado escapou-se-lhe, então, da garganta e ele fez menção de lhe atirar com o copo, que tinha mão, ao rosto, mas não se atreveu! O olhar dela, agora duro e frio, donde pareciam desprender-se chispas acesas de ódio e de desprezo, fixava-o desafiador! &lt;br /&gt;Descontrolado, atirou o copo ao chão que se estilhaçou em mil pedaços de raiva! Depois, com um esgar de maldade, puxou uma ponta da toalha e a louça que estava em cima da mesa,  partiu-se, em mil bocados.&lt;br /&gt;Com a casquinada estrídula e alvar, de um vencido, saíu, cambaleante, da cozinha. &lt;br /&gt;Poucos minutos mais tarde, a porta da frente bateu com tanta força que a casa abanou e pareceu desconjuntar-se. Ela estremeceu assustada mas, em seguida, respirou de alívio. &lt;br /&gt;"Logo vem a cair de bêbedo! Como sempre!" E, exausta, encolheu os ombros!&lt;br /&gt;A filha passou por ela, numa pressa indiferente, como se não se tivesse apercebido de nada. “ Até amanhã, mãe!” E dirigiu-se para a porta da rua. &lt;br /&gt;Vestia uns jeans muito justos, um top muito decotado, que também lhe deixava parte da barriga de fora, um casaco de curto a imitar pele, o rosto, ainda muito jovem, carregado de maquilhagem. Atrás de si deixou o rasto forte de um perfume barato. Era tudo barato e vulgar nela! Ela própria, a sua filha, era uma prostituta barata e vulgar!&lt;br /&gt;Abanou a cabeça e prendeu as lágrimas que se amontoavam no seu coração, que insistiam, teimosas, em subir e ameaçavam estrangulá-la, num nó apertado! &lt;br /&gt;No súbito silêncio da casa, ela respirou fundo e começou a varrer os estilhaços dos copos e os cacos da louça, como destroços das  vidas, que as telhas da sua casa encobriam, e que, agora, juncavam o chão da cozinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, pousadas, em fila, na parede branca, da maior para a mais pequena, como um símbolo ingénuo de alegre harmonia familiar, como um singelo prenúncio, de uma Primavera eterna naquele lar, as inocentes andorinhas de barro continuavam, imperturbáveis, o seu infinito e infantigável voo, sem saírem do mesmo sítio! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-174124548225956417?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/174124548225956417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=174124548225956417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/174124548225956417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/174124548225956417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/as-andorinhas.html' title='As  andorinhas'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-6632127200186257810</id><published>2009-12-17T04:45:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T11:53:31.563-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>O Pavão e a bezerra</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jetHOEF0I/AAAAAAAAAAU/1uYKVHXqZdU/s1600-h/pavao.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 194px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jetHOEF0I/AAAAAAAAAAU/1uYKVHXqZdU/s200/pavao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424830617781278530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juno, também conhecida como Hera na mitologia grega, a esposa de Júpiter é a rainha dos deuses. É representada pelo&lt;strong&gt; pavão&lt;/strong&gt;, a sua ave favorita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júpiter era um amante do sexo feminino e, por esse motivo, Juno possuía muitas rivais, entre elas, a bela &lt;strong&gt;Io&lt;/strong&gt;, que Júpiter, para defender de Juno, transforma numa &lt;strong&gt;bezerra.&lt;/strong&gt; Juno, desconfiada, pede a bezerra de presente. Ora, Júpiter não podia negar um presente tão insignificante a sua mulher, e então, pesaroso, entrega a bezerra a Juno que a coloca sob os cuidados de Argos, um monstro de muitos olhos. Como Argos tinha cem olhos e nunca fechava mais do que dois para dormir, vigiava &lt;strong&gt;Io&lt;/strong&gt; dia e noite. &lt;br /&gt;Júpiter, perturbado pelo sofrimento da amante, pede a Mercúrio que mate Argos. Com músicas e histórias, Mercúrio consegue fazer com que Argos feche seus cem olhos e corta-lhe a cabeça. Juno entristecida recolhe os olhos que haviam perdido toda a luz e coloca-os na cauda de seu pavão, onde permanecem até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os bichos na Mitologia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-6632127200186257810?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/6632127200186257810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=6632127200186257810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6632127200186257810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/6632127200186257810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/o-pavao-e-bezerra.html' title='O &lt;strong&gt;Pavão &lt;/strong&gt;e a bezerra'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/S0jetHOEF0I/AAAAAAAAAAU/1uYKVHXqZdU/s72-c/pavao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-271384152174880579</id><published>2009-12-10T04:19:00.000-08:00</published><updated>2009-12-12T06:34:56.465-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens e bichos - Atelier de escrita - coordenação do Dr. Mário Cláudio'/><title type='text'>Confissões de uma cobaia humana</title><content type='html'>Ainda não nasci, nem sei quando vou nascer. Ainda não vejo, não conheço mas, já ouço tudo!&lt;br /&gt;Sei, por isso, que, juntamente com a minha mãe, sou uma cobaia humana. Co-bai-a, gosto deste som!&lt;br /&gt;A minha mãe tem o vírus da Sida! Ouvi-a contar que foi infectada pelo meu pai, um drogado manhoso. Eu não sei o que é um pai, nem sabia que tinha um, mas parece que pai é coisa ruim que traz desgraça! Também não sei o que é drogado manhoso mas, coisa boa, não pode ser!&lt;br /&gt;Estamos as duas a experimentar um medicamento novo, que trata e pode impedir a transmissão da Sida, a doença da minha mãe, para mim e eu serei saudável. &lt;br /&gt;Para que isso aconteça, somos cobaias humanas! Não sei o que é uma cobaia mas, deve ser bom, pelo menos, acho que sempre será melhor do que pai!&lt;br /&gt;Sinto-me muito confortável, neste ambiente quentinho e aquoso da barriga da minha mãe embora, uma vez por outra, me tenha sentido mal, muito inquieta e aflita!&lt;br /&gt;Sei tudo isto, porque ouvi a minha mãe dizer ao senhor doutor, (não sei o que é um senhor, nem sei o que é doutor), que me sente inquieta e aflita.&lt;br /&gt;Ele disse-lhe que é normal e que estou a crescer cheia de energia.&lt;br /&gt;Se calhar, energia são umas espetadelas fininhas que fazem doer, e os meus pontapés, quando me apetece mudar de posição! &lt;br /&gt;A minha mãe diz que sou uma menina e que me vai comprar roupinhas bonitas, com lacinhos e um bercinho branco e cor-de-rosa, com o dinheiro que lhe deram para deixar experimentar o medicamento novo, nela e em mim.&lt;br /&gt;Parece que era pobre mas, agora está tranquila e feliz! Acho que pobre é uma outra doença que ela também tinha mas o dinheiro, que, parece, é um medicamento muito bom, curou-a!&lt;br /&gt;Ouço-a dizer que não me vai faltar nada, vou ter muitos peluches fofinhos, um quarto branco e cheio de luz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que é ser menina, não sei o que são lacinhos, não sei o que é o branco, nem sei o que são peluches. O que será a luz? E, fofinho, o que será?&lt;br /&gt;Pela vibração da voz e do riso da minha mãe, deve ser tudo, assim muito quentinho, muito suave, como a barriga dela e, por tudo isso, estou ansiosa por nascer!&lt;br /&gt;Mas, de há umas semanas para cá, ela não se tem sentido bem e eu também não. Ouvi-a dizer que está assustada e tem medo, por mim e por ela! Por sermos  cobaias humanas! Mas,  eu acho que deve ser bom ser cobaia, afinal, foi ela que quis! &lt;br /&gt;Eu ouvi o doutor, (doutor faz-me lembrar pai!), dizer-lhe que ela sabia, perfeitamente, o que fazia quando assinou o contrato! Não gosto deste som: con-tra-to! Magoa, quando o ouço! Não é macio, como bercinho, cor-de–rosa ou roupinhas! &lt;br /&gt;Senti que ela estava nervosa e ele disse-lhe para ter paciência, que esse mal-estar, (também não sei o que é um mal-estar!), não tem importância,  vai tudo correr bem, ela vai ficar melhor e eu vou ser uma menina saudável! Saudável, eu acho que deve ser como o ninho macio, onde que me estendo e me enrolo!&lt;br /&gt;Às vezes, a minha mãe diz-me, muito baixinho, que espera que eu tenha cabelo loiro e olhos azuis, como ela.&lt;br /&gt;E, eu, embora não tenha a mínima ideia do que sejam cabelo, olhos, loiro e azuis, estou ansiosa por ter o cabelo loiro e os olhos azuis , para ser igualzinha a ela!&lt;br /&gt;A minha mãe costuma cantar para mim e eu ficava muito quieta, só para a ouvir! Ultimamente, tenho andado muito agitada e, mesmo quando ela canta,  já não me aquieto, dou pontapés e revolvo-me, revolvo-me, no ninho morno e sedoso, onde me aconchego! A voz da minha mãe já não suaviza estes picos fininhos, que me  espetam tanto... &lt;br /&gt;Sei que não estou bem, porque foi, exactamente isso, que a ouvi dizer ao doutor, quando também lhe disse  que está farta de sermos cobaias humanas, que nunca devia ter assinado o contrato, (este som magoa!) e preferia nunca não ter recebido dinheiro nenhum! &lt;br /&gt;Acho que, agora, preferia, mesmo, ter ainda aquela doença que se chama  pobre, porque afinal  isto de ser cobaia é que me tem feito mal! A mim e a ela!&lt;br /&gt;Hoje, ouvi  a minha mãe falar muito alto com o doutor, (não gosto dele!), que falou ainda mais alto e disse-lhe: “Cale-se!” A minha mãe  não disse mais nada, mas chorou, que eu ainda a ouvi, embora um bocadinho ao longe, o que é estranho, porque estamos sempre muito juntinhas...!  &lt;br /&gt;De repente, apercebo-me que nem sequer me revolvo, ou dou pontapés! Já mal consigo respirar ou mexer-me Estou muito cansada! &lt;br /&gt;Já pensei que talvez esteja assim porque estou, mesmo, para nascer e poderei, então, rebolar-me nos lacinhos cor-de–rosa, no bercinho, nos peluches e na luz! Gosto deste som: luz! &lt;br /&gt;Se for isso, fico muito contente porque  vou, enfim, ver o rosto da minha mãe e tocar e sentir o cheiro da pele dela. Ouvi-la, já não é muito importante porque já lhe conheço a voz e o riso e o choro.&lt;br /&gt;Mas não! Não devo estar, ainda, a nascer! E, estou tão ansiosa por nascer...&lt;br /&gt;Mesmo agora estou a ouvi-la gritar:” Doutor, que me deu para tomar? Porque me convenceu a ser cobaia e, comigo, a minha filha, desse medicamento novo, se não o conhecia, se não tinha a certeza de nada? Não sinto o meu bebé! A minha menina morreu! Posso não lhe ter transmitido a Sida, mas matei-a!”&lt;br /&gt;Não sei o que é matar, nem quero saber! Estou muito cansada!&lt;br /&gt;Continuo sem saber, realmente,  o que é ser cobaia mas, seja o que for, agora sei, que não é bom! Estou muito cansada e tenho muito frio, tanto frio, apesar da  barriga da minha mãe ser muito quentinha!&lt;br /&gt;Para falar verdade, também não sei o que é morrer! Ou, talvez saiba!&lt;br /&gt;Porque, se morrer, é não respirar, se morrer, é deixar de ouvir,  se morrer é este indiferente e gelado abandono, então...morri!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota&lt;/strong&gt;:Este texto, que pretende ser uma sentida homenagem a tantas vítimas inocentes de um doloroso flagelo, não foi lido, na sessão de 9/12 e &lt;strong&gt;ainda bem&lt;/strong&gt;, porque o seu registo, que é o meu registo, é completamente diferente dos óptimos textos, que ouvi ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-271384152174880579?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/271384152174880579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=271384152174880579' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/271384152174880579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/271384152174880579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/confissoes-de-uma-cobaia-humana.html' title='Confissões de uma cobaia humana'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4299839378563275109.post-5040925610835097628</id><published>2009-12-06T06:13:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T08:13:00.126-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto - um homem sem a dignidade dos bichos'/><title type='text'>Uma vida</title><content type='html'>O quarto estava escuro, cheirava a mofo, a suor, a corpo mal lavado e a doença.&lt;br /&gt;No meio, sobressaía a cama, onde mal se vislumbrava um vulto, sob as cobertas enxovalhadas.&lt;br /&gt;Marta aproximou-se. Sobre a almofada, salpicada de nódoas de sangue e de pus, descansava uma cabeça mirrada, com o cabelo fino e ralo, em desordem, o rosto desfigurado, a pele amarela e enrugada. Na dobra do lençol encardido, descansava uma mão grande, descarnada, coberta de manchas castanhas.&lt;br /&gt;Marta debruçou-se sobre a cama e viu uns olhos escuros, brilhantes de febre, fixarem-se nos seus. A vida que ainda teimava resistir, naquele corpo em ruínas, parecia ter-se concentrado, naqueles olhos remelosos, com pálpebras vermelhas e purulentas.&lt;br /&gt;Ao inclinar-se, Marta quase pousou a mão no lençol áspero e os dedos esguios e ossudos, com unhas compridas, como garras, esgravataram, de leve, numa tentativa aflita  para a alcançarem. Ela retirou a mão bruscamente, assustada e com repugnância.&lt;br /&gt;Cheirava a urina infecta, aos fluídos escuros e pútridos que enchiam sacos pendurados ao lado da cama e, sobretudo, cheirava a abandono e a solidão!&lt;br /&gt;Os olhos escuros, brilhantes de febre continuavam fixos nela. Seria num apelo ou, seria aquele, um último lampejo de maldade?&lt;br /&gt;Ela sentou-se, recostou-se no sofá duro e desconfortável e os olhos vermelhos, orlados de pus, fecharam-se devagarinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta era a rapariga mais bonita do bairro. Alegre, ladina e estuante de vida, tinha uma graça e uma beleza que despertava acesas paixões.&lt;br /&gt;António era um rapaz sem grandes atractivos físicos, calado, teimoso e, diziam, com mau feitio.&lt;br /&gt;No dia que o conheceu, Marta apaixonou-se, irremediavelmente, por ele que, em silêncio, já há muito, morria de amores por ela!&lt;br /&gt;Eram, no entanto, tão diferentes, que aquele namoro foi um espanto, para todos.&lt;br /&gt;Marta tentou ajustar o corpo ao sofá e, recordou, com umestremecimento, o dia do casamento: um dia bonito e luminoso! Um dia de rosas e de alegres girassóis! Girassóis altos, radiosos, vibrantes de cor, virados para a luz! Mil sóis a brilharem só para ela!&lt;br /&gt;Foram felizes mas, o nascimento do filho, o Ruizinho, marcou um subtil ponto de viragem no casamento, como se um dos nós que os prendia, se tivesse tornado lasso ou se tivesse mesmo desatado.&lt;br /&gt;E, o António começou a mudar! Tornou-se ainda mais calado, mais frio, mesmo irascível! Distanciou-se e fechou-se num mundo só dele!&lt;br /&gt;A vida estava cada vez mais dificil. António era ambicioso, queria ser rico e decidiu ir trabalhar para a África do Sul, em busca de fortuna!&lt;br /&gt;A sua partida, se, até certo ponto, foi um alívio, foi também uma tristeza! Ficara um vazio. Abrira-se no coração de Marta um buraco pequenino, insistente, incomodativo! Era talvez saudade! Apesar de tudo!&lt;br /&gt;Ela escrevia-lhe muitas vezes. Ele, só de vez em quando, escrevia umas linhas e mandava-lhe algum dinheiro! Que, mesmo sendo pouco, era uma dádiva.&lt;br /&gt;Os dias arrastavam-se. Marta trabalhava numa fábrica e, ao Sábado, fazia limpeza em casa de uma das patroas. Sentia-se cansada mas não lhes faltava nada e o Ruizinho era um bálsamo e a sua companhia.&lt;br /&gt;Quatro anos depois, o António escreveu-lhe a propôr-lhe que fosse ter com ele a África do Sul, onde, dizia, tinha, agora, uma bonita fazenda e vivia bem.&lt;br /&gt;Com o coração a transbordar de alegria, tudo, em seu redor, se transformou num campo vasto de girassóis altos, radiosos, vibrantes de cor, virados para a luz. Mil sóis a brilharem, de novo,  só para ela!&lt;br /&gt; E aquela carta fria, quase formal, fez-se um poema, fez-se um hino, fez-se uma esplendorosa sinfonia!&lt;br /&gt;Marta embarcou com o filho, cheia de esperança e de sonhos! O Ruizinho tinha crescido, era um menino desenvolto, bonito e inteligente e o pai iria, certamente, gostar muito dele!&lt;br /&gt;A viagem de avião foi longa e penosa! Fechada naquele pássaro de aço, enorme, tolhida numa teia densa, de medo e de insegurança, do que iria encontrar, quase se arrependeu de ter saído da sua terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no aeroporto de Johannesburg, Marta, ainda que ligeiramente apreensiva, desembarcou com o coração a repicar de esperança e ansiosa por se lançar nos braços fortes de António! Para começarem uma vida nova, num país novo, tão diferente, tão colorido, tão luminoso, a cheirar a vida e a sol!&lt;br /&gt;No aeroporto, de mão dada com o Ruizinho, sentiu-se, subitamente, perdida e inquieta,  porque não via o António, em lado nenhum.&lt;br /&gt;Começava a entrar em pânico, quando um homem mestiço, ainda jovem, se aproximou dela e perguntou: “ D. Marta Medeiros?”&lt;br /&gt;“ Sim, sou eu”, respondeu com espanto. “ Eu sou o João Chipenda, o capataz, da fazenda da D. Mary Anne Tyler e sou eu que vou levar a senhora e o menino, até lá. O sr. Medeiros não pôde vir.”&lt;br /&gt;Um imenso desapontamento estampou-se-lhe no rosto bonito e uma tremenda confusão e uma infinita tristeza desceram sobre ela, envolvendo-a num manto de gelo que a paralisou!&lt;br /&gt;“ Não tenha receio,D. Marta! Ainda hoje, estaremos na fazenda!”, disse João com simpatia. Ela agradeceu e pareceu-lhe vislumbrar, nos olhos daquele desconhecido, uns laivos de  comiseração que a assustaram.&lt;br /&gt;A viagem de jeep foi longa, parecia nunca mais acabar e o nome Mary Anne Tyler pairava no seu cérebro, como uma nuvem negra a ameaçar temporal e desgraça!&lt;br /&gt;Quando chegaram a Bethlehem, Marta estava exausta, tinha o corpo dorido, a cabeça meio-zonza e uma expectante ansiedade oprimia-lhe  o coração.&lt;br /&gt;Então, avistou António na enorme varanda, de uma casa ampla e ensolarada.&lt;br /&gt;“O meu marido, a minha nova casa, ali, já tão perto, à minha espera!”, pensou Marta, com alegria e nervosismo, a tristeza e o cansaço já esquecidos!&lt;br /&gt;Como uma noiva, na noite do casamento, Marta tremia de embaraço e de excitação, antecipando, numa trepidação de menina apaixonada, os abraços e os beijos do marido!&lt;br /&gt;Mas, António recebeu-a friamente e ignorou o filho a quem não dirigiu um sorriso ou, uma palavra.&lt;br /&gt;A seu lado  apareceu uma mulher forte, sardenta e loira que ele abraçou pela cintura e que a fixou, curiosa, com uns olhos inexpressivos, de um azul deslavado!&lt;br /&gt;Era  Mary Anne, a mulher com quem António vivia e a quem parecia amar. &lt;br /&gt;E, mesmo ali, Marta ficou a saber que  seria uma espécie de governanta: orientaria e ajudaria na lida da casa e, como boa cozinheira que era,  ocupar-se-ía da preparação das refeições.&lt;br /&gt;Atónita, coberta de suor, morta de humilhação, destroçadas as suas expectativas de dias felizes, gritou que era ela a mulher dele mas, António, empertigado e arrogante, voltou-lhe as costas.&lt;br /&gt;Estupidificada de assombro e de dor, Marta deixou-se levar para o quarto que partilharia com o filho, nos anexos da casa grande.&lt;br /&gt;Sozinha, presa numa revolta brutal que parecia envenená-la, Marta, numa agonia, vomitou  uma aguadilha amarga, verde e amarela, e chorou! Chorou incontrolavelmente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary Anne era uma mulher branda e desligada, que parecia desconfortável na presença dela. Sentada na varanda, sombreada por exuberantes buganvílias, que se entrelaçavam, numa explosão de cor,  gostava de ler avidamente os jornais e as revistas que recebia, regularmente, de Johannesburg, de passar um tempo infinito a arranjar e a pintar as unhas e jogar a canasta, duas vezes por semana, com três amigas, que viviam em fazendas vizinhas. Não era simpática mas, não era autoritária, nem exigente.&lt;br /&gt;António, porém, parecia não ver Marta, não lhe dirigia palavra e, quando  o fazia, era ríspido, sobranceiro e rude.&lt;br /&gt;Com Mary Anne era, ostensivamente, terno, solícito, mesmo deferente!&lt;br /&gt;O filho foi obrigado a trabalhar na fazenda e não ía à escola. Marta trabalhava incansavelmente, preparava refeições para os dois e para os muitos amigos que estavam sempre a receber. A qualidade e variedade da sua comida tornaram-se conhecidas e muito apreciadas! Contudo, não tomava as refeições que preparava, à mesa com eles, o que até era uma benesse, nem recebia qualquer salário, o que era uma injustiça!&lt;br /&gt;Soube, entretanto, como presumira, que a fazenda era de Mary Anne. Depois da morte do marido, num terrível acidente, nunca inteiramente esclarecido,  António, que trabalhava na fazenda, insinuara-se, assumira-se, um ano mais tarde, como senhor da casa e soubera tornar-se imprescindível, na gestão dos negócios!&lt;br /&gt;Marta sentia-se como um pequeno rato que, imprudente e indefeso, mordera o pedacinho de queijo que servia de engodo e ficara, mortalmente, preso na ratoeira! &lt;br /&gt;O isco que ela, sôfrega, mordera, tinha sido a esperança de ser feliz, ter uma  vida famíliar equilibrada, feita de afecto, de alegria e de companheirismo! E, enfeitada de girassóis! &lt;br /&gt;E, como abundavam girassóis, naquela terra!  Girassóis altos, radiosos, vibrantes de cor, virados para a luz! Mas, esses mil sóis amarelos não brilhavam para ela! &lt;br /&gt;Marta não tinha dinheiro nem conhecia ninguém a quem pudesse pedir ajuda. Nem mesmo em Portugal!&lt;br /&gt;O ódio e o nojo que sentia por aquele homem cresciam... cresciam... Um ódio  profundo que lhe preenchia a única fantasia que lhe era permitido ter: vê-lo morto!&lt;br /&gt;Desejou-lhe,  todos os dias, ardentemente, a morte! Uma morte lenta, dolorosa, solitária! Pensou, até, matá-lo! Mas, abafou esse pensamento negro, dentro de si: matá-lo seria perder-se e perder, magoar o filho! E isso, nunca!&lt;br /&gt;Entretanto, António parecia, agora, segui-la, guloso, com os olhos. Aparecia-lhe, de repente, nos corredores, na cozinha, pelos cantos da casa. Quando a apanhava sozinha, agarrava-a, tentava apalpar-lhe os seios, abrir-lhe a blusa e meter-lhe a mão por baixo da saia, tocando-a, conspurcando-a!&lt;br /&gt;Enojada, Marta gritava e, como uma enguia enfurecida, fugia-lhe por entre os dedos.&lt;br /&gt;Um dia,  ao entardecer, quando ela, como de costume,  ía a entrar no quarto, para refrescar o rosto e dar um jeito ao cabelo, ele surgiu-lhe de um canto, prendeu-a, com violência e fechou a porta à chave. Marta gritou. António, meio louco, fora de si, talvez bêbedo, continuou a prendê-la entre os seus braços fortes, bateu-lhe para a dominar e rasgou-lhe a blusa. “ És minha, és minha e faço de ti e contigo o que eu quiser, ouviste?”&lt;br /&gt;Estarrecida, Marta gritou com a força de uma desmedida raiva e ele tapou-lhe a boca com a mão, sufocando-a.&lt;br /&gt;De repente, ouviu-se a voz do João, o capataz, gritar: “ D. Marta, o que se passa? Abra a porta! Mrs. Mary Anne Tyler anda a passear no jardim, aqui perto! Vou chamá-la!”&lt;br /&gt;António, subitamente quieto, olhou esgazeado para a porta, largou-a e atirou-a, violentamente para o chão. Depois, como um animal acuado, perdeu-se, cobarde e rasteiro, na escuridão que, entretanto, caíra.&lt;br /&gt;Ainda no chão, Marta recusou aceitar que aquele horror, aquele assalto nojento, tinha acontecido a ela. E, de repente, teve a estranha sensação de se ter perdido de si própria e de, num total desligamento, ter abandonado o corpo e pensar que, aquela mulher humilhada que, de um canto do quarto, via estendida, a seus pés, ferida e meio-desnuda, não ser ela! &lt;br /&gt;Aquilo era um invólucro vazio que talvez já tivesse sido ela... Aquele podia ter sido o seu corpo mas, ela já não estava ali! Então ela, a essência dela, onde estava?&lt;br /&gt;Desmaiou e tudo se desvaneceu num imenso caos!&lt;br /&gt;Mrs. Mary Anne Tyler, naturalmente, nunca apareceu e nunca soube de nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dias depois, João perguntou-lhe: “ D. Marta, a senhora quer voltar para Portugal?” A chorar, ela respondeu baixinho: “ Quero! Mas, João, como posso pensar em voltar se não tenho dinheiro, nem conheço ninguém que me possa ajudar?”&lt;br /&gt;“ Vamos ver, D. Marta! Tenha calma e não tenha receio! Quero que saiba que estou sempre atento e por perto! Conte comigo, com a minha ajuda e protecção!”&lt;br /&gt;Na semana seguinte, uma irmã do João e o marido levaram-nos , de noite, em segredo, a Johannesburg e meteram-nos num avião, para Lisboa.&lt;br /&gt;Marta nunca soube como o João arranjou o dinheiro para comprar os bilhetes, como os comprou, vivendo eles nos recônditos do país, assim como também nunca mais teve notícias dele. &lt;br /&gt;Gostava de pensar naquele rapaz mestiço, que tanto a ajudara , como se ele fosse um anjo, uma daquelas pessoas que atravessam os caminhos  mais negros e mais tortuosos, dos mais infelizes, para os suavizar, e para os iluminar e enfeitar com mil girassóis, com mil sóis amarelos!&lt;br /&gt;Já em Portugal, nunca contou a ninguém o que se passara em Bethlehem, a não ser à Clara, sua amiga desde sempre e viúva do irmão do António, que morrera uns meses antes.&lt;br /&gt;Marta não voltou para a fábrica. Foi trabalhar para a loja do sr. Clemente, um solteirão simpático e educado, com quem começou a viver, tempos depois. Ele amou-a e foi, para o Ruizinho, o pai que ele, verdadeiramente,  nunca  tinha tido. Educou-o, acompanhou-o e ajudou-a a fazer dele, o homem de bem que era hoje.&lt;br /&gt;Clemente fora uma dádiva preciosa que transformou o deserto árido  que era a sua vida, num jardim imenso de ternura e de paz.&lt;br /&gt;Tinha sido a Clara que lhe dissera, uma semana antes, que António tinha regressado ao país, há uns meses, vivia num quartito miserável, estava muito doente e pedira para vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta estremeceu como se acordasse de um medonho pesadelo e, antes de os ver, sentiu os olhos grandes, brilhantes de febre e orlados de pus, fixos intensamente, nela .&lt;br /&gt;Não sentiu ódio, nem piedade, nem a compreensível satisfação, perante a morte lenta, dolorosa e solitária daquele homem desumano e perverso, carrasco feroz, de tantos dos seus sonhos! &lt;br /&gt;Levantou-se, olhou-o uma vez mais e, friamente, com uma profunda indiferença, voltou-lhe as costas.&lt;br /&gt;Nesse momento, numa voz, inesperadamente forte e rouca, o seu nome rasgou, num apelo desesperado, o silêncio pesado, doentio do quarto: “Marta!”&lt;br /&gt;Parou, hesitou uma fracção de segundo mas não olhou para trás, continuou a andar  e saiu!&lt;br /&gt;Na rua, a luz quente e poderosa do sol entonteceu-a.&lt;br /&gt;Encostou-se à parede e deixou que essa luz lhe aquecesse o corpo entorpecido e a alma, esgotada pelas recordações que acabara de exorcisar! Para sempre! &lt;br /&gt;Respirou fundo e quase correu, ao encontro do Clemente, que a esperava, no carro, com um sorriso, onde brilhavam os mil sóis radiosos que lhe iluminavam os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Este “conto” que pode parecer o enredo rocambolesco de uma telenovela mexicana, é quase inteiramente baseado no relato de  uma vida, dolorosamente amassada com lágrimas, humilhações, perdas e cardos mas, também adoçada com amor, bondade, esperança e radiosos girassóis,  que me foi feito, no hospital, já há uns anos, por uma doente, uma “ Marta”, já velhinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4299839378563275109-5040925610835097628?l=adesalinhada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adesalinhada.blogspot.com/feeds/5040925610835097628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4299839378563275109&amp;postID=5040925610835097628' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5040925610835097628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4299839378563275109/posts/default/5040925610835097628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adesalinhada.blogspot.com/2009/12/uma-vida.html' title='Uma vida'/><author><name>A desalinhada</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489878115203144670</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xE_j8KmvhgM/TRD8lHAwq_I/AAAAAAAAABI/R_eybDR2Puw/S220/101_0221ab.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
