Trago o Natal no fundo do olhar
Esse tempo em que a alegria
Era um lugar de crença seguro
E protector e os doces o calor
Da ternura que a casa oferecia.
Trago o Natal no fundo do olhar
Esse tempo a correr pela cidade
[Evocando o amor e a fraternidade
E esquecendo o frio e a dor]
– Agora, desumanidade e elegia.
Trago o Natal no fundo do olhar
Esse tempo que foi simplicidade
E em que eu acreditei num mar
De gestos que eram então realidade.
Hoje, o Natal é apenas utopia –
Promessa à espera da alegria
Aqui tão perto e no Mundo inteiro.
A Fome e a Guerra são no entanto
Ameaça séria e duradoura, um pranto.
Não há ouro que baste aos senhores!
Trago o Natal no fundo do olhar –
Natal, 2010
José Almeida da Silva
Nesta quadra natalícia, aqui deixo este belíssimo poema de um querido Amigo, um Poeta que admiro!
Obrigada, Zé!
Neste poema perpassa a saudade dos doces natais da infância. Os natais da terna comunhão familiar, da alegria simples de dar, dos pequenos presentes, da ternura dos gestos!
ResponderEliminarO Natal é, hoje, desfigurado por uma aterradora onda de consumismo e esbanjamento que o afoga e por uma vaga de miséria e de desiquilíbrio social que o consome!
Nesse sentido e como diz o Poeta, o Natal, nos nossos dias, é uma utopia!