quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Catarse


Nestes dias de sangue, lama e destruição, sinto, com amargura, sinto, ter-se estreitado,  o fio do horizonte.

E, a Terra inteira, chorosa, dilacerada, em carne viva, clama por Paz, por Justiça, por Salvação.

Nestes dias de terror, de barbárie, de morte, em que a loucura voltou a sair à rua e loucos mataram em nome de um deus que desconheço e abomino, perdi-me, mais uma vez, do mistério insondável, da vastidão incomensurável, do estonteante esplendor, do Infinito. A poderosa noção de Infinito, acalento doce, nos meus tropeços, no caminho.
Preciso da grandiosidade sublime de Infinito, na patética estreiteza dos nossos dias.

Nestes dias negros, em que entro em guerra comigo mesma e com esta indignação que me consome, confesso que sinto crescer, dentro de mim, no meu pensamento, nos meus sentidos, nas minhas veias, a desconfiança, a inquietação, o medo. E, uma incontrolável revolta. E, uma desagradável intolerância, também. Uma intolerância, que sempre desprezei, mas que não domino e  desconhecia em mim.
Talvez com o tempo... se o tempo me der tempo.

MC

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