segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ao contrário de Emily Dickinson

A Esperança é o derradeiro mal, é o pior dos males porquanto prolonga o tormento
F. Nietzsche

"Pandora trouxe a caixa que continha os males e abriu-a. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado “caixa da felicidade”.
E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando. Desde então vagueiam e prejudicam os homens, dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente. Então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e esse derradeiro mal permaneceu fechado, lá dentro.

O homem tem agora, para sempre, a caixa da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui e que sabe estar à sua disposição: ele abre-a quando quer, pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males e, para ele, frágil ser humano, o mal que restou é o que ele pensa ser o maior dos bens: a Esperança.
Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a deixar-se torturar.

Para isso deu-lhes a Esperança: ela é, na verdade, o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens."

Friedrich Nietzsche, “Humano, demasiado humano”

Registo este texto e este pensamento trágico na sua absoluta desesperança, como contraponto ao belíssimo poema de Emily Dickinson.

Contudo, também foi Friedrich Nietzsche que escreveu:

"É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela!"


Do caos, afinal, também irrompe a Esperança e a Luz!

MC

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